23 de junho, de 2009 | 00:00
Dengue hemorrágica mata criança
Polliane Torres
Celeste da Conceição criticou a “lentidão” no diagnóstico da doença do filho Jean
TIMÓTEO Depois do operador Adriano Bertulini Barbosa, que faleceu no dia 26 de maio, mais um morador de Timóteo morreu com dengue hemorrágica. A última vítima foi o estudante Jean Victor Fernandes Nunes, de 6 anos, cujo corpo foi sepultado na manhã de ontem, no Cemitério Municipal, no bairro Santa Maria. A família, que mora na rua João Fernandes, 150, no bairro Ana Moura, reclama da demora no diagnóstico da doença, feito somente quatro dias depois da primeira consulta médica.Os pais de Jean, Celeste da Conceição Fernandes, 42, e Waldomiro Justino Nunes, 45, contaram o drama vivido pela família e as idas e vindas ao posto médico. O sofrimento começou na última quarta-feira (17), quando Celeste arrumava o filho para ir à escola. Ele reclamou de febre e dor nas pernas. Aí o levamos ao posto de saúde do nosso bairro. Lá, o médico falou que não tem surto de dengue na cidade e que nem era época da doença. Questionei se a doença tem época, então ele receitou paracetamol e passou xarope para gripe. Mas meu filho não estava gripado, e fomos embora para casa. O médico deveria ter pedido exame para conferir se era dengue”, relatou a dona de casa.No mesmo dia, depois de chegar em casa, a febre de Jean não passou. Na quinta-feira (18), Celeste levou o filho novamente para consultar, desta vez na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Olaria. Lá, o médico pediu o exame dele, onde foi constatada dengue. Colocaram meu filho no soro e ele foi liberado”, contou.No dia seguinte (19), Jean piorou e foi levado novamente à UPA do Olaria. Celeste da Conceição afirmou que um outro exame mostrou que as plaquetas da criança estavam baixas. Ele ficou internado, e no sábado (20) recebeu alta, mesmo sem ter melhorado. Ele saiu de lá vomitando”, reclamou Celeste.Piora Poucas horas depois de receber alta, segundo sua mãe, Jean começou a gritar de dor. Pedi para chamarem uma ambulância, e na hora de dar banho no meu filho percebemos que ele estava frio e começando a perder o sentido. Ao chegar ao posto do Olaria, com muito custo consegui que o encaminhassem para o Hospital Vital Brazil. No hospital, também tive dificuldade de ser atendida. Quando foi colocado no maca, Jean estava sem pulso e me avisaram que o quadro dele era irreversível”, lembrou, emocionada, sua mãe.Waldomiro Justino acompanhou o filho no hospital e disse que no primeiro momento Jean ficou no soro e no balão do oxigênio. Eles estavam controlando os batimentos cardíacos dele também. Na madrugada [de domingo] ele piorou e foi entubado às 3h, mas 50 minutos depois ele morreu, por insuficiência respiratória e febre hemorrágica. A hemorragia dele foi interna”, completou o pai da criança.RevoltaCeleste da Conceição lamentou a negligência” no atendimento ao filho. Ele não precisava ter passado por isso. Tinha que ser feito exame no começo, ninguém diagnostica uma doença sem exame. Não foi minha culpa, eu o levei aos médicos todos os dias. Não quero pensar que foi negligência, mas, infelizmente, foi. Ele até poderia não ter resistido mesmo, mas merecia uma atenção mais eficiente”, protestou Celeste.A família informou que chegou a receber a visita de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde, e o próprio prefeito, Geraldo Hilário (PDT), esteve no velório da criança. Apesar de revoltados, Celeste e Justino não pretendem acionar a Justiça. Isso não vai trazê-lo para mim, só vai aumentar o sofrimento. O dinheiro que vou ganhar não vai trazer meu filho de volta. Só não quero que isso aconteça com os outros”, desabafou a mãe de Jean.
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