16 de janeiro, de 2010 | 16:14
Benefícios mal divulgados
Padrão brasileiro de plugues e tomadas oferece vantagens para usuário, diz especialista
DA REDAÇÃO A novela da mudança da padronização brasileira dos plugues e tomadas começou em 2002, com a norma regulamentadora NBR 14136:2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em 2006, a resolução nº 11 do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro) estabeleceu que fabricantes e comerciantes teriam prazo até dezembro de 2009 para, gradativamente, adaptarem-se à NBR 14136.
Na prática, desde janeiro deste ano, as casas de materiais elétricos só podem comercializar plugues e tomadas de acordo com o novo padrão brasileiro, com três pontos de contato. De acordo com o proprietário da loja Ipalux, em Ipatinga, José Carlos Alvarenga, logo que os novos modelos chegaram ao mercado, no início de 2009, os clientes reclamaram.
Toda mudança gera desconforto. Quando os clientes souberam que a padronização ia mudar, reclamaram. Quem precisa de um adaptador para utilizar novos aparelhos eletrodomésticos também reclama do preço da peça. Uma das marcas mais comercializadas, certificada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), oferece o adaptador por, em média, R$ 10,00. Mas o mercado já dispõe de um plugue de dois pontos que se encaixa nas novas tomadas”, relata José Carlos.
O empresário ainda acrescenta que as tomadas não tiveram um aumento significativo de preço em relação às dos modelos anteriores. O que eu questiono é se os padrões antigos era tão inseguros a ponto de justificar a mudança. Não vi nenhum estudo ou pesquisa sobre isso”, revela José Carlos.
Fim da bagunça e dos riscos
O engenheiro eletricista Wesley Paizante Dornelas explica que o novo padrão brasileiro de plugues e tomadas é mais seguro que os anteriores, e coloca um fim na bagunça de modelos. No Brasil, convivemos com mais de 10 modelos de plugues e tomadas: um tipo para aparelhos de ar refrigerado, outro para máquinas de lavar louça, com formatos cilíndricos e chatos. Ao utilizar adaptadores para ligar os eletrodomésticos, a conexão não ficava perfeita, gerava calor e desperdício de energia”, resume Wesley.
O engenheiro ainda acrescenta que o terceiro pino corresponde ao condutor terra das novas tomadas. A função do condutor terra é evitar pequenos choques elétricos durante a utilização dos eletrodomésticos. E desde a publicação do Decreto Lei 11.337, de 2006, todas as edificações devem ser aterradas, o que garante a segurança oferecida pelas novas tomadas e plugues”, ressalta Wesley.
Aumento dos custos
O engenheiro assegura que as novas edificações não serão encarecidas com esta mudança. A modificação não agregou valores às novas tomadas”, garante. Wesley ainda afirma que a aquisição de novos adaptadores também não vai pesar no bolso dos usuários. Com mais de 10 padrões de plugues e tomadas, já era comum a utilização de adaptadores. Mas o ideal é promover a troca da tomada para se beneficiar da segurança e economia de energia que o novo padrão proporciona”, relembra.
A boa notícia é que, talvez, não seja necessário promover tanta mudança. As dimensões e distâncias entre os furos das novas tomadas permite o encaixe de plugues redondos antigos de mais de 80% dos aparelhos eletro-eletrônicos comercializados no Brasil”, destaca Wesley. A novidade não deve interferir nem nas relações comerciais do Brasil. Cada país tem um padrão diferente, que é adaptado na hora das exportações. O Brasil pode exigir adquirir produtos dentro dos seus padrões de plugues e tomadas”, comenta. Para o engenheiro, a médio e longo prazo a mudança será benéfica para os brasileiros.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















