05 de agosto, de 2009 | 00:00

“Família Acolhedora” pode ser implantada em Fabriciano

Wôlmer Ezequiel


O seminário reuniu entidades e autoridades no Unileste-MG
FABRICIANO – Atualmente, a rede de abrigos de Coronel Fabriciano possui 58 internos e grande parte das crianças e adolescentes atendidos são de outros municípios. Com o objetivo de tirá-los dessa situação, estuda-se a implantação do programa “Família Acolhedora”. Trata-se do encaminhamento dessas crianças para famílias onde permanecerão provisoriamente, até que as suas famílias de origem possam recebê-las novamente. Para discutir os detalhes do programa, foi realizado na tarde de segunda-feira (3) o I Seminário “Famílias Acolhedoras”, no Unileste-MG. O evento contou com representantes do governo municipal, da Prefeitura de Ipatinga, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude. O projeto foi lançado em 2006 pelo Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária. O documento é de autoria do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida é prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi mais detalhada dentro do plano. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça da Infância e Juventude de Minas Gerais, Andrea Carelli, informou que o Estado deu prioridade à implantação dos programas em municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Andrea Carelli frisou que o principal objetivo do programa é permitir às crianças e adolescentes retirados de suas famílias o convívio em ambiente familiar. A coordenadora disse que os abrigos são de permanência breve porque, por melhores que sejam, não reproduzem esse ambiente. “É na família que a pessoa é socializada e forma a sua personalidade. Vale destacar que isso não é adoção, e sim uma alternativa ao abrigamento”, declarou. Segundo Andrea, está comprovado que a maioria das crianças que sai do abrigo faz uma trajetória de rua. Andrea Carelli explicou que as famílias candidatas ao programa passam por um rígido processo de seleção. “Elas são previamente cadastradas. Em seguida é feito um estudo psicossocial da família. Tudo isso para que a criança não seja inserida em um ambiente impróprio”, detalhou a coordenadora. Para Andrea, o cadastro da Família Acolhedora é separado da adoção. E no caso de a pessoa não poder voltar para a família de origem e precisar ser encaminhada para adoção, essa família que a acolheu não tem prioridade. “Até onde conheço do projeto, ele não prevê a adoção para a família que quer acolher. A família que se cadastra tem que saber o que quer. Na minha opinião, ela não deveria ter preferência”, comentou. Sobre a viabilidade da implantação do programa na cidade, Andrea Carelli acredita que a situação é tranquila. “Aqui as coisas estão muito engatilhadas. A população abrigada é pequena. Fabriciano tem toda possibilidade até de erradicar o abrigo, pois cerca de 40 crianças abrigadas são de fora”, avaliou. Demanda  A Promotoria da Infância e Adolescência de Coronel Fabriciano ressaltou que a demanda no município pelo programa é muito grande. “Ele ainda não foi instalado porque depende de uma série de fatores. Infelizmente, a demanda é muito grande porque não existe um programa efetivo para trabalhar essas famílias, para que elas possam reassumir depois essas crianças”, declarou. Para o prefeito Chico Simões (PT), o investimento em programas como esse é importante para evitar problemas sociais futuros. “Com essas iniciativas teremos menos problemas no futuro. É importante que o Suas (Sistema Único de Assistência Social) não cometa os mesmos erros do SUS (Sistema Único de Saúde)”, sintetizou.
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