11 de março, de 2010 | 20:53
Contradição absurda
Ações e projetos ambientais práticos recebem menos recursos que megaeventos ambientais, como o Fórum das Águas
DA REDAÇÃO Entre os dias 7 e 10 de abril, mais de 100 mil pessoas devem comparecer ao 5º Fórum das Águas, a ser realizado no Parque Ipanema, em Ipatinga. Segundo a presidente da Associação Projeto Águas do Rio Doce e uma das coordenadoras do evento, Zaira Andrade, na edição de 2008, promovida em Linhares (ES), foram captados aproximadamente R$ 400 mil reais. Na última sexta-feira (5), durante coletiva sobre o lançamento de obras no Parque Ipanema, Zaira informou à reportagem do DIÁRIO DO AÇO que todo montante arrecadado pelo Fórum é utilizado para a viabilização do evento e campanhas publicitárias, ou seja, confecção de cartilhas, livros e panfletos.
Questionada sobre o que é feito na prática para a recuperação das matas ciliares, nascentes e rios da Bacia do Rio Doce, a presidente afirma que o propósito do Fórum é articular meios com as instituições a fim de viabilizar as ações de recuperação e melhorias. Este ano, por exemplo, nós conseguimos 50 mil mudas de árvores, que serão distribuídas para os locais onde há essa necessidade. O objetivo do Fórum é a mobilização, articulação e divulgação”, reforça.
Contraponto
Para o presidente do Instituto Pró-Rio Doce e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Suaçuí, Paulo Célio de Figueiredo (Catatau), a educação ambiental é necessária em todas as camadas sociais. O que considero antagônico é que empresas doam muito dinheiro para um evento como este, mas não são capazes de repetir o mesmo gesto quando se trata de investir em projetos ambientais práticos, como na recuperação de nascentes”, contrapõe Catatau.
À frente de projetos e instituições ambientais há muitos anos, Catatau não esconde o quanto é difícil conseguir recursos para investimentos em ações ambientais práticas. Para a formação dos Comitês de Bacias Hidrográficas, o apoio que recebemos foi em forma de hospedagem e combustível para deslocamento. Recursos para a gestão das águas, não houve”, pontua.
Confirmação
O presidente da Associação de Proteção Ambiental da Bacia do Ribeirão Ipanema (Apabri), o ambientalista José Zacarias (Zaca), confirma a dificuldade de se obter recursos para a efetivação de projetos ambientais. O investimento do empresário pode ser feito por renúncia fiscal, e ainda assim, na prática, é muito difícil obter recursos”, confirma Zaca.
A falta de cobrança por parte da sociedade, de seriedade por parte dos representantes do poder público e de fiscalização mais contundente por parte do Ministério Público, são apontadas por Zaca como fatores que dificultam estes investimentos. Cada obra que interfere no meio ambiente deve, pela legislação, investir 1% do valor total do empreendimento em ações ambientais. Muitas vezes, vemos empresas promover ações insignificantes se comparadas ao dano causado”, compara Zaca.
Entretanto, o ambientalista destaca que é parceiro das edições do Fórum das Águas realizadas em Ipatinga. Hospedo participantes na fazenda e, durante a estadia, são convidados a participar de palestras e oficinas de educação ambiental”, acrescenta Zaca.
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