12 de setembro, de 2009 | 00:00

Aquecimento global

Fórum discute elaboração de planos para conter mudanças no clima

Wôlmer Ezequiel


Conforme ambientalista, uma seca no rio Doce traria imensos prejuízos econômicos à região
IPATINGA – Com a presença de pesquisadores, estudantes, profissionais da área ambiental, lideranças políticas e representantes da sociedade, foi aberto na noite de ontem, no Centro de Treinamento de Pessoal da Usiminas (CDP), o 3º Fórum Regional de Mudanças Climáticas – Riscos, necessidades e emergências para um planeta em crise. O evento tem como proposta a discussão das mudanças no clima do planeta e também das estratégias que devem ser adotadas pela sociedade e seus representantes para enfrentá-las.Na abertura do encontro, o diretor de meio ambiente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Aroudo Mota, tratou do tema: “Mudanças Climáticas: oportunidades e desafios para a construção de uma nova economia”. Já neste sábado (12), das 8h às 18h, estão previstas, entre outras atividades, palestras, grupos de trabalho e mesas- redondas.ProtocoloNesta edição do Fórum, ocorrerá ainda uma ação de grande importância para toda a sociedade: a assinatura do Protocolo de Intenções por representantes políticos do Leste de Minas. O acordo visa a criação de Políticas Municipais de Mudanças Climáticas no Leste do Estado.Conforme o ambientalista e coordenador do Fórum, Eddy Willian Melo Soares, muitas regiões do país já estão mobilizadas na luta contra os problemas ambientais, e é necessário que o Vale do Aço e as demais cidades do Leste do Estado também assumam a linha de frente do movimento. Soares destaca, no entanto, que o objetivo do protocolo não é tentar solucionar a questão do aquecimento global, mas traçar planos para os municípios enfrentarem as consequências negativas dessa alteração. “Entre os especialistas, já há consenso de que não é possível frear o aquecimento global. Ele é uma realidade e continuará acontecendo. O que devemos fazer é tentar retardá-lo e pensar em como lidaremos com as consequências dele”, enfatiza Eddy Willian. Foram convidados para selar o acordo os prefeitos Robson Gomes (Ipatinga), Chico Simões (Coronel Fabriciano), Geraldo Hilário (Timóteo), Joaquim Corrêa de Melo (Santana do Paraíso), Ademir Siman (Açucena), José Euler (Mesquita), João Bosco (Caratinga) e Elisa Costa (Governador Valadares). E ainda outras autoridades como os deputados Alexandre Silveira (Comissão de Viação e Transporte), Leonardo Monteiro (Comissão de Meio Ambiente), Cecília Ferramenta (Comissão Cipe Rio Doce), entre outros.ProgramaçãoOs participantes do Fórum vão conferir hoje palestras com Odair Santos Junior, do Instituto Águas da Terra e delegado do Brasil na Conferência da ONU sobre Mudanças do Clima; Henrique Pereira, diretor de projetos de carbono da MundusCarbo Soluções Ambientais; Artur Paiva, da diretoria de assuntos Florestais da ONG Conservation International; Dayan Diniz do Centro de Pesquisas Meteorológicas do ClimAgora, entre outros.Mudanças climáticas: um problema socioeconômicoDe acordo com o ambientalista Eddy Willian Melo Soares, ao contrário do que pensam muitas pessoas, o aquecimento global não é apenas uma questão ambiental. Trata-se de um problema socioeconômico, haja vista que seus efeitos atingem diretamente a economia e a sociedade. O ambientalista observa que, no Vale do Aço, alguns efeitos da alteração climática já podem ser sentidos. “Temos temperaturas cada vez mais elevadas, o que é preocupante. Além disso, já enfrentamos congestionamentos constantes no trânsito. E carro parado é perda de gasolina. Por consequência, temos maior quantidade de gás carbônico na atmosfera e uma contribuição para o aquecimento do planeta”, comenta.Outro efeito do aumento da quantidade de gases no ambiente, segundo Soares, é a formação de ilhas de calor nas cidades. “A tendência é que o centro das cidades fique cada vez mais quente”, analisa.Ainda conforme o ambientalista, as alterações climáticas na região são capazes de gerar diversos prejuízos para as empresas. Por isso, a necessidade de traçar estratégias. “Se o rio Doce passar por um período de seca, por exemplo, as empresas ficarão sem água e precisarão de um plano para contornar o problema. O protocolo dará início a esse processo de criação de políticas municipais”, conclui Eddy Willian.
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