30 de setembro, de 2009 | 00:00
Bate-boca e resistência
Câmara apaga a luz e não vota projeto autorizativo para o Parque Linear. População cercou a Câmara e pediu votação.
FABRICIANO Um plenário lotado, em que centenas de pessoas se espremiam entre cadeiras, calor, gritaria, cartazes que traziam frases como Quem manda é a vereadora ou o marido?”, Quem vota é o vereador ou o assessor?”, assessores que ao invés de guardarem o patrimônio público agitavam mais ainda a confusão e seguranças vestidos com camisas da Polícia Civil que vigiavam cada passo da imprensa. Esse foi o clima de reunião ordinária ocorrida ontem à noite na Câmara de Coronel Fabriciano, que durou apenas dez minutos.Assim que o primeiro vereador, Marcos da Luz (PT), pediu a palavra e iniciou a leitura do requerimento para a reapresentação do projeto autorizativo do Parque Linear, surgiu um princípio de gritaria do lado de fora do plenário e a presidente Andréia Botelho (PSL) decidiu suspender a reunião por 30 minutos. Antes de deixar a mesa, com os microfones já desligados, considerou encerrados os trabalhos. Depois de ficar com o projeto em mãos desde o dia 25 de agosto, a mesa diretora da Casa devolveu o documento na tarde de segunda-feira, o que coloca em risco o fechamento de um contrato com a Caixa Econômica Federal para o financiamento do Parque Linear. O que se seguiu após a suspensão da reunião foi uma grande gritaria entre os populares que lotavam as dependências do Legislativo. Entre as manifestações contrárias ao projeto, muitas eram feitas por servidores da Casa ou dos gabinetes dos vereadores. As luzes e aparelhos de ar-condicionado foram desligados. Na escuridão e no calor, o povo protestou, mas permaneceu no local. A confusão toda era por causa do projeto que pede autorização para que o governo municipal contrate empréstimo de R$ 33,250 milhões junto ao governo federal para a construção do Parque Linear, um projeto que vai urbanizar as margens do ribeirão Caladão, criar áreas de lazer, esporte e cultura e áreas de espraiamento da água das cheias do ribeirão Caladão.EscoltaOito policiais militares do Tático Móvel, em duas viaturas, foram mobilizados para garantir a segurança. Um dos policiais, do lado de fora, estava armado com um fuzil. No entanto, sem efetuar qualquer prisão, os policiais tiveram apenas que escoltar alguns vereadores. O secretário da mesa diretora, José Cleres, teve que sair escoltado pela PM, assim como o assessor jurídico Vani Medeiros e as assessoras da presidente da Casa, que deixou o Legislativo por volta das 20h30.Faltou quem recebesse o protocoloEnquanto a situação ficava tensa no plenário, onde a população estava sem saber se a votação iria ou não ter prosseguimento, no segundo piso, em frente à sala da presidente do Legislativo, Andréia Botelho (PSL), os vereadores Marcos da Luz, Djalma Eugênio, Vanderley Cupertino, o Canídia, todos do PT, e Wailson Lima, do PR, tentavam entregar um documento assinado por eles e pelos colegas Adriano Martins (DEM), Luciano Lugão (PSB) e Natalino Moraes (PDT), onde se mostravam favoráveis à autorização para o empréstimo para a construção do Parque Linear.Todos foram impedidos de ir à sala da presidente. Primeiro, o procurador da Câmara Municipal, Vani Medeiros, não quis receber o documento. Já a secretária da presidente disse que não tinha autorização para tal. Por fim, o segurança da Casa, José de Matos, o Zezé, ao lado do sargento da Polícia Militar, Valdair Ferreira, impediu que os vereadores entrassem na sala da presidente para entregar o ofício. A imprensa também foi impedida de conversar com Andréia Botelho.Quem é quem na discussão do projeto do Parque Linear? A reportagem do DIÁRIO DO AÇO perguntou a cada um dos vereadores como eles entendem e qual a posição em relação ao projeto