05 de setembro, de 2009 | 00:00

Ponte da vergonha

Motoristas revoltados com descaso na BR-259 em Aimorés.

Fotos: Robson Almeida


Resultado de descaso em ponte
AIMORÉS – Uma licitação aberta recentemente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prevê a construção de uma nova ponte sobre o rio Manhuaçu, na BR-259, entre os municípios de Itueta e Aimorés. A ponte é uma das poucas opções de ligação do Leste de Minas Gerais ao Espírito Santo e está em situação precária há muitos anos. Construída para o tráfego de trens da antiga Vale do Rio Doce, a ponte foi adaptada com um piso de pranchões para a passagem precária de carros.  Na quinta-feira à tarde, quem trafegava pela BR-259 ficou mais uma vez refém da precariedade da ponte. Uma carreta bitrem carregada com dois blocos de granito, pesando 54 toneladas, agarrou no meio da travessia da ponte quando três rodas afundaram entre os pranchões e estouraram os pneus. O trânsito parou por mais de três horas e uma fila de 15 quilômetros formou-se nos dois sentidos. Entre os veículos retidos no congestionamento muitos eram de pessoas do Vale do Aço que trafegavam sentido Colatina/Vitória ou que retornavam para o Vale do Aço. Diariamente, cerca de 2 mil veículos transitam pelo local.

Milton: “Risco de desabar”
O motorista do caminhão, Luiz Tomaz de Oliveira, de Castelo (ES), transportava as pedras para o Mato Grosso do Sul. Revoltado com os prejuízos estimados em R$ 4.200, que poderia ter que arcar com a empresa proprietária da carreta, mas sem comentar sua infração de passar com peso acima do permitido pela ponte, o motorista reclamou dos três dias que ficaria parado para reparar os estragos.RevoltaMilton Mendes Junior, de Governador Valadares, conta que passa constantemente pela ponte de Aimorés com uma carga frigorífica. Com um histórico de acidentes, paralisações no local e riscos de desabar, o motorista afirma que falta ao governo interesse em resolver a construção de uma nova ponte. “Vivo essa situação há seis anos. Quando chove, o caminhão passa sobre a ponte deslizando de um lado para outro”, explica. Outro motorista, Wanderson da Silva Pio, explicou que é comum os caminhões estragarem sobre a ponte. O motorista disse que já perdeu as contas de quantas vezes em que o tráfego ficou interrompido. “É uma vergonha, pelo tanto de impostos que a gente tem que pagar e ter em troca um serviço como esse aqui, humilhante”, reclamou.

Wanderson: “É uma vergonha”
Dnit admite falha na fiscalizaçãoUma liminar da Justiça Federal obriga o Dnit a recuperar a ponte em caráter emergencial no prazo de 30 dias. Por causa da precariedade, a ponte teve limitada em 20 toneladas o peso máximo dos veículos de carga. No entanto, no acidente de quinta-feira à tarde a carga ultrapassava o dobro desse limite: 54 toneladas. Em Governador Valadares, o supervisor do Dnit, Ricardo Freitas, informou que o Dnit nada pode fazer, além de esperar a conclusão do edital para a construção da nova ponte. Já sobre uma eventual reforma da atual ponte a decisão depende da Superintendência Regional, em Belo Horizonte, para onde já foi encaminhado o pedido. “Mas, como houve a ação da Justiça Federal, o caso está no departamento jurídico”, explicou. Ainda segundo o supervisor do Dnit os motoristas que descumprem o limite de tonelagem sobre a ponte são os maiores responsáveis pelos transtornos como o de anteontem. “A partir do momento em que colocamos as placas com a limitação em 20 toneladas a Polícia Militar Rodoviária é quem deveria fiscalizar e multar os infratores”, conclui. O que já foi publicado:Obra em caráter de emergência
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