20 de agosto, de 2009 | 00:00
Entrave jurídico para ETE
Prefeito vai cobrar do MP solução para impasse no tratamento do esgoto
FABRICIANO Por 8 votos a 3, a Câmara Municipal derrubou, na terça-feira (18), o veto do prefeito Chico Simões (PT) ao Projeto de Lei 1.846/2009, de autoria do vereador Nivaldo Lagares, o Querubim (PDT), que define como principal critério para instalação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) a distância mínima de 700 metros da área urbana. A decisão do Legislativo saiu no mesmo dia em que era divulgada a decisão liminar do juiz de direito Marcelo Pereira da Silva que, na sexta-feira (14), acatou o pedido em uma ação civil pública, de autoria do Ministério Público (MP), movida contra a Companhia de Saneamento (Copasa) e o Estado de Minas Gerais, suspendendo as licenças prévia e de instalação concedidas para a construção da ETE no bairro Santa Terezinha. Em síntese, o MP solicita que, na análise do mérito, caso se confirmem as falhas no projeto da ETE, que o veto seja definitivo. O diretor operacional da Copasa, Valério Máximo, já havia informado que a empresa vai cumprir a determinação judicial, ressalvando que o departamento jurídico da concessionária não deixaria de avaliar as providências cabíveis. Caso a solução não apareça rápido e a polêmica passe a se arrastar na Justiça, o tratamento do esgoto em Fabriciano vai demorar mais do que o previsto inicialmente. Na ação, o MP argumentou que o projeto da Estação de Tratamento de Esgoto pelo sistema de Reatores Anaeróbicos (Rafa) apresenta limitações técnicas que representam perigo ambiental. Acrescenta comentários do parecer técnico da empresa Universalis Consultoria, Projetos e Serviços Ltda, segundo os quais, embora o sistema tenha a vantagem do baixo custo, peca pela baixa eficiência para tratar efluentes industriais e domésticos conjuntamente. Pesa ainda no relatório a ausência de previsão de tratamento de gases com potencial lesivo, como é o caso do gás sulfídrico, tóxico, de cheiro desagradável, semelhante ao ovo podre, irritante para os olhos e vias respiratórias, além de atuar no sistema nervoso. O MP alega que não há garantias de solução técnica para esse problema. Alternativas Na ação, o MP indica saídas como a substituição do modelo Rafa pelo sistema de lodos ativados com aeração prolongada, bem como mudança do local da instalação da ETE. A primeira área citada é o antigo lixão, às margens do rio Piracicaba, ou um terreno à margem esquerda da BR-381 entre os bairros Mangueiras e Amaro Lanari. O próprio MP reconhece um estudo encomendado pela Copasa, que aponta a elevação dos custos para a adoção dessas opções, o que levaria a população ao ônus de arcar eternamente com os gastos extras. ArticulaçãoUm dos principais articuladores do movimento contra a construção da ETE no bairro Santa Terezinha, o empresário Israel de Paula afirmou ontem que agora a luta é pela manutenção do mérito da ação civil pública. Israel destacou que a ação foi impetrada com base em fatos concretos e a decisão liminar deverá ser mantida posteriormente. Queremos frisar que não somos contra a ETE, queremos o tratamento do esgoto de Fabriciano, mas que isso seja feito longe da população”, concluiu.Copasa e MP serão cobrados sobre tratamento do esgotoO prefeito de Coronel Fabriciano, Chico Simões, afirmou ontem que vai cobrar da Copasa e do Ministério Público o tratamento do esgoto da cidade. O MP tem que apresentar uma solução para esse problema que ele criou para nós”, afirmou. Simões lembra que uma das áreas apontadas como alternativas para a ETE, o antigo lixão, é um despropósito. Trata-se de uma área que precisa ser monitorada por 20 anos. Além disso, observa, está em uma elevação superior ao nível dos interceptores construídos desde 2003 em direção ao bairro Santa Terezinha, o que demandaria bombeamento, elevado custo com energia elétrica, o que também será danoso ao ambiente. As obras de tratamento de esgoto em Fabriciano têm custo estimado em R$ 14.236.208,58.A respeito da decisão da Câmara, de estabelecer distância mínima de 700 metros da ETE em relação à área urbana, Simões afirmou que a lei não pode retroagir para prejudicar o que já está em andamento.Simões voltou a destacar que o contrato com a Copasa para o tratamento do esgoto foi assinado ainda no governo Paulo Antunes, em 2002, inclusive com a definição da área no bairro Santa Terezinha para sediar a ETE. O que fiz foi assinar convênios subsequentes, para que as obras fossem realizadas”, concluiu Simões.
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