23 de fevereiro, de 2010 | 20:54

Demanda para a indústria

Setor naval tem obras até 2030 e procura fornecedores

Alex Ferreira


ENCONTRO NAVIPEÇAS

IPATINGA – Representantes de várias empresas do setor metalmecânico do Vale do Aço participaram ontem do Encontro de Desenvolvimento de Fornecedores de Navipeças. Reunidos no auditório do Senai Ipatinga, eles acompanharam esclarecimentos de representantes de estaleiros, agentes de fomento, organizações de apoio à indústria, palestras e agenda de negócios. O evento tem sequência nesta quarta-feira com um “bussines tour” programado para algumas empresas que já produzem para o setor naval e outras que ainda pretendem produzir para o setor. Entre elas, a Usiminas Mecânica, Bema, Viga Caldeiraria, Faceme, Muniz, Ata, Amac e Thermon. As visitas começam às 8h e prosseguem até as 16h.    
Uma das empresas pioneiras no fornecimento de peças para o setor naval é a Usiminas Mecânica. Ao participar do Encontro de Desenvolvimento de Fornecedores de Navipeças nesta terça-feira, no Senai, o engenheiro Guilherme Muylaert Antunes, diretor-superintendente da Usiminas Mecânica, disse não ter dúvidas que a indústria do setor metalmecânico do Vale do Aço vai conseguir atender ao nicho do setor naval, desde que tenha muita atenção com a qualidade, qualificação dos profissionais, porque o mercado está aberto, oferece oportunidade.
Muylaert admitiu que não é fácil atender às exigências dos compradores. “Há mais de dez anos a gente vem desenvolvendo os fornecedores do cinturão do Vale do Aço e eles têm atendido. Desde 2002, a Usiminas Mecânica fornece peças para navios; e para essas embarcações de apoio, de plataformas, fornecemos peças para todos que foram montados até agora”, informou.  
Atualmente, dez empresas da região já fabricam peças para a indústria naval. O presidente do Sindimiva, Jeferson Coelho, afirmou que o objetivo da entidade ao promover o Encontro de Desenvolvimento de Fornecedores de Navipeças é alertar as demais empresas da região sobre o potencial do mercado da construção naval. Jeferson explica que já acompanhava o resultado dos encontros do setor naval realizados em São Paulo e, depois de muito trabalho, o Sindmiva e a Fiemg conseguiram reunir em Ipatinga os representantes do setor naval.

Plano Setorial
Na abertura do encontro, o secretário municipal de Desenvolvimento de Ipatinga, Marco Aurélio de Senna, anunciou que o município pretende investir nos próximos meses R$ 1,56 milhão na qualificação profissional para que a indústria da região possa atender ao mercado bilionário do setor naval. Segundo o secretário, o recurso deverá se rliberado por meio de emenda parlamentar do deputado federal Alexandre Silveira (PPS) e virá do Plano Setorial de Qualificação (Planseq). “Vamos definir com a Fiemg, Sindimiva e Senai a grade de cursos para mão de obra demanda pela indústria local”, explicou. 
Setor naval exige alta qualificação
Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria Naval, Franco Papini, a impressão da organização do Vale do Aço em busca da qualificação para fornecimento foi a melhor possível. Segundo o executivo, Ipatinga tem um setor metalmecânico forte. Papini esclareceu que o setor naval passa por um trabalho intensivo e os estaleiros estão ocupados com grandes projetos. A lucratividade desse tipo de cliente, explica Papini, está justamente no prazo em que um navio é construído.
Entre os desafios a serem vencidos pelos fornecedores para o setor, Papini esclareceu que a atividade requer preparos e qualificações. “Uma empresa que queira fornecer blocos para um estaleiro deve estar apta com as práticas inerentes à construção naval. Um navio precisa respeitar as certificações internacionais e, com isso, do material à solda demanda muito trabalho. Claro que vamos fazer todo esforço necessário para que as indústrias do Vale do Aço se insiram no contexto da construção naval, que tem muita obra até 2030, no mínimo”, explicou.
Competitividade
O diretor do Sinaval acrescenta que o Brasil já foi o segundo no mundo, na década de 70, em termos de indústria naval. O Japão era o primeiro, mas atualmente está em bancarrota. A Coreia agora ocupa o primeiro lugar, o Brasil já esteve pior, mas está em sexto lugar, com tendência a assumir a quarta posição até 2013. A longo prazo, em 2018, o Brasil poderá atingir novamente o segundo lugar mundial em produção naval, até mesmo em razão das demandas da exploração de petróleo na camada oceânica do pré-sal.
A maior parte dos fornecedores da indústria naval brasileira é de São Paulo e Rio de Janeiro e, em terceiro lugar, Minas Gerais, embora Pernambuco comece a despontar.
Sobre a distância do Vale do Aço em relação aos principais estaleiros, Papini disse que não vê isso como grande problema para o Vale do Aço. “Pesam o querer fornecer, ter qualidade, ter preço e atender prazos. Na logística, entra a cadeia dos transportadores e não há impedimentos”, concluiu.
Empresa já produz navios em Ipatinga
O industriário Flaviano Gaggiato explica que a iniciativa da Fiemg, Sindimiva e empresas do setor metalmecânico representa a possibilidade de novos negócios, ampliando o atendimento feito atualmente para os setores de siderurgia e mineração, para atender aos setores de petróleo, gás e navegação. Na década de 1990, a Viga Caldeiraria teve uma experiência com a fabricação de balsas e empurradores para o rio São Francisco. No começo do ano 2000, o setor parou com a crise da época, mas a empresa vai reativar o setor agora. A empresa já atua na produção de blocos de navio e prepara a ampliação da produção.
“O crescimento que a gente prevê, com a produção de navios, plataformas e sondas de perfuração representa uma oportunidade enorme. O que temos de experiência nos ajuda a entrar nesse mercado, e no contato com as empresas parceiras podemos transferir experiência, da mesma forma que vamos buscar experiência em outros estaleiros”.
Flaviano afirma que a maioria das empresas já tem certificados necessários e mão de obra parcialmente capacitada, mas são precisos alguns ajustes. “Inclusive há empregados nossos hoje em estaleiros no Rio de Janeiro, pegando essa tecnologia para trazer o conhecimento ao Vale do Aço. Já fabricamos partes de peças de navios e vamos estar plenamente preparados até o fim deste ano”, concluiu o empresário.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário