09 de fevereiro, de 2010 | 20:45

Mobilização contra a Aids

PMI e entidades regionais distribuem 30 mil preservativos

Divulgação/PMI


CAMPANHA

IPATINGA – Com a aproximação da festa popular mais aguardada pelos brasileiros – o carnaval – cresce a preocupação dos órgãos de saúde quanto à disseminação do vírus HIV. Em Ipatinga, a mobilização para barrar o aumento do contingente de soropositivos teve início ontem, com uma ação realizada por integrantes do programa municipal de DST-Aids, em parceria com o Grupo de Apoio aos Soropositivos (Gasp), o Movimento Gay e Simpatizantes do Vale do Aço (MGS), a Associação de Apoio à Mulher Dignidade e Cidadania (Assamdici) e o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher.
Cerca de 80 pessoas distribuíram panfletos educativos e preservativos na portaria de faculdades e bares da cidade. Além de instituições de ensino, o grupo percorrerá até segunda-feira (15) outros espaços como a Lagoa Silvana, o Parque das Cachoeiras, a feira do Ipatingão e demais clubes onde serão realizadas festas durante o carnaval.
Para não deixar “escapar” os moradores que curtirão o feriado em outros destinos, a campanha será levada também aos terminais rodoviário e ferroviário, ao aeroporto e às agências de viagem que promoverão excursões para cidades do litoral. Ao todo, serão distribuídos cerca de 30 mil preservativos.

Campanha
A coordenadora do programa municipal de DST-Aids, Ilrisnett de Souza Rezende, informou que a campanha publicitária de prevenção à Aids do governo federal deste ano tem como slogan “Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre”. O material é direcionado tanto para quem tem relação sexual estável quanto para relações casuais.
De acordo com ela, pela primeira vez, nos dez anos de existência da campanha, o trabalho será dividido em dois momentos. No primeiro, desenvolvido na semana anterior aos dias de folia, as peças tratam do uso da camisinha. Na semana seguinte ao carnaval, outros materiais vão destacar a importância de fazer o teste de HIV quando se viveu alguma situação de risco.
“Primeiro, é preciso conscientizar a população a deixar a resistência de lado e usar a camisinha. Mas, se ainda assim a pessoa deixar de usar o preservativo, vamos estimular a realização de testes de HIV/Aids, porque quanto antes o vírus for detectado mais poderemos fazer pelo paciente”, explicou.
Os testes são realizados nas unidades de saúde do município. A pessoa precisa esperar um mês após a exposição à situação de risco para passar pelo procedimento - tempo necessário para o organismo produzir quantidade suficiente de anticorpos contra o vírus, a ponto de ser detectado. Os exames colhidos são avaliados no laboratório do Hospital Municipal. O resultado fica pronto em menos de uma semana.
Doença avança entre mulheres maduras
Atualmente, 600 pessoas realizam tratamento contra a Aids no município, o que não quer dizer que o total de soropositivos se restrinja a esse número. “A ONU tem uma estimativa de que, para cada pessoa que hoje sabe que tem Aids, existem outras oito que ainda não descobriram ser portadoras do vírus. Ipatinga pode ter, então, cerca de 4.800 pessoas infectadas”, observa o presidente do Gasp, Alano de Oliveira Barbosa.
No último ano, um levantamento realizado pela coordenação do programa municipal de DST-Aids apontava que a maior parte dos pacientes tinha idade entre 29 e 49 anos. A atualização dos dados, porém, revela que pessoas ainda mais jovens têm aumentado a estatística de soropositivos na região. “Hoje predominam pacientes acima de 25 anos”, informa Ilrisnett.
Outro dado que tem chamado a atenção dos órgãos públicos e entidades regionais é o avanço da doença entre mulheres, principalmente as casadas. “A mulher casada tem, normalmente, uma dificuldade enorme de negociar o uso da camisinha com o parceiro. E o homem acaba, então, de forma irresponsável, levando o vírus para dentro de casa”, observa Ilrisnett.
Segundo revelou, as pesquisas mostram que nos anos 80 havia uma proporção de 10 homens infectados para uma mulher infectada. Atualmente, a proporção é de 1,5 homem para uma mulher. E a previsão é que, em breve, existam duas mulheres soropositivas para cada homem infectado.
Atenção redobrada às bebidas alcoólicas
Em entrevista à imprensa ontem na sede do Gasp, durante o lançamento da campanha de prevenção à Aids, o secretário do MGS, Lao Ferreira, conclamou a população a redobrar a atenção ao consumo de bebidas alcoólicas durante os dias de folia. Na maioria das vezes, o álcool é um dos responsáveis pela infecção pelo HIV dos dias de carnaval.
“Durante o carnaval as pessoas transgridem regras, exageram. Há um abuso no consumo de álcool e drogas. Em estado de embriaguez é muito mais difícil se lembrar do uso do preservativo. E, por essa bobeira, muitos acabam infectados”, lamenta. Ele chama a atenção especialmente dos jovens para aproveitarem o feriado com responsabilidade, lembrando que o carnaval não isenta ninguém de colher os frutos de atitudes impensadas.

 
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