11 de março, de 2010 | 21:44
Dia de apagão em Antônio Dias
Município com três hidrelétricas ficou 22 horas sem abastecimento
DA REDAÇÃO O município de Antônio Dias ficou sem energia elétrica desde as 14h de quarta-feira e só teve restabelecido o fornecimento por volta das 12h desta quinta. Técnicos da Cemig vistoriaram a rede de abastecimento do município em busca da causa da interrupção e acabaram por descobrir um rompimento ocorrido na rede, na zona rural. Cerca de 5 mil consumidores, segundo a Cemig, ficaram às escuras.
Revoltados, clientes reclamam dos prejuízos com a interrupção no fornecimento. A reclamação maior vem dos comerciantes e empresários, que alegam perdas econômicas devido ao estrago de alimentos que precisam ficar sob refrigeração constante. Na área rural, por exemplo, muitos produtores que mantêm resfriadores de leite perderam a produção acumulada nos dias anteriores.
O destacamento da Polícia Militar ficou lotado por consumidores que foram registrar boletim de ocorrência, para fins de indenizações. A ocorrência é importante porque a Cemig só cobre eventuais prejuízos mediante apresentação do documento.
Segundo os moradores de Antônio Dias, esse é um problema corriqueiro, haja vista que a rede que abastece o município sai de Timóteo, é antiga e sempre apresenta falhas. Essa situação precária já foi alvo até de audiência pública, convocada pela Câmara Municipal, mas permanece sem solução.
Prejuízos
Proprietário da Merceraria Britto, na rua Presidente Vargas, Helvécio Aparecido de Brito explicou ao DIÁRIO DO AÇO que sua sorte foi ter pouca carne no congelador. Helvécio conta que, na sexta-feira, 5 de março, dia de pagamento de trabalhadores, também faltou energia. Não sabíamos que faltaria energia. Alguns trabalhadores costumam vir de longe para receber e encontraram o banco fechado. A agência só abriu às 14h30 e fechou às 16h. Tivemos um dia histórico de prejuízos, e com um detalhe, o aviso da falta de energia só chegou na terça-feira (9), três dias depois da ocorrência”, reclamou.
Já no Hipermercado Cantelli, o proprietário Joaquim Nascimento da Mata afirma que suas perdas foram consideráveis. Além das vendas a cartão, que deixou de fazer, o comerciante conta que perdeu um congelador lotado de carne e muitos produtos na ilha de frios. Tinha acabado de receber uma encomenda de R$ 2 mil em sorvetes. Perdemos tudo. Ainda estamos fazendo as contas”, explica.
Joaquim da Mata, como é conhecido, explica que pretende fazer um abaixo-assinado a ser enviado ao governo do Estado, Cemig e Assembleia Legislativa, em busca de ajuda.
Rompimento
Segundo nota enviada pela assessoria da Cemig, a interrupção no fornecimento em Antônio dias foi provocada pelo rompimento de um cabo de transmissão na zona rural. A concessionária mobilizou equipes para agilizar o restabelecimento, mas a noite de quarta-feira chegou sem o complemento do reparo. Com isso, de um total de 5 mil consumidores no município, 2,6 mil ficaram sem eletricidade de um dia para o outro. O reparo só permitiu o restabelecimento total por volta das 12h de ontem. A Cemig também anuncia a construção de uma nova rede de distribuição para Antônio Dias, vinda de Nova Era. A inauguração está prevista para o mês de abril”, destaca a assessoria.
Município no escuro sedia três usinas hidrelétricas
Município alvo de constantes apagões, Antônio Dias vive um daqueles paradoxos tradicionais. Apesar do tormento para a população, o município abriga três hidrelétricas, duas de grande porte, Sá Carvalho e Guilman Amorim, e outra de médio porte, Cocais Grande, na região de São Joaquim da Bocaina.
No entanto, a produção energética das usinas é destinada ao sistema integrado de energia do país e não pode ser distribuída diretamente para a população. Somente depois de passar pelas subestações a energia é redistribuída para o consumo em geral.
O potencial hidrelétrico do município, que em nada ajuda aos seus moradores para fins de abastecimento de eletricidade, vai garantir a construção de mais duas hidrelétricas, uma no ribeirão da Bomba e outra no rio Piracicaba, também perto de Sá Carvalho.
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