02 de agosto, de 2009 | 00:00
Retomada do ensino público eficiente
Secretaria de Educação de Ipatinga implanta nova realidade
Divulgação/PMI
Estudantes de 8 a 10 anos foram inseridos em programa para recuperar o tempo perdido sem aprendizagem
IPATINGA Amanhã, no reinício do ano letivo no município, cerca de 23 mil alunos vão ocupar novamente salas de aula, oficinas pedagógicas, corredores e pátios da rede municipal de ensino, ancorados por 1.966 profissionais, entre professores, administradores escolares e auxiliares técnicos. Para uma rede dessa dimensão, as demandas, na mesma proporção, exigem planejamento, conhecimento, força de vontade e recursos. No cargo de secretária de Educação desde 23 de março, a pedagoga Célia Pedrosa confirma que são grandes os desafios. Uma das primeiras ações, resolvidas a partir de março, quando o prefeito Robson Gomes (PPS) assumiu o governo, foi a recomposição do quadro de pessoal, defasado em relação ao número de professores para fazer a rede funcionar. Foi uma situação criada pela falta de lotação de cargos, normalmente efetivada em dezembro para o ano letivo seguinte. A solução foi contratar 280 professores dentro dos concursos já realizados. Cinco meses depois, os resultados já aparecem.Entre eles, o do projeto Alfabetizar em Tempo”, desenvolvido para atender 800 crianças de 8 anos (3º ano) e 300 crianças de 10 anos (5º ano), que não tinham aprendido a ler, escrever e fazer cálculos. A solução foi aplicar o programa especial de recuperação a partir de junho, com práticas pedagógicas alternativas. Na avaliação consolidada do projeto, divulgada neste sábado, a coordenadora Kátia Lana Teixeira explicou que, quando perguntados sobre a satisfação da aprendizagem do aluno, 96% responderam positivamente. A avaliação também mostra que as oficinas de português tiveram aprovação de 99%, matemática 97% e cultura 100%. Mais do que a frieza dos números, essa avaliação mostra que o projeto realmente funciona e deve pautar ações na capacitação dos professores, que segue agora no segundo semestre”, conclui Kátia Lana.CapacitaçãoSobre o mau desempenho de crianças e adolescentes na escola, Célia Pedrosa avalia que, além das implicações dos problemas sociais influenciadores do aprendizado dos alunos, houve um aspecto específico de Ipatinga, com a falta de capacitação de profissionais que chegaram nos quatro anos anteriores para a rede municipal. A capacitação, explica a secretária, é uma ação que já foi resgatada, iniciada no primeiro semestre e com programação até dezembro. A ação começou com os 55 profissionais contratados para o Alfabetizar em Tempo, já abrangeu os auxiliares administrativos e de serviços gerais e agora é aplicada aos demais profissionais da rede, professores e secretários. Informática, administração escolar, relações interpessoais, relações humanas, atendimento e segurança estão entre os aspectos sobre os quais a capacitação tem se preocupado.
Alex Ferreira
Célia Pedrosa: desafios vencidos em cinco meses à frente da Educação
Ampliação da educação infantilA secretária de Educação de Ipatinga, Célia Pedrosa, participou deencontro em Brasília com secretários de Educação das 156 maiorescidades brasileiras, como parte do Plano de Ações Articuladas para aEducação (PAR). Uma das necessidades apontadas como realidade nacionalé ampliar a rede de atendimento da educação infantil. Neste sentido, asecretária explica que o prefeito Robson Gomes (PPS) está em constantearticulação junto ao gabinete do deputado federal Alexandre Silveira(PPS), que, como representante de Ipatinga neste e em outros processos,contribui para a vinda de recursos e o desenvolvimento de projetos naárea de educação.Outra articulação visa aprovar a construção de uma nova escola infantilno bairro Planalto, por meio do Programa ProInfância. O projeto foiencaminhado para o governo federal e passa por avaliação. Se aprovado,a União garante a estrutura física mediante contrapartida do município.A unidade deverá atender a mais 950 crianças de 4 a 5 anos.Ainda em Brasília estão em andamento projetos de preparação deestrutura física de escolas com objetivo de oferecer acessibilidade atodos, de acordo com critérios estabelecidos pelo Ministério daEducação (MEC) no Programa Escola Acessível. Isso inclui rampas,corrimãos, alargamento de passagem, vasos sanitários, sinalizaçãosonora e tátil. As articulações com o deputado federal também visam aimplantação da escola integral em Ipatinga.ENTREVISTA: Célia PedrosaComo é o apoio do governo às demandas da educação?O trabalho intersetorial das diversas secretarias tem funcionado. Não tive nenhuma dificuldade para incrementar as nossas propostas e diretrizes da educação, e contamos com um governo aberto ao diálogo.Além das escolas da rede municipal há, também, a rede conveniada da educação infantil, as creches, mantidas com recursos públicos. Como é o acompanhamento?A rede faz a prestações de conta mensais e os dados passam pelo controle do Serviço de Assistência ao Educando, pela controladoria, e nós temos também as visitas nas escolas tanto pedagógicas como administrativas.É conhecida a demanda por vagas na rede de educação infantil. Qual a solução?Além da rede conveniada temos a creche do Game no bairro Iguaçu, e a creche Mãe Dolores, no Centro. No Game, retomamos um antigo espaço, e na segunda-feira (3) a escola já começa a funcionar com 6 turmas de educação infantil, atendendo cerca de 120 crianças. Ampliamos também a creche Mãe Dolores com duas turmas de berçário e maternal, atendendo mais 30 crianças.A educação infantil será mesmo retomada pelo município?Já apresentamos projetos para educação infantil junto ao governo federal. O município tem que arcar com a manutenção e com os profissionais e o governo federal oferece a estrutura física. A tendência é um investimento maior na educação infantil, tanto no âmbito federal quando municipal. Por que essa mudança chegou de forma tão incisiva?É uma conclusão científica; quando você investe na educação infantil, você tem menos dificuldades de aprendizagem no ensino fundamental. As crianças são mais estimuladas e preparadas para a sua fase de construção dos processos de leitura e escrita.
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