22 de fevereiro, de 2010 | 19:22

Consumo de álcool cai e Brasil importa gasolina

Postos da região ainda são abastecidos com gasolina nacional

Wôlmer Ezequiel


JOÃO SANTIAGO

IPATINGA - Nas próximas semanas os postos de combustíveis vão oferecer aos motoristas gasolina importada da Europa e dos Estados Unidos. O combustível chegará ao litoral brasileiro ainda neste mês. Esta é a primeira vez em mais de 30 anos que o Brasil vai importar gasolina.
Segundo a Petrobras, foram importados aproximadamente 270 mil metros cúbicos. É o equivalente a cerca de 2 milhões de barris. Na região, por enquanto, os postos de combustíveis são abastecidos com gasolina nacional, mas já estão à espera do combustível estrangeiro.
A necessidade de importar gasolina veio dos problemas que o etanol brasileiro enfrenta desde outubro do ano passado. A chuva que interrompeu a colheita e o desvio de parte da cana plantada para a produção de açúcar, com excelente cotação no mercado internacional, fez com que a oferta fosse insuficiente para atender à crescente demanda.
Os preços do etanol subiram e, pontualmente, houve desabastecimento nas bombas. Os preços do etanol subiram e o resultado foi o desabastecimento nas bombas. “Eu abastecia só com álcool, mas depois que o preço aumentou vale mais a pena abastecer com gasolina”, afirma o taxista João Santiago, 60.

Etanol em desvantagem
Como o álcool rende menos, para ser vantajoso ele não pode passar de 70% do valor da gasolina. Na região o preço médio da gasolina é R$ 2,60 enquanto do etanol chega a R$ 2,24, gerando uma diferença de apenas R$ 0,36. O motorista percebeu e chegou à conclusão de que o álcool não é mais econômico. Com isso, o consumo de gasolina cresceu tanto que o Brasil, que normalmente exporta o combustível, agora vai ter que trazer de fora. “Há um mês mais ou menos que não abasteço com álcool. Não compensa”, diz a fisioterapeuta Viviane Ferreira Martins, 28.

Falta de investimentos
Segundo a Petrobras, o que contribuiu para a importação da gasolina foi a redução da quantidade de álcool na mistura do combustível e o aumento do consumo em janeiro: 15% maior que no mesmo período do ano passado. A empresa afirma que comprou dos Estados Unidos e da Europa 1,2 milhão de barris para abastecer o mercado até final de fevereiro.
O diretor da Minaspetro no Vale do Aço, Gustavo de Souza, explica que a importação não significa que o Brasil está deixando de produzir petróleo, mas que há falta de investimento nas refinarias. “Ao contrário do que se pensa o Brasil está produzindo muito petróleo. Mas uma coisa é produzir o óleo, outra é converter este produto para os combustíveis. O governo federal deixou de investir nas refinarias”, considera. 
Desde a década de 70, o país não importava gasolina. Até a semana passada, a expectativa é que o mercado só comece a se normalizar com o início da safra, que em algumas usinas será antecipada para o fim deste mês. Até lá os consumidores não devem se preocupar. O preço da gasolina importada não será diferente da produzida no Brasil. “A gasolina brasileira tem qualidade comparada à das melhores do mundo. Vai haver somente diferença no caixa da Petrobras que vai pagar por isso”, conclui o diretor da Minaspetro.
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