12 de fevereiro, de 2010 | 18:44
Preocupação com o bem-estar
Empreendedor prevê entrega de imóveis no Condomínio Serra Verde. Loteamento Serra Verde deverá ser entregue em junho.
IPATINGA A gramínea que brota sob uma manta feita com fibra natural de coco, no alto do morro que separa os bairros Caçula e Jardim Panorama, já muda o visual da área vista por quem está no bairro Cidade Nobre ou Canaã, de onde se contempla a terraplenagem da área do Condomínio Serra Verde. A área na encosta está em obras desde o primeiro semestre de 2009.
No pico da crise financeira mundial, a MM Empreendimentos decidiu apostar na abertura do condomínio de luxo, um projeto pensado e colocado em prática pelo empresário Marcelo Mota Andrade, que tem como sócio o seu irmão, Márcio Mota Andrade. A obra enfrentou problemas além dos esperados pelo empreendedor.
Chegou a ser embargada por causa de uma ação judicial, mas foi levada adiante depois da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, no Ministério Público de Defesa do Meio Ambiente. No documento o empresário se comprometeu a cumprir as condicionantes para compensar os impactos ambientais.
A expectativa é que até o fim deste primeiro semestre o loteamento esteja concluído e pronto para a comercialização. Outra dificuldade a ser enfrentada é a recente restrição à liberação de alvarás para obras com mais de dois pavimentos, por causa de ação movida contra o município pelo Ministério Público, em função da falta das leis complementares ao Plano Diretor.
Questionado sobre o que Ipatinga deve esperar do seu projeto, inicialmente tido como polêmico, o empresário Marcelo Mota disse que só responderia no local das obras. Recebeu a reportagem no alto do morro, onde a terraplenagem está em fase conclusiva, na última bancada. Paralelo à remoção de terra, são construídas canaletas para escoamento da água da chuva, proteção contra erosões e plantio de vegetação.
Na segunda-feira (8) quando a reportagem esteve no local combinado, homens haviam iniciado a reforma do acerto no topo do morro, para evitar queimadas, porque no final de semana anterior a vegetação do morro do outro lado, no alto do Panorama, havia ardido em chamas.
O condomínio prevê uma rua principal, em forma de U, na direção Sul/Norte, com três níveis de lotes para construção. O topo do morro já passa por um trabalho de revegetação, logo abaixo vem uma área reservada para um playground e só bem mais abaixo surge o primeiro platô reservado para a construção de casas. A parte plana do condomínio está reservada para a construção de prédios de até 12 andares.
De um total de 92 mil metros quadrados, apenas 50 mil terá área construída, em 102 lotes já aprovados no projeto. A área terá uma portaria central, pelo Residencial Airton Senna, e uma área comercial. O restante é destinado para preservação ou entretenimento. Inicialmente deverão ser construídos quatro blocos de prédios de alto padrão, com 12 pavimentos cada. Antes mesmo de ser concluída a infraestrutura, Marcelo conta que já tem sido procurado por interessados nos imóveis. Falar em prazos de entrega, preços e condições, nem pensar. Só depois de tudo pronto, vamos falar sobre isso”, concluiu.
Plantio com o uso de manta de fibra natural de coco
A revegetação do topo do morro está sob responsabilidade da empresa Defesa Florestal (Defor), de Contagem. Um total de vinte e seis homens atua nas encostas, pendurados em cordas, para fazer o coveamento da terra, onde depois é lançado um jato com fertilizantes e sementes.
Na sequência, aplica-se a biomanta, construída com fibra de coco e uma fina tela de nylon. É a biomanta que vai segurar as sementes até que germinem e se fixem na terra. Lançamos oito tipos diferentes de plantas na terra, todas nativas, para que em breve possam proteger o solo contra erosões”, explica o técnico Cássio Luiz de Freitas.
Especialista em tratamento preventivo de erosões, Cássio destaca que a Deflor presta serviços para grandes construtoras e empresas do porte da Vale e Petrobrás.
