15 de maio, de 2009 | 00:00
Construção de nova usina sem previsão
Investimentos previstos para 2009, de R$ 2,9 bilhões, não incluem fábrica de placas em Santana do Paraíso
IPATINGA A construção da nova usina de placas da Usiminas em Santana do Paraíso, anunciada no ano passado, bem antes da crise financeira que abalou a economia mundial, não será iniciada em 2009, como previsto inicialmente. As dificuldades conjunturais são a justificativa para o adiamento do projeto, que depende, ainda, da construção do novo aeroporto da empresa, em Belo Oriente, já que o atual, em Santana do Paraíso, dará lugar à nova usina.Na apresentação do balanço do primeiro trimestre, ontem à tarde, a direção da empresa deixou claro que, em 2009, a prioridade será para os investimentos já iniciados. Outros projetos, entre os quais o da nova usina, dependerão da retomada econômica e, provavelmente, só serão viabilizados a partir de 2010.Os planos de investimentos da Usiminas para 2009 totalizam R$ 2,9 bilhões e, entre os que foram divulgados ontem pela empresa, não figura o novo aeroporto. Em tempos de crise, uma das piores coisas para uma empresa é não concluir seus investimentos. Primeiro vamos terminar o que iniciamos”, resumiu o vice-presidente de Finanças, Relações com os Investidores e Tecnologia da Informação, Ronald Seckelmann, que participou da coletiva do presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco, acompanhado do vice-presidente de Negócios, Sérgio Leite, do diretor de Planejamento Estratégico, Ricardo Toledo, e do superintendente de Relações com Investidores, Bruno Fusaro.ProjetosCinco projetos compõem o pacote de investimentos da Usiminas para 2009, nas usinas de Ipatinga e de Cubatão: a construção de uma nova coqueria (nº 3) com capacidade para produzir 750 mil toneladas/ano, e cujas obras civis e montagem estão em andamento; a construção de uma nova usina termelétrica, com capacidade de geração de 60MW, que já concluiu os testes de performance; a expansão da Laminação de Chapas Grossas, cujas obras civis estão em andamento e que representarão um aumento de 1,35 milhão de toneladas/ano; a segunda planta da Unigal (galvanização), para produção de 550 mil toneladas/ano, cujas obras já foram iniciadas; e a segunda linha de tiras a quente de Cubatão, para produção de mais 2,3 milhões de toneladas/ano, cujos equipamentos já foram contratados e as obras civis estão em andamento.Esses cinco projetos, conforme a direção da empresa, são fundamentais para manter a liderança” no mercado brasileiro de aços planos e aumentar a competitividade internacional dos seus produtos. De acordo com o vice-presidente de Finanças, Ronald Seckelmann, todos estão dentro do prazo e do orçamento”.EmpregosEm que pesem os cortes de pessoal feitos desde o início do ano mais de 600 funcionários foram demitidos e atualmente está em vigência um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) , o presidente da Usiminas destacou que esses projetos em andamento estão gerando, de imediato, aproximadamente 6 mil empregos. Até o final do ano, quando as obras de expansão em Ipatinga e Cubatão estarão no auge, a previsão é que o número de postos de trabalho chegue a 8 mil.Conforme Castello Branco, esses investimentos vão contribuir para agregar ainda mais valor ao aço da Usiminas. Os postos de trabalho criados nos canteiros de obras em Ipatinga e Cubatão constituem uma significativa contribuição da empresa à manutenção da atividade econômica do Brasil neste momento de crise global”, ressaltou.Recuperação esperada para o 2º semestreA Usiminas espera uma recuperação do mercado mundial para reduzir suas perdas devido à crise global, mas as perspectivas para o restante de 2009 não são das mais positivas. A empresa, que hoje trabalha com 50% da sua capacidade instalada, prevê que, até o fim do ano, a produção total fique somente 25% abaixo do balanço de 2008. Em compensação, as vendas deverão cair menos, em torno de 20%, conforme previsões dos executivos da Usiminas.De acordo com a análise feita pela empresa, junto com a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2009, a demanda de aços planos em 2009 ainda não está muito clara, apesar das medidas de incentivo que o governo brasileiro vem adotando para ativar setores com forte impacto na economia, como o automobilístico, a chamada linha branca e a construção civil.Apesar de manter ainda um grande estoque de produtos, a Usiminas aposta numa retomada da economia brasileira