01 de fevereiro, de 2010 | 18:44

Gasolina pode encarecer

Valor por litro já aumentou para os donos de postos de combustível

Wôlmer Ezequiel


ÁLCOOL

IPATINGA – A medida anunciada pelo governo no início de janeiro, que obriga a redução temporária da mistura do etanol anidro na gasolina, de 25 para 20 por cento, pode ter um efeito diferente do desejado, segundo o diretor regional do Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Gustavo Ataíde de Souza.
“O objetivo do governo é tentar evitar um problema de abastecimento e amenizar a disparada do preço do álcool, mas no primeiro dia de vigor da medida a gasolina já saiu cerca de R$ 0,05 mais cara por litro para os proprietários de postos de combustíveis”, revela Gustavo.
O empresário destaca que, no entanto, ainda não sabe se este aumento será repassado ao consumidor durante a validade da medida, que é de 90 dias. Gustavo administra 11 postos de combustíveis, de diferentes bandeiras, e acrescenta que nenhum dos distribuidores sinalizou redução no preço do álcool. “Em conversa informal com os funcionários da distribuidora, fui informado de que não há previsão de queda no valor por litro do biocombustível”, afirma.

Elevação de preço
Segundo Gustavo de Souza, a associação de alguns fatores gerou a elevação do preço do litro do álcool combustível. “A procura por açúcar no mercado internacional e o tempo chuvoso em São Paulo, Estado de maior produção de cana-de-açúcar, reduziu a oferta do álcool combustível, elevando os preços por litro nas bombas”, explica Gustavo.
Para o diretor regional da Minaspetro, caso o preço do álcool não caia, como anteciparam os funcionários das distribuidoras, a medida do governo pode ter até efeito contrário. “Se for viável não repassar o aumento do litro da gasolina com 20% de etanol para o consumidor, os proprietários de veículos não vão voltar a abastecer os carros com álcool. É esperar para ver como o mercado vai se portar”, analisa Gustavo.

Sem prejuízos
De acordo com informações do mecânico Humberto Abreu, não é preciso se preocupar com a “saúde do veículo” com o atual percentual de etanol na gasolina. “As mudanças provocadas serão imperceptíveis para os leigos”, assegura Humberto.
Segundo ele, veículos fabricados antes dos anos 90 terão melhor desempenho com gasolina com 20% de etanol. “É que o motor destes automóveis foi desenvolvido para rodar com gasolina com 15% de etanol e o etanol melhora o desempenho dos veículos”, detalha. Carros fabricados entre os anos 90 e 2000 rodam em condições ideais com gasolina com 20% de etanol. “Para os novos veículos, com motor flex, nada muda”, completa Humberto.
De uma forma geral, o consumo por quilômetro rodado diminuirá, o desempenho do automóvel vai piorar e a emissão de poluentes vai aumentar. “Mas tudo isso só poderia ser verificado com equipamentos muito precisos”, conclui Humberto.
E se a gasolina encarecer?
“Meu salário não sobe e sou totalmente contra qualquer tipo de aumento repassado para o consumidor”, reclama o proprietário de um carro a gasolina, Reinaldo Marinho.
“Faz um mês que não abasteço o carro com álcool porque não compensa. Mesmo que a gasolina fique mais cara, continuará valendo a pena deixar o álcool de lado”, assegura Amir Silva, proprietário de um carro flex.
“Vai pesar no bolso se subir R$ 0,05 por litro”, afirma com surpresa Rodrigo Neves, que tem um carro a gasolina.
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