20 de fevereiro, de 2010 | 17:27
Receio entre investidores
Construtoras e depósitos são prejudicados pela instabilidade. Possibilidade de ter obra embargada desestimula investidores
IPATINGA A incerteza quanto às futuras definições referentes à construção civil em Ipatinga tem afastado os investidores, principalmente os de fora da cidade - observam o construtor Cléber Lage Guerra, da construtora Lage Guerra, e o empresário João Bosco Gomes, proprietário do Depósito Gomes, no bairro Cidade Nobre.
João Bosco revela que o período de instabilidade no segmento já causou a diminuição de pelo menos 10% em suas vendas. Os meses de janeiro e fevereiro já são, normalmente, mais parados. No entanto, este ano a queda está muito superior à média. As pessoas não estão comprando materiais de construção por medo de não poderem construir e tomarem prejuízo”, cita.
Outra preocupação dos investidores, conforme o empresário, é a possibilidade de ter a obra embargada. Com essa instabilidade toda, as pessoas têm medo de enfrentar problemas futuros com as obras”, esclarece.
O construtor Cléber Lage relembra que o problema com as construções na cidade não é novo. Por muitos anos, o poder público se omitiu. O problema começou pequeno, no bairro Cariru, e foi germinando. Algumas obras foram embargadas em 2003 e, aos poucos, a situação foi se agravando até resultar nesse quadro que estamos vivenciando hoje, com efeitos devastadores em todo o setor de construção”, pontua.
Ainda conforme Cléber, a medida judicial afeta toda uma cadeia produtiva. Além de engenheiros, arquitetos, construtores e depósitos de material de construção, os corretores de imóveis também são prejudicados. É um segmento muito expressivo”, enfatiza.
O construtor reconhece que o problema da falta de leis para construção na cidade exige uma solução. Mas espera que o impasse se resolva rapidamente, para que nenhum setor seja penalizado. É preciso achar um equilíbrio, redirecionar as medidas. Esperamos que a revisão do Plano Diretor e a elaboração das leis complementares sejam feitas de forma transparente e ética, para não piorar ainda mais o quadro”, disse.
Desemprego
Para o empresário João Bosco Gomes, outro problema a ser considerado pelo poder público é o desemprego. Ele revela que Ipatinga tem vivido uma situação atípica neste início de ano, em relação a pedreiros e ajudantes de obra.
Nos últimos anos, qualquer pessoa que fosse começar uma obra encontrava dificuldades para contratar pedreiros e ajudantes, porque todos estavam sempre trabalhando. Agora o desemprego já começa a dar os primeiros sinais. Temos visto, aqui mesmo no depósito, pedreiros e ajudantes procurando emprego. E isso é muito preocupante, porque a construção civil é o carro chefe da empregabilidade no Brasil”, finaliza.
Indicações técnicas para
retomar as construções
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o promotor de Defesa do Meio Ambiente, Walter Freitas de Moraes Júnior, disse que compreende a intranqüilidade dos empresários e profissionais da construção civil. No entanto, reiterou que a medida se fez necessária em função da gravidade da situação. Lamentamos que a situação tenha chegado a esse nível. Mas a decisão foi necessária, tanto que a liminar foi mantida pelo Tribunal de Justiça. É uma questão que interessa a todos”, ressaltou.
Segundo Freitas, uma equipe técnica de planejamento arquitetônico e urbanístico realizou vistorias nos bairros da cidade há cerca de 10 dias. O trabalho apontou uma série de problemas na ordem urbanística de Ipatinga. Foi confirmada a situação de degradação do ambiente. Entre os problemas detectados, estão taxa de ocupação excessiva, iluminação e ventilação inadequadas, falta de conforto ambiental e de salubridade”, revelou o promotor.
Ainda de acordo com Walter Freitas, a equipe apresentou indicações técnica, que foram utilizadas na elaboração do Termo de Ajustamento de Conduta. Os profissionais indicaram alguns parâmetros urbanísticos, de forma a possibilitar a retomada do setor de construção civil no que é possível”, disse.
Segundo o promotor, o termo está sob análise do Executivo e, se assinado, será levado para homologação do juiz, substituindo a liminar em vigor. Uma possível troca de prefeito, segundo Walter Freitas, não afetaria o acordo entre a Justiça e o município. O problema passou a ser acompanhado dentro de uma ação civil pública. Por conta disso, qualquer que seja o gestor do município, o acordo deverá ser cumprido no prazo estipulado, que é de 14 meses”, explicou.
Na próxima semana, conforme Walter Freitas, presidentes de associações de bairros da cidade participarão de uma reunião na Promotoria de Justiça. O objetivo é possibilitar a participação da comunidade nas decisões do poder público.
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