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17 de maio, de 2009 | 00:00

Ociosidade que custa caro

Desativação de equipamentos na Usiminas gera perdas de R$ 264 milhões

Arquivo/DA


Com a crise, a Usiminas quer conter o “custo do trabalho” e afeta metalúrgicos
IPATINGA – Combinado à crise mundial, o aumento dos preços de matérias-primas e os chamados “efeitos extraordinários” ajudaram a derrubar o balanço da Usiminas, que fechou o primeiro trimestre de 2009 com um prejuízo líquido de R$ 112 milhões. O principal desses “efeitos extraordinários”, conforme a empresa, foi o custo da ociosidade decorrente da parada de diversos equipamentos,  que no balanço consolidado foi transferido para a rubrica “despesas operacionais”.Devido à crise financeira, a Usiminas decidiu antecipar as paradas para manutenção de alguns de seus principais equipamentos. Atualmente, a empresa opera com a metade da sua capacidade. A ociosidade de dois altos-fornos em Ipatinga e um em Cubatão, que foram paralisados entre o final de 2008 e o início deste ano, entre outros equipamentos, custa caro à Usiminas. Para se ter uma ideia, somente nos três primeiros meses de 2009 o custo de ociosidade da empresa chegou a R$ 264 milhões. Não há previsão de quando os fornos serão reativados.Outro “efeito extraordinário” que pesou negativamente no balanço divulgado ontem pela Usiminas foi a consolidação de resultados da Ternium, uma parceria com a Techint e a Sidor, da Venezuela. Com diferença de um trimestre entre as publicações dos respectivos balanços, um montante de R$ 124 milhões consolidado no balanço da Ternium no último trimestre de 2009 só agora foi contabilizado no balanço da siderúrgica ipatinguense.EstoquesSoma-se a isso o alto estoque mantido atualmente pela empresa. Se em um período do ano passado a empresa teve que importar alguns produtos para garantir o atendimento a seus clientes, agora a preocupação é “desovar” os estoques mantidos pela empresa em suas diversas unidades de negócios.O estoque atual de aço da Usiminas chega a R$ 5 bilhões, e a empresa pretende chegar ao fim do ano com, no máximo, R$ 3 bilhões em produtos, nível considerado “condizente” com a realidade. Para reduzir o estoque, a empresa cogita, inclusive, manter paralisados até o final do ano os fornos atualmente em manutenção.Usiminas quer gastar só 10% com saláriosA Usiminas espera reduzir em aproximadamente um terço os gastos com salários. Além da demissão de aposentados que foram recontratados – cerca de 600 pessoas, conforme os números oficiais –, a empresa espera que até o próximo dia 22 o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) iniciado no dia 4 de maio tenha boa adesão dos empregados.Embora a Usiminas não fale em números, na entrevista concedida ontem à imprensa, no Escritório Central de Belo Horizonte, o presidente da empresa, Marco Castello Branco, deu algumas “pistas” de até onde a empresa pretende chegar com a política de redução de pessoal, que já atinge também suas empreiteiras.De acordo com Marco Antônio Castello Branco, a Usiminas persegue a meta de reduzir o “custo do trabalho” a 10% de suas receitas. Esse índice estava, no início do ano, em aproximadamente 15%, e atualmente é superior a 12%. “Temos que manter esse patamar se quisermos manter nossa competitividade”, justificou.Os cortes de pessoal, conforme Castello Branco, não estão incluídos no programa para reduzir as despesas da empresa em R$ 1,2 bilhão até o final do ano. Salários são considerados custos fixos.
Jakson Goulart


Castello Branco: medida dolorosa
Balanço do PDV sairá apenas no final do mêsO presidente da Usiminas garantiu que não há uma meta específica, e tampouco expectativa, para o PDV lançado no último dia 4. Ele não quis falar em números, alegando que o balanço das adesões será conhecido apenas no final do mês, mas insistiu que se trata de uma necessidade da empresa para enfrentar as turbulências atuais.“Diante da difícil conjuntura enfrentada pela indústria em geral, tivemos que tomar medidas dolorosas, mas necessárias, para diminuir os custos sociais da crise”, reconheceu Castello Branco. Ele ressaltou que a empresa “é uma das que mais tem contribuído para a manutenção do emprego nesse momento difícil”, mas que não é possível sobreviver à crise sem os cortes que estão sendo feitos.A expectativa de Castello Branco é que esse período de turbulências fique logo para trás e que a empresa retome as contratações, como tem feito para as obras de expansão, que geraram até agora 6 mil empregos. Quem se desligar da empresa agora, conforme o executivo, tem possibilidade de ser readmitido quando os problemas atuais forem resolvidos. “Nós confiamos no futuro da empresa e do Brasil, e temos certeza que vamos conseguir vencer a crise e sair dela mais fortes, retomando parte dos empregos”, concluiu o presidente da Usiminas.
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