04 de setembro, de 2009 | 00:00
Burocracia atrasa remédio contra gripe suína
Infectologista diz em Ipatinga que formulários atrasam atendimento nos hospitais.
Thaís Dutra
Aloísio Benvindo mostra o extenso protocolo de informações exigido pela Secretaria de Estado de Saúde para liberar o Tamiflu
IPATINGA - A burocracia no processo de liberação do medicamento indicado para pacientes com suspeita de Gripe A o Tamiflu, cuja sustância ativa é o Oseltamivir tem gerado reclamações entre os médicos do Vale do Aço. Referência no ramo da infectologia no país, o médico Aloísio Benvindo disse ontem, em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, que o protocolo de informações exigido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) para que o paciente tenha acesso à medicação tem tornado ainda mais moroso o atendimento nos prontos-socorros e hospitais da região. O motivo? A existência de cerca de 100 quesitos, distribuídos em dois questionários, para serem respondidos pelo médico. No caso de gestantes, deve ser anexado ainda aos documentos um Termo de Consentimento. Conforme o especialista, as perguntas muitas delas repetitivas fazem com que os profissionais fiquem pelo menos 30 minutos preenchendo o protocolo de cada paciente, o que causa grande ansiedade nos corredores nos hospitais, gerando, muitas vezes, um clima de hostilidade. Os prontos-socorros já ficam naturalmente cheios e, com o pânico trazido pela pandemia da Gripe A, a superlotação tem sido inevitável. A maioria dos pacientes não entende quando vê algum médico agarrado por muito tempo em papeladas”, comentou, lembrando que, na última semana, uma colega de profissão chegou a ser agredida por um paciente exaltado.Exemplo Segundo o infectologista, a burocracia é desnecessária, acrescentando que, no Estado de São Paulo, uma única folha, e mais a cópia da receita do médico, é o suficiente para liberar a medicação. Entrei em contato com colegas que trabalham lá e fiquei surpreso com a simplicidade do documento que eles preenchem. É uma única página com as informações básicas”, resumiu. Aloísio Benvindo disse ainda que já entrou em contato com o diretor da Gerência Regional de Saúde (GRS), com sede em Coronel Fabriciano, Anchieta Poggiali, por pelo menos três vezes. No entanto, nada foi feito, até o momento, para solucionar o problema.Simplificação em andamentoProcurado pelo DIÁRIO DO AÇO, o diretor da GRS, Anchieta Poggiali, informou que já entrou em contato com o Comitê Estadual de Enfrentamento à Influenza A, da Secretaria de Estado de Saúde, e que uma reformulação no protocolo está em fase de processamento. Contudo, apesar de admitir que a quantidade de informações relativas ao paciente possa ser reduzida, Anchieta chamou atenção para a necessidade do protocolo. Precisamos saber quem está recebendo o medicamento, porque o Tamiflu não está disponível para qualquer cidadão”, justificou o diretor da GRS.Viroses perdem força com tempo quenteO infectologista Aloísio Benvindo disse que já sente, em seu consultório, uma diminuição dos casos de Gripe A. De acordo com ele, com a chegada do tempo quente muitas viroses perdem força, incluindo a causada pelo vírus H1N1. ”Como no calor há menos aglomeração, os vírus acabam circulando menos”, esclarece.O especialista chama atenção ainda para a manutenção dos cuidados, como lavar as mãos com água e sabão frequentemente e evitar aglomerações, mas reforça que não há razão para pânico. Muitas pessoas já tiveram a Gripe A e nem sabem. Isso porque os organismos reagem de forma diferente”, explicou Aloísio Benvindo. Thaís DutraLeia mais:
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