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09 de agosto, de 2009 | 00:00

Vírus inteligentes desafiam a humanidade

Resistência dificulta tratamento de doenças graves

Alex Ferreira


Benvindo: “A humanidade luta contra micro-organismos que chegaram milhões de anos antes”
IPATINGA – Uma recente reportagem sobre prostituição no Porto de Santos (SP) alertava sobre a existência de vírus HIV, o causador da Aids, resistente ao coquetel de medicamentos. O assunto, tratado com estardalhaço, na verdade não é uma novidade. Em Ipatinga, o médico infectologista Aloísio Benvindo confirma que já foram descobertos vários casos de vírus muito resistentes. O problema era mais agudo no passado, explica o especialista, por causa da escassez de opções de medicamentos. Benvindo explica que, na fase inicial da epidemia de Aids, entre o fim de 1996 e o início de 1997, quando o HIV adquiria resistência pelas drogas, o problema se tornava sério porque não havia opções para o tratamento. “Hoje, nós já temos mais de 23 drogas disponibilizadas no mundo para tratamento de HIV”, acrescenta.No entanto, o infectologista alerta que há registro de bactérias chamadas panresistentes, ou seja, resistentes a praticamente todos os antibióticos. O médico reconhece que, em breve, serão encontrados também vírus resistentes a praticamente todos os antivirais. Por isso, acrescenta, há uma luta para que os pacientes obedeçam aos médicos, não se esqueçam de tomar os remédios na hora certa e não tomem bebida alcoólica junto com o medicamento. “Toda vez que o paciente faz isso diminui a eficácia do medicamento e contribui para que o vírus adquira resistência contra as drogas antivirais”, adverte Aloísio Benvindo.AntibióticosO infectologista Aloísio Benvindo faz um alerta em especial em relação aos antibióticos para o tratamento da pneumonia. Tratado com a tradicional penicilina, quando o paciente de pneumonia não está internado e faz uso de cerveja e outras bebidas alcoólicas ou diuréticas, acaba por desperdiçar o remédio. Com isso, o antibiótico fica em quantidade mínima no sangue, de forma insuficiente para matar a bactéria. “Ela se torna resistente ao antibiótico. Ou o paciente tem uma recaída grave da pneumonia ou aquele micróbio, com uma resistência maior, vai passar para outra pessoa. O próximo paciente já não vai responder bem ao tratamento com a penicilina”, adverte.Eles chegaram primeiroA atual corrida no mundo contra o vírus H1N1, causador da Influenza A, mostra que a humanidade está longe de ter sob controle as implicações da ação dos seres só vistos em laboratórios, mas que fazem o homem sentir sua presença de forma violenta com os efeitos  sobre a saúde humana. O infectologista Aloísio Benvindo afirma que, em relação a todos os micro-organismos existentes no mundo, vírus, bactérias e fungos, quanto mais antibióticos antivirais e antifúngicos os humanos usam, mais pressão exercem sobre eles e mais esses seres se defendem. “Eles são muitos mais velhos do que nós, humanos, na natureza. Eles já têm outras maneiras de se defender e criam resistência aos nossos remédios. As bactérias são milhões e milhões de anos mais velhas que a raça humana na face da terra”, explica o médico.Alex Ferreira
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