e do mercado siderúrgico nos próximos meses, mas ainda insuficiente para elevar a demanda interna por aços planos aos níveis do ano passado.Projeções da Usiminas, com base em números do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e de outros organismos internacionais, indicam que o consumo mundial de aço deverá recuar 15% em 2009 na comparação com 2008, com pelo menos um terço da capacidade global do setor de 650 milhões de toneladas/ano ociosa nesse período.RecuperaçãoA demanda externa por aço, que até o agravamento da crise vinha sustentando quase a metade da produção brasileira, não dá sinais de recuperação significativa. Estimativa preliminar do World Steel Association aponta uma queda de 19% em relação ao ano passado. A produção mundial de aço no primeiro trimestre de 2009 foi de 262,8 milhões de toneladas, o que equivale a menos 23% em relação ao mesmo período de 2008, mas é quase estável em comparação com o último trimestre (queda de 2%). A China respondeu por 48% da produção mundial de aço, bem acima dos 37% do primeiro trimestre de 2008.Quanto à demanda global de aços planos, a expectativa da Usiminas é a mesma do início do ano, de retomada a partir do segundo semestre de 2009. Segundo especialistas, dificilmente os preços internacionais do aço atingirão um nível tão baixo como o de março, considerado histórico. No entendimento geral, incluindo a Usiminas, os altos custos de produção, como os de minério de ferro e de carvão, deverão limitar a redução de preços, mas, em compensação, continuarão sendo obstáculos para a rentabilidade das empresas. Confiança no futuro”Apesar da crise, Castello Branco revela otimismoOs números negativos do balanço do primeiro trimestre de 2009 contrastam com o otimismo demonstrado pela empresa. Confiança” foi uma das palavras mais proferidas pelo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, durante a coletiva de imprensa realizada ontem à tarde, em Belo Horizonte, para anúncio oficial dos resultados da empresa ipatinguense.Segundo Castello Branco, a Usiminas mantém a confiança no futuro e continua a empreender uma ousada agenda de investimentos”, entre os quais vários projetos de expansão da capacidade produtiva das usinas de Ipatinga e de Cubatão (SP), que consumirão recursos da ordem de R$ 2,9 bilhões e gerarão aproximadamente 8 mil empregos até o final do ano.EconomiaPara enfrentar o cenário adverso, a Usiminas colocou em prática o Produtividade e Ação”, um amplo programa de melhoria e eficiência com foco na redução de custos. Com ações a serem implantadas nas usinas de Ipatinga e Cubatão, o projeto tem como objetivos diminuir custos variáveis em curto prazo, identificar os principais gargalos e aumentar a capacidade produtiva, além de capacitar colaboradores para o novo momento e as novas metas de produção.Desde o ano passado a empresa vem trabalhando para identificar ações para proporcionar uma economia de custos variáveis que, até o final do ano, deverá atingir R$ 1,2 bilhão. Mais de 300 ações com grande potencial de redução de custos já foram identificadas pela empresa, boa parte das quais já foi implantada.Entre dezembro de 2008 e março de 2009, conforme os números divulgados ontem, já foram capturadas economias” de R$ 176 milhões, aproximadamente. São ações que visam, entre outras coisas, a redução do consumo de energia elétrica, insumos e matérias-primas, além de melhorias da gestão e aumento da eficiência e da produtividade.ContratosAlém do Produtividade e Ação”, Castello Branco destacou que a Usiminas passou a renegociar todos os contratos de abastecimento de matéria-prima, na busca do alinhamento dos custos de produção e dos níveis de estoques à queda da demanda. Esse esforço, claro, é pautado pela tradição da Usiminas de respeitar compromissos firmados e de encontrar soluções acordadas com seus parceiros de negócios em momentos de tensão econômica”, ressaltou.Também buscando reduzir custos, a siderúrgica vai continuar a investir no aumento da participação do minério de ferro produzido em suas minas em Itatiaiuçu (Região Metropolitana de Belo Horizonte) nas operações das usinas de Ipatinga e Cubatão. A produção de minério da Usiminas atingiu 1,16 milhão de toneladas no primeiro trimestre de 2009, volume 58% superior ao do mesmo período de 2008 e 17% acima do último trimestre de 2008. A meta é atingir, até 2010, uma capacidade de produção de 10 milhões de toneladas/ano.
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