12 de maio, de 2009 | 00:00

Males da vida moderna

“Loucaminhada” alerta para o crescimento dos distúrbios mentais

Wôlmer Ezequiel


Cirlene: sociedade precisa reconhecer necessidade de integração
IPATINGA – Na próxima segunda-feira (18) comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em Ipatinga, a data será comemorada pela Associação Loucos por Você e pela Prefeitura Municipal com uma “loucaminhada” no centro da cidade. A manifestação, em ritmo de carnaval, acontece há dez anos como palco onde os usuários dos programas de saúde mental desfilam, com fantasias confeccionadas por eles mesmos.A manifestação do dia 18, segundo a coordenadora da entidade, Cirlene Ornelas, será uma tentativa de mostrar à sociedade que a liberdade deve ser uma busca constante de toda a população. A Associação Loucos por Você atende em média 25 pessoas diariamente e está aberta a todos os que se interessarem pelo trabalho. “Queremos mostrar que é possível o convívio, e por isso as portas ficam sempre abertas”, afirmou a coordenadora.OficinasAlém da terapia ocupacional para os portadores de sofrimento mental, a Associação também disponibiliza psicólogos, mas Cirlene ressalta que o momento de maior necessidade de atendimento especializado é na hora das crises, que podem acometer a pessoa a qualquer hora.Para esses momentos, a coordenadora explica que é fundamental o trabalho da equipe multiprofissional na rede pública de saúde. Passado o momento da crise, entra como opção o trabalho da entidade, com oficinas de artesanato e um projeto de reabilitação social desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Ipatinga. A Associação funciona na rua Aleijadinho, 335, bairro Cidade Nobre.FamíliaCirlene Ornelas afirma que o sofrimento mental é ruim para qualquer pessoa, mas muito pior para a família do paciente, que sofre junto. A situação é pior ainda quando o sofrimento mental atinge quem garante o sustento da família. Cirlene conta que, na maioria dos casos, há uma completa desestruturação da família, com a incapacidade da pessoa para o trabalho, ainda que temporariamente.Para os casos em que a pessoa não consegue mais a inserção no mercado de trabalho, a Loucos por Você desenvolve a produção de artesanato, e a comercialização das peças garante algum retorno financeiro para os pacientes.O sofrimento mental ganha destaque à medida que mais pessoas são atingidas pelos distúrbios. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, Cirlene Ornelas detalha um quadro considerado por ela como “preocupante”.ENTREVISTACIRLENE ORNELAS, Coordenadora da Associação Loucos por Você“Situação preocupante”Em termos estatísticos, como está a questão dos distúrbios da mente no Vale do Aço?Não só na região, mas os dados oficiais mostram que 6% da população já tiveram ou terão transtornos mentais. Na prática a gente sabe que isso cresce a cada dia, e é mesmo uma situação preocupante.Qual a razão desse crescimento?São vários os fatores, mas os principais são essas atribulações da vida moderna, como pressão no trabalho, drogas, excesso de informação, preocupação com a segurança, trânsito e tantas outras adversidades com as quais a pessoa não consegue lidar.A sociedade está preparada para essa realidade?Agora uma novela decidiu abordar esse tema na televisão; acho que é válido, mas a gente precisa ficar atento para o discurso que a mídia faz sobre o tema, sobretudo para evitar distorções.Como é a questão legal?A Lei 10.216, por exemplo, preconiza a reforma psiquiátrica brasileira, com a extinção progressiva dos manicômios e abertura de serviços que substituam esses lugares horríveis e que nunca trataram os doentes. Mas como está a prestação do serviço nos quatro municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço?Em Ipatinga existe a Clínica Psicossocial, no bairro Cidade Nobre. Em Fabriciano existe o Casam e, em Timóteo, o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps I). A nossa luta é para que todos os municípios com mais de 70 mil habitantes tenham Caps III, para atendimento 24h.Alex Ferreira
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