10 de outubro, de 2009 | 00:00

Faltam leitos hospitalares

Situação se agrava com demanda crescente de municípios vizinhos ao Vale do Aço

Wôlmer Ezequiel


Beronize e a neta, Cléria: via sacra atrás de vaga para cirurgia
IPATINGA – A carência de leitos hospitalares no Vale do Aço tem agravado o quadro de atendimentos nas instituições da região, principalmente para os casos de cirurgias eletivas, aquelas de menor complexidade. Que o diga Cléria Ramos, moradora do bairro Veneza, que recentemente transitou de um lado para outro com a avó, Beronize Sathler, 78 anos, à espera de vaga para uma cirurgia. Segundo Cléria, foi preciso acionar o Conselho Municipal do Idoso para que fosse liberado o atendimento pelo Sistema Único de Saúde. A situação vivida pela paciente, no entanto, não é novidade, segundo explica o médico Jailson Tótola, assessor da área de Clínica Cirúrgica do Hospital Márcio Cunha, instituição que dedica atualmente 70% de seu atendimento para pacientes do SUS.  Segundo o profissional, há carência de vagas para cirurgia eletiva na maioria dos hospitais da região. O médico explica que eletiva é aquela cirurgia programada. Não são casos de urgência e, justamente por isso, entram na fila de espera do SUS. “Ocorre que o Hospital Márcio Cunha, por exemplo, atende casos de urgência de vários municípios e essa demanda ocupa grande parte da capacidade de atendimento. O SUS, que regula os leitos, suspende os casos eletivos para priorizar as urgências, e aí acontecem casos como esse relatado pela paciente Berenize Sathler. Às vezes, o sistema autoriza e não há o leito para o atendimento”, detalha o médico.Segundo Tótola, nenhum hospital pode rejeitar casos de urgência e, por isso, há dias em que todos os leitos estão ocupados, inclusive na Unidade II do HMC, e alguns pacientes chegam a ficar nas macas. Já nos casos eletivos, há situações em que a cirurgia é programada no bloco, emitida a guia e, na hora da intervenção, fica constatado que não há vagas, porque elas foram tomadas por casos que deram entrada na emergência. “Só nos resta voltar os pacientes das cirurgias eletivas”, reconhece o médico.Além disso, o atendimento de pacientes idosos, acima de 65 anos, cardíacos, diabéticos e com outros complicadores, precisam ter o suporte na unidade principal do HMC. Segundo Tótola, os pacientes de risco maior não são atendidos na Unidade II, esclarece o médico.
Alex Ferreira


Márcio Cunha: referência seria suficiente para demanda somente de Ipatinga
Índice é três vezes abaixo do necessárioA soma dos leitos dos hospitais Vital Brazil, em Timóteo (77), Siderúrgica, em Coronel Fabriciano (86), Márcio Cunha (450) e Municipal de Ipatinga (80), chega a 693. Para uma região cuja população é estimada em cerca de 500 mil habitantes, só nas quatro cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço o índice é de 1,3 leito para cada grupo de mil habitantes. O número é quase três vezes menor que o mínimo recomendado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê, como ideal, o índice de 2,5 a 3 leitos para cada grupo de mil habitantes. O índice será menor ainda se for acrescentada à proporcionalidade a demanda da população de dezenas de municípios no entorno do Vale do Aço.O resultado dessa disparidade entre demanda e oferta de leitos hospitalares no Vale do Aço é a dificuldade crescente da população para conseguir atendimento de urgência, emergência e, agora, até para os chamados casos eletivos. Para uma cidade como Ipatinga, observa o médico Jailson Tótola, onde só o Hospital Márcio Cunha disponibiliza 450 leitos nas unidades I e II, a estrutura que encontra suporte no trabalho de 90 cirurgiões de todas as áreas, da pediatria à ginecologia, seria suficiente. Mas o problema é a demanda regional crescente, que faz levar à sobrecarga.Alex Ferreira
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