Um projeto de R$ 8 milhões
Chegar ao ponto em que a obra está hoje, demandou muito trabalho e dinheiro. A estimativa é que o investimento total chegue a R$ 8 milhões, incluindo a aquisição da área e as obras de infraestrutura. Segundo o empreendedor Marcelo Mota, cerca de 100 homens trabalharam até agora na preparação do Condomínio Serra Verde. Marcelo também explica que as obras são inteiramente financiadas pela MM Empreendimentos. Não há empréstimos bancários, não há investimentos estatais. Pago tudo à vista e a garantia que temos é a conclusão e entrega do empreendimento”, destaca.
Sobre a potencialidade do negócio, Marcelo diz não ter dúvidas que Ipatinga demanda um empreendimento dessa natureza. Antes de iniciar o projeto em Ipatinga, Marcelo conta que visitou outros empreendimentos similares.
Depois andei várias vezes pelo topo desse morro, sonhando na existência de um condomínio semelhante aqui em Ipatinga. Mas pensei num empreendimento que tivesse, em primeiro plano, a qualidade de vida para as pessoas. E aqui poderão viver de 2 mil a 2.500 pessoas, num estado de bem-estar”, diz o empresário, apontando para o bairro próximo, em que prédios estão colados” um ao lado do outro. Aquilo sim, deveria ser alvo de preocupação das pessoas. Ninguém olha essa aberração que se espalhou por Ipatinga. Como as famílias conseguem viver em prédios construídos sem a menor preocupação com o bem-estar delas?”, questiona, em tom de resposta aos críticos do seu empreendimento.
Segundo Marcelo Mota, na contramão dos que não compreendem o seu propósito com o condomínio, a maioria dos vizinhos do Serra Verde aprova o empreendimento. Tanto que, no período do embargo, em setembro do ano passado, os vizinhos chegaram a fazer um abaixo-assinado em protesto aos entraves. Neste sentido, só tenho a agradecer a todos os que já manifestaram seu apoio. Acreditamos que o condomínio trará valorização também de seus imóveis e ganhos para os seus negócios localizados no entorno”, afirma o empresário.
Diferença que incomoda
Avesso aos eventos sociais, Marcelo Mota disse já ter compreendido que sua forma diferenciada de comportamento pode incomodar muitas pessoas. Posso sair na rua a qualquer momento que as pessoas não sabem quem sou eu. Na verdade, o que eu mais faço na vida é trabalhar”, resume.
Natural de Governador Valadares, Marcelo conta que entrou na atividade empresarial por meio do seu pai, que já foi representante comercial, fazendeiro no Norte do País e revendedor de carros. A matriz das concessionárias hoje em nome de Marcelo e seu irmão, Márcio, ainda fica em Guanhães. Foi lá que comecei minha vida e firmei um patrimônio”, conta.
Marcelo também explica que é a primeira vez que o grupo decide investir no ramo imobiliário. O empresário disse que, no começo do projeto, inicialmente sob responsabilidade de uma empresa de engenharia de Ipatinga, já sabia que haveria grandes dificuldades a serem vencidas. Mas elas foram bem maiores do que o esperado. Portanto, há um atraso de três meses no cronograma previsto para a entrega da infraestrutura” admite. Atualmente o projeto está sob responsabilidade do escritório de engenharia ambiental Universalis, de Timóteo.
Sobre boatos de que o condomínio teria como sócio Rodrigo Quintão, filho do ex-prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão, Marcelo Mota disse que é um boato, apenas. A única ligação com esse governo é que o projeto começou a tramitar na sua época. Ficou dois anos à espera de pareceres e aprovação e somente no atual governo, do Robson Gomes, consegui o alvará para a obra”, desabafa.
Marcelo também considera descabida a informação que a terra resultado das obras de terraplenagem no Serra Verde deveria ser usada na revitalização da Vila da Paz, no Cidade Nobre, para elevação do piso onde está situada. Seria impossível porque precisamos de toda a terra para o nivelamento da parte baixa do condomínio. Onde iríamos arrumar outra terra? Só esta semana, no finalzinho da obra, liberamos para quem quisesse a retirada da terra desse ultimo platô, porque realmente já terminamos a parte de baixo”, conclui o empresário.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















