08 de maio, de 2009 | 00:00

‘Alternativos’ incomodam taxistas

Motos e carros particulares atuam livremente em Ipatinga nos horários de pico

Fotos: Sérgio Roberto/Agência Cobertura


Mal desembarcam do trem, os passageiros são logo assediados pelos “agenciadores”
IPATINGA – Diariamente, entre 11h30 e 12h30, e 14h30 e 15h30, uma verdadeira “guerra” se trava entre motoristas particulares, taxistas e mototaxistas na Estação Ferroviária Intendente Câmara, em Ipatinga. Nesses horários de embarque e desembarque de passageiros, veículos legalizados a trabalharem no local se sentem prejudicados pela concorrência, que consideram desleal, e pela falta de fiscalização.De acordo com taxistas que trabalham na Estação Ferroviária de Ipatinga, ouvidos pelo DIÁRIO DO AÇO, agenciadores atuam livremente do lado de fora e dentro da estação, aliciando passageiros para os mais variados destinos. É comum, inclusive, ver esses agenciadores negociarem vagas em vans e carros para Belo Horizonte, Caratinga e Governadores Valadares, por exemplo.“É um absurdo, competir com essas pessoas é injusto. O valor cobrado por eles é menor que o nosso, uma vez que não pagam os mesmos impostos que a gente e não estão obrigados a cumprir uma série de normas”, reclama o taxista Bruno Vaz da Silva. Ele ressalta que, apesar de chamado de “alternativo”, esse tipo de transporte é irregular e, quem embarcar, pode não chegar ao final da viagem em caso de fiscalização.FlagranteO DIÁRIO DO AÇO esteve na Estação Ferroviária na última segunda-feira, de manhã e à tarde, e constatou como os agenciadores atuam livremente, sempre em busca de passageiros. Nos horários de chegada dos trens da Vale, muitos disputam para ver quem retira as pessoas de dentro dos vagões para oferecer um transporte “mais barato e mais rápido”.Junto com as vans e os carros de passeio utilizados como táxis clandestinos atuam também os mototaxistas, que chegam a entrar na área de circulação de passageiros para atraí-los, o que não é permitido, segundo a Assessoria de Comunicação da Vale. Mas, ao mesmo tempo, de acordo com a empresa, essa é uma situação delicada, já que, apesar de ser uma área privada, a Estação Ferroviária é de uso público.

Os táxis regulares ficam parados e, às vezes, só fazem duas “corridas” por dia
Agenciadores dizem que trabalham em ‘parceria’Eles se auto-denominam clandestinos, trabalhadores alternativos ou agenciadores. Apesar das diferentes nomenclaturas, a atuação de todos é a mesma: o aliciamento de passageiros que, comumente, recorrem aos ônibus coletivos ou a táxis. Mesmo assim, eles alegam trabalhar em conjunto com os taxistas, arrumando passageiros e corridas mais viáveis para os “colegas”.“Cansamos de arrumar viagens para os taxistas quando nenhum de nós podia fazer. É um trabalho em que todos saem ganhando quando atuamos em parceria. Tem espaço para todo mundo, mas a partir do momento que um ou outro taxista quer levar tudo, as coisas vão deixar de funcionar”, explica um “alternativo”, que preferiu não se identificar.DenúnciaPor outro lado, os clandestinos alegam também que é comum os taxistas fazerem uma corrida com o taxímetro desligado, o que é ilegal. Eles denunciam também que o espaço destinado aos táxis na Estação Ferroviária de Ipatinga é de apenas seis carros, quando mais de dez ficam nas vagas.Os taxistas se defendem, dizendo que sempre utilizam o taxímetro. Em relação às vagas na Estação, eles reconhecem que há mais carros do que espaço, mas isso se dá devido às obras de construção de uma nova estação no local.

Bruno Vaz: “Competir com essas pessoas é injusto”
Clandestinos não cumprem ‘acordo’A briga por passageiros na Estação Ferroviária de Ipatinga se estende porque os taxistas alegam que tudo começou quando os clandestinos passaram a abusar de um acordo que existia. Segundo um taxista que trabalha na estação há mais de oito anos, viagens para Belo Horizonte e outras cidades fora da Região Metropolitana do Vale do Aço eram feitas por grupos particulares.Enquanto as viagens eram apenas entre municípios de fora da região, a convivência entre taxistas e clandestinos era relativamente pacífica. “Mas, depois de um tempo, essas pessoas passaram a fazer viagens para Timóteo e Coronel Fabriciano, por exemplo, por um preço mais razoável que o nosso, o que é ilegal”, alega um taxista ouvido pelo DIÁRIO DO AÇO.Segundo os taxistas da Estação Ferroviária, as viagens passaram também a acontecer dentro de Ipatinga, tirando ainda mais passageiros dos veículos cadastrados na Prefeitura Municipal. “Nós, que vivemos apenas do nosso trabalho, ficamos isolados, sem o amparo das autoridades, que poderiam fazer alguma coisa, e, principalmente, sem a segurança necessária”, critica o taxista Bruno Vaz.

Os mototaxistas também “disputam” passageiros na Estação
Motoristas reclamam que perdas chegam a 15 viagensUma viagem pela manhã e outra à tarde. No bolso, R$ 40, resultado de um dia de trabalho. Essa é a realidade de muitos taxistas que trabalham de forma legal na Estação Intendente Câmara, em Ipatinga, desde que passaram a enfrentar a concorrência de veículos que fazem transporte clandestino. “A gente sabe que todo mundo precisa trabalhar e, da mesma forma que a gente, eles [os motoristas “alternativos”] também estão em busca de um lugar ao sol. Mas gostaríamos que todos fossem legalizados, para que a concorrência não fosse tão desigual”, pondera o taxista Bruno Vaz.Da forma como está, muita gente vai acabar desempregada, conforme Bruno Vaz. Segundo os motoristas que possuem carros na Estação Intendente Câmara, o transporte clandestino tira em média 25 passageiros dos táxis. “Só as motos carregam por dia 15 clientes que poderiam vir conosco”, calcula Bruno.“Ganância”Os motoristas “alternativos” reclamam, por sua vez, que o que existe é uma “grande ganância” por parte dos taxistas que, segundo eles, querem todos os passageiros que desembarcam na Estação. “É preciso que a pessoa tenha o direito de escolher se quer ir embora de moto ou de táxi”, argumenta um mototaxista, que revelou que chega a faturar mais de R$ 100 por dia de trabalho.Roberto Bertozi
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