11 de fevereiro, de 2010 | 18:10
Arruda se entrega após pedido do prisão do STJ
Defesa de Governador entrou com pedido de habeas corpus no STF
DA REDAÇÃO - Por 12 votos a dois, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou nesta quinta-feira (11) a prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), e de mais cinco pessoas envolvidas na tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, testemunha do esquema de corrupção que atinge o GDF, empresários e deputados distritais.Após a determinação, Arruda decidiu se entregar na Polícia Federal em Brasília. Seis carros que deixaram a residência oficial em Águas Claras acompanharam Arruda até a PF. Mas o advogado Nélio Machado entrou com pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que decretou a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), por envolvimento na tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra.
"Tudo foi feito de forma irregular, abusiva e irresponsável", disse Machado. O advogado pediu que o ministro Marco Aurélio Mello seja designado para relatar o caso no STF, porque já teria analisado outro caso envolvendo a Operação Caixa de Pandora. O tribunal decidiu ainda pelo afastamento de Arruda do governo do DF.
O pedido, feito pela Procuradoria Geral da República, foi acolhido pelo ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito, e referendado pela Corte Especial do STJ, convocada em caráter extraordinário.
Além do governador Arruda, o STJ também decretou a prisão do ex-secretário de Comunicação do GDF Wellington Moraes, do ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB) Haroaldo Brasil de Carvalho, do deputado distrital Geraldo Naves (DEM), do sobrinho e secretário particular do governador, Rodrigo Arantes, e do conselheiro fiscal do Metro do DF, Antonio Bento, preso em flagrante pela PF após entregar R$ 200 mil ao jornalista Edson Sombra.
Organização criminosa
Em seu relatório, o ministro Fernando Gonçalves ressaltou a interferência do grupo de Arruda, a quem chama de
organização criminosa” nas investigações. O grupo criminoso está apagando os vestígios de sua atuação criminosa. Também atua no controle dos deputados da Câmara Legislativa. A organização criminosa instalada continua valendo do poder econômico e político para atrapalhar as investigações e garantir a impunidade”, disse o ministro.
As investigações da PF apontam que pelo menos cinco pessoas participaram da tentativa de suborno orquestrada pelo governador Arruda. O deputado distrital Geraldo Naves foi o mensageiro de um bilhete escrito pelo governador para Sombra, o que, para o ministro Fernando Gonçalves, confirma a participação de Arruda no caso.
O bilhete é uma das provas da materialidade da participação do governador Arruda no crime”, disse à Corte Especial do STJ.
Já Rodrigo Arantes, segundo as investigações, seria o responsável por repassar o dinheiro do suborno a Antonio Bento, que o entregaria ao jornalista Edson Sombra, amigo do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, autor das denúncias. Sombra deveria desqualificar os vídeos que sustentam as denúncias que levaram a Polícia Federal a deflagrar a Operação Caixa de Pandora, em novembro de 2009.
Contra
O ministro Nilson Naves manifestou-se contra o pedido de prisão preventiva de Arruda e de cinco assessores considerando que seria necessária autorização da Câmara Legislativa. Se dependemos de autorização para instauração do processo penal, como haveremos de decretar a prisão preventiva”, questionou.
A tese, contudo, foi prontamente rejeitada pelo presidente do STJ, ministro Cesar Asfor Rocha, que alegou que a prisão preventiva pode ser decretada ainda durante o inquérito, o que dispensa a autorização da Câmara Legislativa do DF. Asfor Rocha foi seguido por 14 ministros.
Já o ministro Ari Pargendler votou contra a prisão de Arruda, mas aceitou o pedido de prisão dos assessores do governador. Segundo o ministro, como já há denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República, não há necessidade de prisão de Arruda. (com informações da Agência Brasil)
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