29 de agosto, de 2009 | 00:00
Recomendações aos municípios
Fórum conclui que Estado brasileiro é omisso sobre mobilidade urbana
IPATINGA Com um documento em que constam recomendações a prefeitos e vereadores nos municípios mineiros, foi encerrado nesta sexta-feira em Ipatinga o 50º Fórum Mineiro de Gerenciadores de Transporte e Trânsito. No evento, o presidente do Fórum Mineiro de Gerenciadores de Transporte e Trânsito, Galba Gomes, secretário de Obras de Coronel Fabriciano, foi reeleito presidente da entidade. No último dia do encontro, mais uma vez, ganhou destaque a discussão sobre a regulamentação do serviço de mototáxi. O Fórum definiu um documento em que prefeitos e vereadores são alertados a não regulamentarem o serviço sem ampla discussão com a sociedade. A polêmica ganha corpo porque, após aprovação de lei federal que reconhece a profissão do mototaxista, foi repassada aos municípios a responsabilidade da regulamentação da atividade. No entanto, os acidentes de trânsito com motos e o risco de transmissão de doenças com equipamentos de uso individual engrossam opiniões divergentes.Na avaliação do presidente da Empresa de Transporte e Trânsito de Betim, Eduardo Lucas, a questão da mobilidade urbana ganha força porque os problemas só aumentam, com a necessidade de as pessoas irem de lado para outro e o estrangulamento das vias públicas. Temos um transporte público que, via de regra, é muito ruim, muito caro, não inclusivo e que não é atrativo para a maioria da população”, observa. Com tantos problemas, acrescenta Lucas, não é de se estranhar que tenham crescido as alternativas clandestinas, entre elas a do mototáxi. Para o especialista, há necessidade de o Estado brasileiro ter a capacidade de gerenciar e produzir um transporte público de mais qualidade. Neste sentido, Eduardo Lucas defende a desoneração da tarifa do transporte público coletivo. O assunto já é discutido inclusive no governo federal, que estuda subsídio a alguns componentes que integram a planilha de custos da passagem dos ônibus. Transporte inteiramente urbano no Vale do AçoO presidente do Fórum Mineiro de Transporte e Trânsito, Galba Gomes, destaca que o transporte coletivo em aglomerados tem, por natureza, característica urbana e deve atender a quesitos como gerenciamento conjunto dos municípios envolvidos e tarifa unificada. Para viabilizar a proposta, pontua Galba Gomes, será preciso agilizar a implantação dos órgãos gestores da Região Metropolitana do Vale do Aço. O gerenciamento conjunto do sistema de transporte urbano precisa de um consórcio, cuja formação depende unicamente de vontade política das três cidades da região”, destacou Galba Gomes.Segundo o secretário, a presença dos prefeitos de Ipatinga, Timóteo e Coronel Fabriciano no 50º Fórum de Transporte e Trânsito é a demonstração da disposição dos atuais prefeitos em dar novo rumo à RMVA.Sobre a polêmica do mototáxi, Galba Gomes explicou que o Fórum firmou posicionamento alinhado à Associação Nacional de Transporte Público e à Frente Nacional de Prefeitos, contrárias à regulamentação do mototáxi. O Fórum apresentou exemplos de regulamentação que não funcionaram, como em Araxá e Governador Valadares. Na cidade do Vale do Rio Doce, a previsão era que a cidade tivesse 450 motocicletas credenciadas para o serviço de motofrete e mototáxi, mas a situação fugiu ao controle e a estimativa hoje é de mais de mil motociclistas na atividade, sem credenciamento.Ao aprovar a lei da profissão do mototaxista, o Senado arrumou um problema para os municípios, por isso queremos o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei, porque a moto não é um veículo apropriado para o transporte de passageiros”, conclui Galba Gomes.
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