05 de setembro, de 2009 | 00:00
Filtros biológicos para melhorar ETE
Copasa espera aceitação de ETE em Fabriciano após adaptação em projeto
VITÓRIA - Apresentado como solução para a convivência de uma estação de tratamento de esgoto com a área urbana, um projeto da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) usa tecnologia importada da França e custa cerca de R$ 40 milhões, mais do dobro de todo o sistema de captação e tratamento previsto pela Copasa para Coronel Fabriciano. Defendida como o modelo ideal para reduzir transtornos aos moradores dos bairros Santa Terezinha e condomínio Aldeia do Lago, a moderna ETE de Vitória funciona a 50 metros do bairro Joana D´Arc e trata 220 litros de esgoto por segundo. No local existe também uma jazida de argila usada pelas integrantes da Associação das Mulheres Paneleiras de Vitória, que produzem as famosas panelas de barro para cozimento da moqueca capixaba. O analista de sistemas de saneamento da Cesan, Dalton Ramaldes, explica que foi grande a resistência para a instalação da ETE no local. Para mudar o quadro, Dalton explica que a saída foi trabalhar com muita informação junto aos moradores, apresentar projetos de ETEs em funcionamento e garantir a transparência nas discussões. O sistema foi apresentado na quinta-feira a uma comissão de jornalistas e líderes comunitários, levada para conhecer a ETE a convite da Copasa. Ramaldes iniciou a explanação sobre a ETE Vitória afirmando que o tratamento de esgoto das cidades é um grande desafio, a começar com o fato de todos defenderem o tratamento do esgoto, mas ninguém querer a ETE perto de sua casa. Na ETE Vitória funciona um modelo de tratamento do esgoto chamado de Processo de lodos ativados” que garante uma média de 92% de purificação da água que chega com o esgoto. Com custos elevados em relação ao que é comum se fazer em termos de construção e manutenção do tratamento de esgoto em Minas Gerais, a ETE Vitória é uma das mais eficientes, mas foi uma exigência dos órgãos ambientais para retirar da baía o esgoto lançado por cerca de 160 mil moradores da capital capixaba. Entre os recursos tecnológicos usados está até uma esterilizadora, com raio ultravioleta, para evitar que micro-organismos sobreviventes ao tratamento vazem para a baía. Em Minas Gerais, no entanto, a legislação em vigor permite que a Copasa opere ETEs de custos menores mas que garantam em torno de 70% de purificação, como é o caso do projeto previsto para Coronel Fabriciano. FiltrosAo fim da visita na quinta-feira, o diretor operacional Leste da Copasa, Valério Máximo, afirmou à comissão que o objetivo da viagem foi mostrar aos comunicadores as tecnologias disponíveis para as ETEs. Questionado sobre a possibilidade de implantar um sistema semelhante ao de Vitória para o tratamento de esgoto no Vale do Aço, o diretor explicou que há problemas orçamentários. Se aplicássemos valores excessivos em uma só cidade faltariam recursos para investimentos em outras localidades. Atendemos ao que exige a legislação e nos preparamos para o ajuste a eventuais mudanças legais. Se futuramente a legislação exigir para as estações de Minas Gerais um índice maior de purificação, vamos nos adequar”, frisou. No caso da ETE em Ipatinga, projetada e instalada há uma década, a atualização com investimentos de R$ 2,6 milhões, em fase de conclusão, vai reduzir a emissão de odores gerados por gases no processo de reatores anaeróbios. Os filtros biológicos recebem e purificam os gases captados nos reatores, grandes caixas onde o esgoto fermenta” antes de ter separados os resíduos sólidos da parte líquida. O gás metano é queimado ainda sobre os tanques depuradores e o gás sulfídrico, o que mais fede, é levado para os filtros.Também no projeto da ETE proposta para Coronel Fabriciano o projeto prevê a instalação dos filtros biológicos para reduzir os impactos dos odores na vizinhança, explica Valério Máximo: Como a ETE será construída a uma distância de 200 metros do bairro mais próximo, esperamos que os impactos sejam os menores possíveis”, destacou. A ETE terá capacidade para tratar 120 litros de esgoto por segundo e custará R$ 8 milhões. Comissão analisa adaptaçãoO presidente da Associação de Moradores do bairro Santa Terezinha, Marcos Antônio de Carvalho, que acompanhou a visita técnica às estações de tratamento de esgoto da Cesan, confirmou que a comissão de moradores do condomínio Aldeia do Lago deverá se reunir nos próximos dias para decidir os encaminhamentos a serem tomados no caso. A comissão é composta pelo líder comunitário do Santa Terzinha e mais quatro moradores do condomínio. A avaliação preliminar do presidente é que não há como tratar esgoto sem gerar algum tipo de incômodo para a população. Levar a ETE para as margens da BR-381, entre os bairros Mangueiras e o Santa Terezinha, vai custar R$ 5 milhões a mais e economizar na construção da ETE do próprio Amaro Lanari. Queremos voltar a discutir esse assunto”, frisou Marcos Antônio.Leia mais:Saída técnica para ETE
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