27 de novembro, de 2009 | 00:00
Tecnologia x educação
Lei proíbe uso de eletroportáteis nas salas de aula em Timóteo
Fotos: Polliane Torres
Apesar da proibição, ainda é comum encontrar estudantes com celular nas salas de aula
TIMÓTEO Com o avanço da tecnologia, virou rotina o uso de aparelhos celulares e outros portáteis nas salas de aula. No entanto, essa prática não agrada em nada os educadores, que travam uma guerra diária para tentar coibir o uso de equipamentos durante as aulas. Em grande parte das instituições de ensino os celulares já são vetados, a contragosto dos alunos. Agora, os educadores do município de Timóteo terão respaldo legal para controlar os apetrechos tecnológicos. É que foi aprovada na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 3.338, de autoria do vereador Willian Salim (PPS), que prevê a proibição do uso de celular e outros aparelhos na rede municipal de educação, durante as aulas. A lei aguarda sanção do Executivo, mas o assunto já causa repercussão entre estudantes e educadores. No Instituto Municipal de Educação Técnica de Timóteo (Imett), o celular é motivo de dor de cabeça para professores e direção. A diretora da escola, Rosely Miranda, determinou a proibição de celulares. Já proibimos, mas não tem como manter o controle absoluto. Não temos poder de polícia para vasculhar as mochilas e recolher os aparelhos”, afirma a diretora.Apesar do reforço da lei municipal, Rosely Miranda acredita que esse respaldo legal não vai resolver o problema, cujo cerne está na família. Os pais acham bacana inserir os filhos no mundo da tecnologia. Gostam de ofertar isso às crianças como moeda de troca pelo fato de não estar presentes o tempo todo. Acho que a lei não vai garantir muitas mudanças. O que deve mudar é a mentalidade dos pais. O fato a ser considerado é que os aparelhos não colaboram em nada na aprendizagem”, critica a diretora. Dispersão Ainda de acordo com Rosely Miranda, a infinidade de recursos dos aparelhos facilita a dispersão dos alunos. No meio da aula vemos, às vezes, alunos com fone de ouvido. Ele não vai absorver o conteúdo porque obviamente a música que ele gosta é mais atrativa do que a voz do professor. A família deve garantir que eles não tragam esses brinquedinhos pra escola”, ressaltou a diretora.
Matheus garante que mantém o celular desligado no horário de aula
Bolsa CelularRosely Miranda lembrou ainda que a proposta em estudo pelo governo federal do programa Bolsa Celular” pode agravar ainda mais esse problema. Trata-se de uma iniciativa do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de distribuir aparelho celular para cada família beneficiada pelo programa Bolsa Família. Se o governo bolsista dá o celular, quem sou eu para proibir o uso na escola. É muito difícil”, comentou a diretora. Lei divide opiniões de alunosCom o celular em mãos, os alunos fazem de tudo. Ouvem música, filmam, fotografam atividades na escola e fazem ligações. Um exemplo é quando acontece algum pequeno acidente na escola, conforme relatou Rosely Miranda. Às vezes, se o aluno machucou um dedo, ele liga para a mãe, que chega na escola antes mesmo de a gente saber do fato”, revelou a diretora. A estudante da 6ª série Débora Pedroso Rocha, 13 anos, não leva celular para a escola porque sua mãe não deixa. Mas ela não é contra o uso do aparelho no ambiente escolar. Acho que, se souber usar, ele é muito útil. Mas aqueles que ficam com o celular dentro da sala atrapalham muito a aula”, admitiu. O colega de série Matheus Barretos, 13 anos, leva o celular para a escola mas garante que não usa o aparelho de maneira abusiva. Na hora da aula ele fica desligado. Acho que professores têm que tomar de quem usa em hora imprópria. Mas ele é muito bom para os momentos de intervalo”, afirma o estudante. Matheus conta que tem dois aparelhos, mas diz que nunca precisou usá-los na escola para fazer uma ligação. Só uso pra ouvir música”, concluiu.Polliane Torres
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