15 de maio, de 2009 | 00:00
Usiminas fica no prejuízo
Crise global provoca perdas de R$ 112 milhões no 1º trimestre
IPATINGA A tão falada crise financeira global, que desde setembro do ano passado vem fazendo estragos no mundo todo, chegou de vez a Ipatinga. E com números que chegam a ser assustadores, como os do resultado do primeiro trimestre da Usiminas, a maior indústria do Vale do Aço. Como há muito tempo não acontecia, a siderúrgica ipatinguense fechou o primeiro trimestre do ano com um prejuízo considerável: R$ 112 milhões líquidos.Se comparados com outros balanços, os números do primeiro trimestre são ainda mais negativos. No mesmo período de 2008, por exemplo, o resultado consolidado foi um lucro de R$ 712 milhões. Se comparada com o último trimestre de 2008, a queda é ainda mais significativa: a empresa saltou de um lucro de R$ 837 milhões para um prejuízo de R$ 112 milhões.A receita líquida da empresa no período somou R$ 2,67 bilhões, com uma redução de 25% em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A geração de caixa, medida pelo conceito EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização), alcançou a cifra de R$ 332 milhões, o que representa uma queda de 73% em relação ao mesmo período de 2008.Estresse”Os números foram apresentados oficialmente ontem pelo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, em entrevista coletiva à imprensa mineira, em Belo Horizonte, e acompanhada pelo DIÁRIO DO AÇO por meio de teleconferência. O executivo admitiu que os resultados do primeiro trimestre deste ano estão muito aquém dos normalmente alcançados pela Usiminas”, justificando o prejuízo como decorrente do cenário atual de estresse econômico, que se refletiu negativamente nos mercados brasileiro e mundial de aços planos”.No caso da Usiminas, o estresse econômico” pode ser traduzido pela redução de 50% da capacidade de produção das usinas de Ipatinga e de Cubatão (SP), queda das vendas nos mercados interno e externo e ajustes” de pessoal e de produtividade, o que, em outras palavras, significa demissões e paralisação de equipamentos até que a situação se normalize.Apesar do cenário de forte retração da demanda, Castello Branco disse que a Usiminas mantém sua confiança no futuro” e vai dar continuidade aos investimentos já iniciados para ampliação da capacidade de laminação e galvanização, atualização tecnológica, agregação de valor ao seu mix de produtos e redução dos custos operacionais.FuturoApesar dos números negativos do primeiro semestre, a Usiminas continua uma empresa sólida. Um exemplo disso é o perfil da sua dívida, a maioria de longo prazo e em moeda estrangeira (dólar, principalmente). Embora a dívida tenha saltado de R$ 3,185 bilhões em 2008 para R$ 4,299 bilhões até o fim de março, a condição financeira da empresa é das mais saudáveis, pois, contando o ativo atual, a geração de caixa de um ano seria suficiente para pagar todo esse montante.De acordo com o presidente da Usiminas, o momento ainda é de crise, mas também de confiança e oportunidades. Ele disse que, assim como as outras indústrias brasileiras, a Usiminas está se esforçando para a retomada da produção aos níveis do primeiro semestre de 2008, mas que muita coisa ainda precisa ser feita pelo governo, como o fortalecimento da indústria nacional, a redução da taxa de juros e a estabilidade cambial. É o nosso futuro que está em jogo”, concluiu Castello Branco.Situação é pior que a de 2002Desde 2002 a Usiminas não apresentava um balanço trimestral com prejuízo, como o divulgado ontem. Naquele ano, marcado pela grande variação cambial o dólar nunca esteve tão alto em relação ao real e pela primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a siderúrgica ipatinguense teve prejuízo nos três primeiros trimestres e, apesar da recuperação nos últimos três meses, fechou o exercício com um prejuízo total da ordem de R$ 325 milhões.Houve períodos de crise também em 1999 e 2001 - impulsionada principalmente pelo Plano Collor -, mas nada que se assemelhe ao atual momento vivido pela Usiminas. Na entrevista coletiva de ontem à tarde, o presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco, chegou a admitir que o prejuízo de R$ 112 milhões no balanço do primeiro trimestre de 2008 é o maior constrangimento” na história da siderúrgica de Ipatinga.Constrangimento que, segundo Castello Branco, é compartilhado por toda a indústria nacional. Ele lembrou que nas crises anteriores, apesar da retração internacional, sempre havia a válvula de escape” do mercado doméstico, ou vice-versa, o que não acontece atualmente. Essa é a primeira vez que todo o mundo junto entra em crise”, justificou o presidente da Usiminas. Produção tem queda de 48% em relação a 2008A produção de aço bruto da Usiminas no primeiro trimestre de 2009 foi de 1,02 milhão de toneladas, volume 48% inferior ao produzido no mesmo período do ano passado e 42% menor que no quarto trimestre de 2008. Essa queda é consequência do menor ritmo de produção das usinas de Ipatinga e de Cubatão (SP), devido à parada programada de três altos-fornos.As vendas foram um pouco maiores que a produção e atingiram 1,05 milhão de toneladas no primeiro trimestre deste ano, 44% abaixo do mesmo período de 2008 e 28% menores em relação ao quarto trimestre de 2008. O mercado interno absorveu 74% das vendas, contra um porcentual de 81% no primeiro trimestre de 2008.O total de produtos vendidos no mercado interno 780 mil toneladas ficou 49% abaixo do volume comercializado no primeiro trimestre de 2008 e 32% menor que as vendas do quarto trimestre. As exportações totalizaram 268 mil toneladas, resultado 24% inferior ao do primeiro trimestre de 2008 e 15% abaixo do quarto trimestre.MercadoNa análise do balanço divulgado ontem, chega-se à conclusão de que a empresa perdeu 2 pontos porcentuais na sua participação no mercado de aços planos em comparação com o mesmo período de 2008, considerando todos os setores e produtos.De acordo com a Usiminas, a principal causa dessa perda de participação foi o comportamento diferenciado do mercado, que teve uma retração mais forte no segmento de chapas grossas, exclusivo da Usiminas. No entanto, expurgando-se as chapas grossas desse cálculo, a Usiminas obteve um avanço de dois pontos no market share”, elevando sua participação no mercado para 45%.Mineração tem receita total de R$ 66 milhõesEm outra importante frente contra a atual crise financeira mundial, a Usiminas comemora o aumento da produção das suas minas de minério de ferro em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, adquiridas no ano passado. A empresa fechou o primeiro trimestre deste ano com uma produção de 1,16 milhão de toneladas de minério, volume 58% superior ao do mesmo período de 2008 e 17% acima do quarto trimestre.A receita líquida total da Usiminas na área de mineração foi de R$ 66 milhões entre janeiro e março últimos, resultado da venda de 1,03 milhão de toneladas de minério, sendo 862 mil toneladas para a usina de Cubatão (SP) e 363 mil toneladas para Ipatinga.Jakson Goulart
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