29 de julho, de 2009 | 00:00
Menos grave do que se pensava
Infectologista alerta sobre poder de contágio e efeitos do H1N1
IPATINGA Desde abril sob alerta sobre a pandemia de H1N1, o vírus causador da Influenza A, a conhecida gripe suína, a população agora terá volume menor de informações sobre novos casos de contaminação. A Secretaria de Estado de Saúde decidiu adotar um rigor maior sobre o assunto, centralizando as informações sobre a doença em Belo Horizonte.Conhecer mais sobre a Influenza A pode ser uma das formas de evitar surpresas e afastar especulações. Neste sentido, o médico infectologista Aloísio Benvindo dá uma aula” sobre a conhecida gripe suína. Entre os aspectos para os quais Benvindo chama a atenção em relação à Influenza A está a disseminação rápida dos casos. Em contrapartida, avalia que não se trata de uma doença de uma gravidade tão devastadora quanto se divulgou inicialmente. Hoje se sabe que a mortalidade da gripe suína é igual ou menor do que a da gripe comum”, resume. Com isso, o médico explica que o atendimento pode ser feito em qualquer posto da rede pública, programa de saúde da família, clínicas particulares ou consultórios médicos. Somente os casos mais graves, daqueles pacientes portadores de doenças que causam alto risco é que precisam ir para os hospitais”, observa. Diretor do Hospital Márcio Cunha (HMC), o médico José Carlos de Carvalho Galinari afirma, por sua vez, que médicos e colaboradores do HMC já foram informados das diretrizes do Ministério da Saúde em relação à epidemia de Influenza A. Precisamos que as políticas públicas considerem a necessidade de apontar unidades de referência para atendimento à população e evitar, com isso, a sobrecarga de pacientes no Pronto-Socorro do HMC, que já enfrenta demanda acima da sua capacidade física e operacional”, conclui.TratamentoO infectologista Aloísio Benvindo explica que há dois medicamentos em utilização no mundo para o tratamento dos efeitos do H1N1: o Oseltamivir, disponibilizado pelo Ministério da Saúde para os casos mais graves, com hospitalização ou pacientes portadores de doenças que elevam o risco de maior gravidade da doença, bem como o Zanamivir, ainda não disponível no Brasil. Quanto ao desenvolvimento de vacinas contra o H1N1, o médico ressalta que inúmeras pesquisas estão em andamento. Não há nada definido para uso clínico. Nada que permita produzir em escala para atender a atual pandemia. Isso só deve acontecer dentro de dois ou três anos”, prevê o médico.EpidemiasAntes da epidemia de gripe suína, enfrentada na atualidade, a população brasileira esteve submetida a outras epidemias de grande importância. O infectologista Aloísio Benvindo explica que uma das primeiras do século XX foi a gripe espanhola, em 1918, depois a gripe asiática em 1958, e, em 2004, a gripe aviária ameaçou se alastrar mas foi controlada ainda na Ásia. Em 2009, no começo de abril, houve o desencadear da gripe Influenza A, a partir do México.Higiene básica como prevençãoEm razão do nível elevado de contágio do vírus H1N1, o infectologista Aloísio Benvindo destaca que o ideal seria as pessoas não se aglomerarem em locais fechados, como cinemas, teatros, aviões, trens, ônibus e tantos outros. Mas com esse fluxo intenso de pessoas é impraticável um isolamento desses”, admite.No entanto, Aloísio Benvindo lembra recomendações básicas de higiene, como lavar as mãos sempre após contato com pacientes com sintomas de gripe. Para a pessoa que tiver comprovada a contaminação com o H1N1, é preciso o uso de máscaras para reduzir o risco de disseminar o vírus para o ambiente.As orientações incluem, ainda, cuidados redobrados em caso de contato com pessoas que tenham chegado recentemente do México, Estados Unidos, Chile e Argentina, principais áreas de disseminação do H1N1. Os sintomas mais comuns podem ser confundidos com a gripe comum: febre alta repentina e superior a 38 graus, tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória.Estado adota rigor na divulgação de casosA Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) decidiu cortar a divulgação, por gerências regionais de saúde, dos casos de pacientes vítimas da Influenza A, ou gripe suína, provocada pelo vírus H1N1. Com essa decisão, fica mais distante o acompanhamento dos casos mais localizados, que agora dependem dos dados oficiais do Estado. Por telefone, ontem, uma assessora da SES MG informou que a medida foi adotada como forma de preservar a identidade dos pacientes e garantir sua privacidade. Só vamos divulgar os dados gerais do Estado”, insistiu a assessora. Os mesmos dados divulgados pela assessoria já constavam de um endereço na internet mantido pela SES como canal exclusivo para divulgação acerca do H1N1. Ontem à tarde, o balanço oficial da SES apontava que Minas tinha 321 casos suspeitos e 154 casos confirmados de Influenza A, além de 290 examinados e descartados. A morte de uma mulher, em Betim, que seria a primeira de Minas atribuída ao vírus, é tratada como caso suspeito”, e a suspeita de uma morte no Vale do Aço não era sequer considerada pela Assessoria de Comunicação da SES. Nem os hospitais, clínicas e postos de saúde poderão divulgar os casos em acompanhamento. Alex Ferreira
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