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30 de agosto, de 2009 | 00:00

Políticas públicas esperam iniciativa

RMVA só sairá do papel com decisão de prefeitos, afirma pesquisador

Fotos: Wôlmer Ezequiel


Para especialista, desafios urbanos de Ipatinga e das demais cidades da Região Metropolitana exigem decisões corajosas e integradas
IPATINGA – Instituída há 11 anos, a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) ainda precisa definir o seu sistema de gestão, para permitir que sejam aplicadas soluções conjuntas a demandas semelhantes no aglomerado formado por quatro cidades (Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso). O assunto foi tratado na quinta-feira, 27, pelo diretor da Agência Metropolitana da Região Metropolitana de Belo Horizonte, José Osvaldo Lasmar, um antigo pesquisador da situação socioeconômica do Vale do Aço. Lasmar veio a Ipatinga para falar sobre gestão do transporte público e trânsito nos aglomerados urbanos, no 50º Fórum Mineiro de Gerenciadores de Transporte e Trânsito, encerrado na sexta-feira, 28. O professor lembra que há três anos foi disponibilizado um acervo técnico a respeito das políticas públicas necessárias para a região, envolvendo saneamento ambiental, preservação ambiental, gestão de resíduos sólidos urbanos e transporte e trânsito.O estudo “Região Metropolitana do Vale do Aço - Agenda Metropolitana 2020”, concluído em 2006 pela Fundação João Pinheiro, é uma ferramenta para o planejamento integrado do Vale do Aço. A prática das ações previstas, no entanto, explica o professor Lasmar, depende da implantação da gestão da RMVA. Para funcionar, a RMVA precisa de um Conselho, um Fundo e uma Agência Metropolitana, que até hoje não saíram do discurso.Em relação ao Conselho Deliberativo Metropolitano, Lasmar explica que o órgão foi instituído em 2007, na Conferência Metropolitana. No entanto, não saiu do papel por causa de divergências entre prefeitos de legendas partidárias divergentes no mandato passado.Quanto ao Fundo de Desenvolvimento Metropolitano, José Lasmar explica que o órgão deverá ser financiado com recursos do Estado e contrapartida dos municípios que integram o núcleo metropolitano: Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso - em breve, Belo Oriente e Ipaba poderão ser incluídos na RMVA. EstadualizaçãoJá em relação à Agência Metropolitana, Lasmar confirma que há uma discussão sobre a possibilidade de a entidade similar de Belo Horizonte assumir abrangência estadual, com duas superintendências, uma para a capital e outra para o Vale do Aço. Questionado sobre o futuro da RMVA, José Lasmar explicou que os formadores de opinião e os fomentadores do desenvolvimento, investidores e cidadãos do Vale do Aço devem centralizar as atenções em torno do Plano Diretor Metropolitano. “Após a definição da gestão da RMVA, esse plano precisa atacar problemas relacionados às funções públicas de interesse comum: sistema viário, transporte público, preservação ambiental, saneamento básico, cartografia e indicadores além da gestão integrada da saúde”, explica.

Lasmar: “opção por modelo de transporte congestiona cidades e rodovias”
Trem metropolitano para diversificar transporteEspecificamente sobre o transporte coletivo do Vale do Aço, José Lasmar foi incisivo ao afirmar que a região, ainda em crescimento, tem a oportunidade de evitar os erros cometidos no sistema de transporte na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a única entre as principais do país ainda sem a unificação tarifária. “Será que nós queremos esse mesmo cenário para o Vale do Aço, com o usuário de coletivos pagando várias passagens para se deslocar de Timóteo para ir ao Unileste estudar, para chegar de Mesquita, Ipaba ou Belo Oriente?”, questiona.Neste sentido, Lasmar afirma que não se trata de um despropósito pensar na necessidade do transporte ferroviário metropolitano no Vale do Aço. Segundo o professor, a capital mineira também é uma das mais atrasadas em termos de modais de transporte. Lasmar explica que os habitantes dos grandes aglomerados urbanos não podem se deslocar só de ônibus, mas também a pé, de bicicleta, carro, moto, barco e ferrovia. Para isso, os municípios precisam diversificar os modais de transporte. “Quando fixamos obsessivamente o transporte coletivo sobre rodas, temos um núcleo urbano congestionado, com a disputa entre carros e ônibus”, alerta.Alex Ferreira
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