USIMINAS RECURSO 728X90

27 de novembro, de 2009 | 00:00

O casamento é uma instituição falida?

Dirigentes da pastoral que prepara noivos avaliam pesquisa que mostra queda no índice de casamentos no Vale do Aço

Roberto Bertozi


Edward e Penha: casados há 31 anos e há cinco atuando na preparação de noivos
FABRICIANO – Recente estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que os casamentos diminuíram em todo o Vale do Aço. Em números absolutos, em 2008 foram 68 enlaces matrimoniais a menos que o ano anterior.
Se para muitos os dados podem interpretar simplesmente a falta de interesse por aquilo que os mais céticos chamam de “instituição falida”, para o casal Edward Cardoso Alves, de 55 anos, e Maria da Penha Alves, 52, que atuam na Pastoral da Família da Paróquia São Sebastião, em Coronel Fabriciano, representa a falta de preparação que os noivos deveriam ter antes do casamento.Na avaliação deles, que coordenam o curso de preparação de noivos na Paróquia, ainda existem muitos casais que veem o casamento como um verdadeiro mar de rosas, sem problemas, na suposição de que basta estar juntos para serem felizes para sempre.
Na Igreja Católica, por exemplo, é preciso que os noivos façam um curso preparatório, no qual obtêm a certificação necessária para entrar na igreja.TempoEm algumas paróquias, o curso é feito em apenas um dia, geralmente num domingo, quando os noivos se reúnem, acompanham uma palestra e escutam casais experientes falarem sobre a convivência a dois.
Não tem funcionado muito, tanto que a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano estuda adotar, em todas as paróquias, o método de acolhimento. Ele funciona da seguinte forma: primeiro acontece uma acolhida na paróquia, quando todos os noivos trocam experiência com casais de maior conhecimento. Falam de tudo, desde a forma como se conheceram, o tempo de namoro, o que esperam do casamento. Num segundo momento, os pretendentes ao matrimônio passam a ter encontros semanais com os casais, normalmente na residência deles. No método do acolhimento, são oito encontros de 2 horas cada um. Ao fim desse tempo, acontece a formatura, quando o casal é considerado apto a se casar.MetodologiaPara Edward Alves, a diferença desse tipo de método é o envolvimento do casal com aquilo que se pretende transmitir. “Um curso de apenas um dia é muito pouco e as pessoas acabam não conhecendo o verdadeiro sentido do casamento.
No acolhimento, os vídeos que mostramos, a troca de experiência, ajudam os casais que, ao decidirem entrar na igreja, estão certos de que será uma decisão para sempre”, resume Edward. Há cinco anos preparando noivos para o matrimônio, Edward conhece casais desistentes do casamento, ao constatarem que o compromisso era bem diferente daquilo que imaginavam. “Mais tarde, alguns desses casais, com uma nova postura, acabam se casando, dentro daquela proposta tida como ideal pela igreja”, pontua.“Se não der certo a gente se separa”Na pesquisa do IBGE, cujos dados regionais foram publicados pelo DIÁRIO DO AÇO na edição de ontem, também ficou evidenciado que o número de divórcios aumentou em 35% no Vale do Aço, considerando as cidades de Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga.
Na avaliação do casal Edward Cardoso e Maria da Penha Alves, esses números mostram a falta de compromisso entre marido e mulher. “Em muitos casos, buscam a separação sem antes procurarem meios para continuarem juntos”, afirmam.Conforme Maria da Penha Alves, é preciso que os noivos levem mais a sério o casamento, tendo como base aquilo que é transmitido nos cursos de preparação e a experiência de casais que estão juntos há mais tempo.
“O casamento, para muitos, é apenas um acontecimento social, em que o fator religião é deixado em segundo plano. Preocupam-se apenas com as festas, as bebidas, o buffet, a magia do momento, e se esquecem da vida a dois, do respeito que deve haver, da cumplicidade e humildade que devem caminhar junto ao matrimônio”, alerta Penha.Segundo ela, é preciso construir uma boa base no namoro, fortalecê-la durante o noivado, para assim ter condições de seguir em frente durante o casamento. “Só assim será possível manter a união com a base de uma sociedade, sem aquela coisa do ‘se não der certo, a gente se separa’. É preciso levar o matrimônio mais a sério”, conclui Penha.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário