14 de maio, de 2009 | 00:00
Protesto com apoio popular
Motoristas apoiam movimento para duplicar BR-381 e reduzir número de mortes
IPATINGA Carregado com equipamentos industriais, o motorista de carreta Rogério Gomes descia ontem de Salvador (BA) com destino a São Paulo. Sua viagem de 12h até Ipatinga foi interrompida no trevo do bairro Veneza II, quando encontrou a barricada” formada pelos manifestantes que paralisaram o tráfego para reivindicar a duplicação da rodovia no trecho entre Governador Valadares e Belo Horizonte.De posse de um panfleto em que era justificada a paralisação pela duplicação da BR-381, Rogério foi categórico: Esse é um dos piores trechos que percorro.” O motorista, que há quatro anos faz o trajeto Salvador-São Paulo pela BR-381, afirmou que, apesar do atraso de ontem, a manifestação tinha o seu apoio.AcidentesO mesmo comportamento foi manifestado por outros motoristas na longa fila que rapidamente se formou na rodovia. Marcos Martins Moraes conta que já perdeu amigos motoristas em acidentes fatais no trecho entre Ipatinga e Belo Horizonte.Marcos contou que anda pelo trecho há dez anos e que, ano após ano, vê o tráfego aumentar na rodovia sem que as melhorias ocorram na mesma proporção. Essa é uma estrada que a gente pega sem saber se chegará vivo ao fim da viagem”, reclamou.MedoMorador do bairro Caravelas, em Ipatinga, o auxiliar de serviços Geraldo da Luz Santos passa de bicicleta diariamente pela BR-381 para ir de casa ao trabalho, no Veneza, e conta que o trajeto de pouco mais de 400 metros já é suficiente para o temor da morte.No ano passado mesmo, um conhecido meu morreu atropelado perto do viaduto da avenida Colatina. A duplicação precisa acontecer e trazer segurança também para a gente que mora perto da estrada”, reforçou.UniãoO técnico contábil José Augusto da Silva acompanhou a mobilização pela duplicação da BR-381 e disse acreditar que a obra só sairá do papel de houver união dos partidos políticos e segmentos sociais.Augusto afirma que foi positivo ver unidas pessoas de diferentes bandeiras políticas, como o PT e o PV. Mas faltaram aqui representantes dos demais partidos, empresários e entidades representativas do setor produtivo, que, inclusive, são os maiores prejudicados com essa estrada ruim”, concluiu.Paralisação durou uma hora em Caeté e 20 minutos em GVAlém de Ipatinga, o protesto contra o impasse na duplicação do trecho da BR-381 que liga o Leste mineiro à capital paralisou outros dois trechos da rodovia, em Caeté e em Governador Valadares. Na avaliação dos organizadores do protesto, cerca de 800 pessoas estiveram nas três frentes de mobilização.Se em Ipatinga o protesto foi tranquilo, inclusive com o apoio da Polícia Rodoviária, nas outras duas cidades a situação foi diferente, com alguns enfrentamentos. Em Caeté, onde surgiu, em março, a ideia de promover protestos mensais, a paralisação durou quase uma hora e provocou um congestionamento de aproximadamente 15 quilômetros, nos dois sentidos.O problema, em Caeté, é que o acordo era para paralisar o trânsito por apenas 30 minutos, mas o protesto acabou durando o dobro do tempo. Vieram muitas pessoas, de vários municípios, e essas lideranças insistiram em se manifestar por mais tempo, impedindo a liberação dos veículos”, justificou o líder do Movimento SOS Rodovias Federais de Minas”, José Aparecido Ribeiro.DificuldadesEm Governador Valadares, o protesto durou 20 minutos, sob a liderança de vereadores e dirigentes comunitários. O protesto em GV teve a presença de aproximadamente 200 pessoas, conforme os organizadores, e não durou o tempo programado por interferência da Polícia Rodoviária Federal (PRF).De acordo com o vereador Lierte Soares Júnior, a PRF impôs dificuldades para a realização do protesto. Quero saber se houve discriminação. As pessoas têm o direito de ir e vir, e também de se manifestar, mas nos sentimos constrangidos pela polícia”, protestou o político valadarense.
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