09 de agosto, de 2009 | 00:00
Sistema de saúde modelo
O SUS completa 21 anos de existência fazendo 1 milhão de atendimentos por dia
IPATINGA O Dia Nacional da Saúde, comemorado na última quarta-feira (5), motivou debates durante toda a semana. Falar em saúde no Brasil sem lembrar do Sistema Único de Saúde (SUS) é impossível, tendo em vista que ele atende cerca de 140 milhões de brasileiros, ou 1 milhão de pessoas por dia. O SUS completa 21 anos com um saldo de muitas conquistas e grandes desafios. Para falar sobre a implantação do sistema no Brasil e avaliar sua atuação, o DIÁRIO DO AÇO entrevistou o consultor em saúde pública da Fundação Israel Pinheiro e coordenador do Núcleo de Assessoria em Educação Permanente em Saúde da Faculdade de Medicina do Vale do Aço (Famevaço), Fabiano Moreira, que também é mestre em saúde da família.O consultor diz que antes de falar do SUS é preciso esclarecer sua verdadeira idade. O SUS foi regulamentado na Constituinte de 1988 por meio do artigo 195, mas só passou a funcionar em 1990, com a regulamentação da Lei 8080/90, uma espécie de manual do SUS. Dessa forma, o SUS completa 19 anos, mas o Ministério da Saúde comemora 21 anos”, falou Fabiano Moreira. Bom para uns e precário para outros, o SUS é um dos modelos de saúde mais avançados do mundo. O presidente norte-americano Barack Obama, por exemplo, quer introduzir no sistema de saúde pública do país procedimentos parecidos com os do SUS para melhorar o atendimento. Alguns dados provam o motivo desse interesse. Fabiano Moreira informou que o Brasil é o país que mais realiza transplante público no mundo. Só o SUS provê transplante no Brasil. Nós temos um dos calendários de vacinas mais completos do mundo e um dos maiores programas de DST/Aids”, revelou Fabiano. História É importante ressaltar que o SUS é fruto de muitas lutas políticas por igualdade social no Brasil. Fabiano Moreira contou que saúde pública começou a ser discutida no país em 1900. Até a década de 1980, o acesso ao atendimento de saúde no Brasil era restrito a pessoas que contribuíram com caixas de aposentadoria e pensão. Mas com o movimento das Diretas Já”, além de democracia a população exigia o direito à saúde para todos. De acordo com Fabiano Moreira, vários sanitaristas brasileiros iniciaram uma discussão mais ampliada sobre o conceito de saúde. Importantes pesquisadores brasileiros apontavam que saúde não é só atendimento em hospitais, e sim educação, saneamento básico, alimentação, assistência social, emprego e renda. Tudo isso gera saúde”, comentou Fabiano. A criação do SUS foi fundamentada neste princípio. Desafios Na avaliação de Fabiano Moreira, ao completar 19 ou 21 anos, o SUS é comparado a um jovem em formação e passível de erros. E diz que o primeiro desafio no momento é financiamento. O setor aguarda a aprovação no Congresso Nacional da Emenda Constitucional 29, que prevê o aumento dos investimentos no sistema. Outro problema é o número de usuários da rede privada que insistem em fazer exames pelo SUS. Se isso se tornar rotina o SUS não vai dar conta, porque já atende de forma limitada as pessoas que dependem só dele”, frisou Fabiano Moreira.A falta de valorização e as más condições de trabalho dos profissionais que atuam na saúde pública também são um problema. O salário precisa melhorar. A média salarial está abaixo da mundial. Mas não é só por isso que os médicos não querem trabalhar no SUS. As condições de trabalho têm que melhorar, falta aparelhamento, capacitação, e existem muitas dificuldades causadas pelas diferenças entre as regiões brasileiras”, avaliou o especialista. Fabiano Moreira defende ainda a profissionalização dos gestores de saúde pública. Desperdício Fabiano Moreira disse que o desperdício na rede pública é um dos grandes problemas do SUS. O número de exames negativos no SUS é muito alto. Às vezes a prescrição é feita em demasia”, criticou. Outra necessidade da rede é o aumento da cobertura do Programa Saúde da Família no país. Hoje, o programa atende 62% da população. Mas é preciso melhorar o atendimento primário para diminuir a demanda terciária. Essa cultura hospitalar tem que acabar. Hospital é lugar para emergência. É claro que devemos considerar casos de doenças como a gripe A, mas muitos ainda vão a hospitais por qualquer coisa”, ressaltou.Polliane Torres
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