02 de junho, de 2009 | 00:00
Educar de acordo com as diferenças
Professores discutem os desafios de levar conhecimento a jovens e adultos de maneira diferenciada
ASC/PMT
O Fórum contou com a presença de mais de 300 educadores da região
TIMÓTEO O maior desafio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é ensinar com eficácia levando em conta as diferentes diferenças”. Essa foi a temática que envolveu o 25º Fórum da EJA do Leste de Minas, realizado na semana passada, em Timóteo, com a presença de professores de várias cidades da região.O encontro foi comandado pela educadora Analise de Jesus da Silva, doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na palestra Como se dá a aprendizagem do aluno da EJA”, a especialista falou das principais dificuldades dos educadores que têm a missão de tornar o conhecimento importante para aqueles que pararam de estudar por uma série de fatores, entre eles o modelo ultrapassado do ensino regular.Religiosidade, opção sexual, raça e idade são alguns dos pontos críticos a serem trabalhados dentro da sala de aula. Temos o problema de alunos com outras orientações sexuais que abandonaram a escola por preconceito e, ao chegarem à EJA, passam de novo pelo preconceito. Sem falar na invisibilidade dos negros, que são 63% dos alunos”, exemplificou Analise de Jesus.
Polliane Torres
Segundo Analise, os professores precisam ensinar de acordo com a realidade dos alunos
Outro problema que ficou claro durante o seminário foi o fato de a maioria dos professores trabalhar com um ideal de aluno que não condiz com a atualidade. Muitos ainda educam com a concepção de 50 anos atrás. Hoje, na EJA, o perfil ideal - e apenas imaginário - é do aluno adulto e trabalhador, que opta pela EJA porque quer. Na verdade, os jovens são a maioria dos alunos, que têm um comportamento nem sempre de bom gosto”, avaliou.Então, como é que os alunos da EJA aprendem? Segundo Analise de Jesus, eles aprendem a partir do momento que o que é ensinado tem a ver com o que eles vivem. A partir do prazer no que está aprendendo. O educador tem que, o tempo todo, mostrar como o que ele está aprendendo se encaixa na vida dele”, ensinou.DeficientesAinda sob a perspectiva de educar com as diferenças”, existe o problema da inclusão de deficientes na EJA. Timóteo é uma das poucas cidades mineiras que atende também pessoas com necessidades especiais (auditiva e visual). Os alunos são atendidos na sede do Creia, onde os profissionais são qualificados para lidar com essas diferenças. No entanto, essa não é a realidade da maioria dos municípios, conforme Analise de Jesus.De acordo com a especialista em educação, falta preparo para os professores conseguirem levar, de fato, conhecimento para os deficientes. Na maioria das vezes, o que acontece é uma inclusão perversa”. Trata-se do aluno que ocupa uma carteira, mas de forma alguma lhe é garantida a permanência e a aprendizagem com sucesso, devido à falta de preparado dos professores. Isso também se percebe na educação básica”, criticou a Analise.Polliane Torres
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor:
[email protected]