26 de janeiro, de 2010 | 18:49

Inauguração em tom de campanha

Aécio Neves diz em Caratinga que confia em investimentos da indústria siderúrgica no Vale do Aço. Governador sai em 60 dias e Anastasia assume.

Wolmer Ezequiel


ACEIO CARATINGA

CARATINGA – Em meio a um inevitável clima de campanha eleitoral, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB) desembarcou ontem por volta das 13h30 no aeroporto de Caratinga, para inaugurar a maternidade do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora. Durante rápida entrevista, no aeroporto, o governador falou sobre expectativas de manutenção dos investimentos da Usiminas no Vale do Aço, fez observações sobre o quadro de candidaturas para a disputa para o governo estadual este ano e não perdeu a oportunidade de defender o seu candidato, o vice Antônio Augusto Anastásia.
Aécio Neves afirmou que a administração pública moderna deve ter como objetivo fazer aquilo que atende ao interesse das pessoas independentemente da paternidade, de quem começou. O hospital, em questão, cuja maternidade foi inaugurada ontem, tinha obras iniciadas há 50 anos.
O governador acrescentou que em seu governo o compromisso foi que todas tivessem planejamento e recursos para serem concluídas. “O governo não deixará nenhuma obra inconclusa. Todas as obras que nós julgamos úteis para a população, mesmo as iniciadas em outros governos, estamos concluindo”, frisou.

Aécio Neves também confirmou que, em função de sua pretensão de disputar uma vaga para o Senado Federal, dentro de 60 dias estará fora do governo e passará o cargo para o vice, Antonio Anastásia. Antes de ir a Caratinga ontem, Aécio, o vice, Anastásia, secretários e o deputado federal Alexandre Silveira (PPS) estiveram em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, para inaugurar um novo aeroporto e anunciar outros investimentos.

Disputa
Questionado se a receptividade não o estimulava a mudar de ideia em relação à pretensão de desistir da disputa da presidência da República, Aécio Neves lembrou o seu avô, o presidente Tancredo Neves, para quem, segundo Aécio, a presidência é muito mais do que um projeto, é um destino. “Eu apresentei ao partido uma alternativa, o partido tem outras opções, também viáveis. Cabe a mim, agora, me dedicar a Minas Gerais”, disse.
Aécio Neves também disse que está por terminar o seu mandato com um governo sem denúncia de corrupção, em que não há a pecha de incompetência, de dispersão de esforços. “Minas é reconhecida no Brasil e fora do Brasil, por exemplo, por organismos como o Banco Mundial, como o melhor modelo de gestão”, observou.

 

Benefício direto na
rede de atendimento

 
O diretor regional de Saúde, Anchieta Poggiali, destacou que a inauguração da unidade em Caratinga traz um benefício direto para o atendimento na saúde pública no Vale do Aço, pois a população de muitos municípios do entorno de Caratinga, que têm o Hospital Márcio Cunha e outros hospitais da região como referencia no atendimento em maternidade, UTI e leito neonatal, passam a utilizar o serviço no hospital Nossa Senhora Auxiliadora. “Trabalhamos também para investimentos nos hospitais de Inhapim e de Belo Oriente, para fortalecer ainda mais essa rede hospitalar”, concluiu.
 
A unidade em Caratinga, com 3.500 m2, custou R$ 3,5 milhões, tem capacidade para 145 partos por mês e atenderá à demanda de 14 municípios na microrregião de Caratinga.

 

Confiança nos
investimentos
no Vale do Aço
 

Na entrevista à imprensa Aécio Neves foi questionado também sobre a indefinição em torno do novo aeroporto da Usiminas, considerado indispensável para as obras de expansão da Usiminas. O governador disse que acompanhou os problemas ocorridos, principalmente ambientais, para definição de onde estará instalado o novo aeroporto, mas lembrou que há alternativas em estudo. “A decisão é da empresa, não do Estado. Cabe ao Estado criar as condições para que essa definição venha rapidamente, porque precisamos também dos investimentos da Usiminas em Ipatinga”, afirmou.

Sobre a possibilidade aventada em alguns setores econômicos em Minas Gerais, sobre possível destinação de investimentos em uma nova unidade siderúrgica em São Paulo e não em Minas Gerais, o governador disse que esse assunto está absolutamente descartado.
“Não só pela relação que o governo tem tido, pela parceria que o governo tem tido com a empresa, mas do ponto de vista da logística também. Essa região, aqui é a base fundamental da Usiminas, é aqui que ela irá se expandir, não apenas nessa etapa, mas em outras etapas futuras, porque o setor siderúrgico, pelas perspectivas tanto de crescimento do Brasil, nesse ano e nos próximos anos, quanto de crescimento de mercado internacional, é uma atividade que vai crescer muito”, observou.

 
 
Articulação de
candidaturas
 
A definição dos nomes para a disputa de sua sucessão não ficaram de fora. Sobre a cogitação do PT, de lançar o vice-presidente José Alencar, como candidato ao governo, o Aécio Neves disse que mantém “enorme respeito” por Alencar.
“Mas vamos construir a nossa alternativa e deixar que os mineiros possam optar. Em nosso campo, o candidato será o professor Antonio Anastasia, que antes de ser candidato será governador de Minas Gerais, a partir do dia 30”, informou.
 
O governador acrescentou que por esse motivo o vice o tem acompanhado pelo interior de Minas, pois os compromissos assumidos pelo governo serão cumpridos depois. “Por isso, é extremamente importante a visita e a presença dele em todas as regiões do estado como nós estamos fazendo, sempre com muito cuidado para não infringir a legislação eleitoral, até porque nós não precisamos disso”, concluiu.
 
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