03 de fevereiro, de 2010 | 20:02
Romaria, fé e tradição
Seca no rio São Francisco prejudica até evento religioso
DA REDAÇÃO - Um grupo de 31 pessoas saiu no dia 29 de Ipatinga e percorreu 1.050 quilômetros até chegar a Bom Jesus da Lapa, no Sertão da Bahia, onde ocorre a tradicional festa de Bom Jesus dos Navegantes. Religiosidade e fé marcaram a viagem organizada por Aristeu Rosalino e que só terminou na segunda-feira, quando o grupo retornou a Ipatinga.
Tradicionalmente, a procissão náutica promovia um encontro de imagens, do Bom Jesus dos Navegantes, que descia pelo Rio São Francisco com Nossa Senhora da Soledade. Do porto a procissão seguia para igreja com fiéis peregrinos vindos de todo o País. A estimativa é que, este ano, cerca de 1.500 pessoas tenham participado do evento religioso.
No entanto, os visitantes de Ipatinga não puderam ver a tradicional procissão náutica, pois o volume de água do rio São Francisco, na altura de Bom Jesus da Lapa, está tão baixo que inviabilizou a descida dos barcos e sua chegada ao porto.
A explicação, segundo o romeiro Derocy Vicente Ferreira, é a escassez de chuva na cabeceira do Velho Chico” e dos afluentes que o tornam caudaloso. A seca tem castigado os moradores do sertão e provocado redução drástica no volume de água, de forma nunca vista na região.
Pela primeira vez, em 31 de janeiro, os barcos não puderam fazer a tradicional descida com o andor de Bom Jesus dos Navegantes até o porto. Aproveitamos para lembrar o papel do homem nos efeitos nefastos para a natureza”, reclama.
Apesar de decepcionado com esse fato, Derocy voltou satisfeito da viagem. Foi um evento maravilhoso, um momento de louvores e agradecimentos”, avaliou.
Abrigo
Os peregrinos de Ipatinga deixaram sua marca na viagem a Bom Jesus da Lapa. Pelo menos para um grupo de internos do abrigo da cidade, onde vários idosos são atendidos. Arrecadados em Ipatinga, foram doados alimentos e fraldas descartáveis e outros produtos. O romeiro conta que o sertão baiano ainda é um lugar de grande carência material e toda ajuda levada é bem recebida pelas pessoas.
O turismo religioso tem uma grande importância para o município. Movimenta a cidade, leva recursos e, em troca, as pessoas conhecem as grutas, as igrejas e participam atividade de tradições religiosas, como a procissão náutica”, conclui.
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