autorizativo para o empréstimo dos R$ 33,5 milhões, enviado à Câmara de Coronel Fabriciano e depois devolvido.CONTRA:O vice-presidente da Câmara, Francisco Pereira Lemos (PDT), assinou na segunda-feira a justificativa para a devolução do projeto autorizativo do empréstimo do Parque Linear. Reconhece a importância do projeto, mas pondera: Temos prazo até dia 10 para que a administração resolva as pendências técnicas. Se isso for resolvido, voto favorável” O vereador Nivaldo Lagares Pinto, Querubim (PDT), é contra o projeto da forma que foi enviado à Câmara. Sou a favor da ideia do Parque, mas não podemos concordar com o endividamento para outro prefeito e vamos buscar recursos a fundo perdido com as lideranças da nossa região”.O secretário da mesa diretora da Câmara, José Cleres (PSB), disse ontem ser favorável à construção do Parque Linear, mas também assinou a justificativa contra a entrada do projeto autorizativo em pauta, alegando que faltam explicações técnicas sobre o projeto, impactos ambientais e os efeitos da dívida para os próximos governos. A presidente da Câmara, Andréia Botelho (PSL), ficou com o projeto em sua mesa desde o dia 25 de agosto e só na segunda-feira (28) devolveu o documento à administração, alegando pendências técnicas. Ontem à noite, mais uma vez, ela não quis receber a reportagem para fazer qualquer comentário. A FAVOR:O vereador Natalino Moraes (PDT) é a favor do Parque Linear e confirma que se a votação fosse ontem teria seu voto. É bom para a cidade e é bom para o povo. Falta a presidente acatar o pedido e colocar o projeto em tramitação. Acredito que tudo já está muito bem explicado, e se fosse colocado em discussão haveria perfeitas condições de ser votado pelos vereadores”.O vereador Vanderley Cupertino, o Canídia (PT), acredita que a obra demonstra a vontade do povo, pois o povo sabe que vai beneficiar toda a comunidade, especialmente do Melo Viana e proximidades. Ela representa o fim das enchentes, das inundações. Todo mundo sabe o quanto é perigoso o trânsito em alguns pontos da cidade, e isso só terá a trazer benefícios”.A principal avaliação do vereador Marcos da Luz (PT) é a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Melhoria no trânsito, transporte, saúde pública, desenvolvimento social e econômico, e possibilita o incremento do comércio na cidade, a instalação de novos negócios e a dimensão ambiental, já que esse projeto trata da drenagem, captação de águas de chuva e recuperação de encostas, entre outros.O vereador Adriano Martins (DEM) também apoia a aprovação do projeto. Trata-se de uma obra excelente e vamos votar favorável a ela para tentar fazer a cidade voltar a crescer, com saúde e segurança”.O vereador Djalma Eugênio (PT) afirma que é uma oportunidade única que a cidade tem de conquistar um recurso para alavancar o progresso, que certamente vai trazer benefícios não vistos há mais de 30 anos. Não querer aprovar um projeto como esse é se preocupar apenas com o poder político e se esquecer que nós fomos eleitos para fazer a vontade popular”.Para o vereador Luciano Lugão (PSB), a Câmara precisa olhar para o futuro e entender o projeto. Sou da oposição, mas entendo o desejo da cidade e denoto isso com o meu voto a favor do Parque Linear. Acredito que devemos evoluir e buscar parcerias. Existem arestas ainda não aparadas e isso ainda traz prejuízos para a população”.Também favorável ao projeto, Wailson Lima (PR) afirma: Essa é uma oportunidade única para Fabriciano. A cidade não pode perder esse projeto por questões eleitoreiras, como está se desenhando. A eleição já passou, mas as pessoas estão pensando lá na frente. Estamos diante de uma discussão popular e o povo quer esse projeto”.Leia mais:Politicagem ameaça Parque Linear
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