13 de março, de 2010 | 16:52
Alerta sobre aleitamento materno
Pesquisadora do Unileste identifica desmame precoce em Ipatinga
DA REDAÇÃO Foi no dia a dia do seu trabalho com gestantes que a fisioterapeuta e professora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG), Lorena Miranda de Souza, encontrou o tema para seu trabalho de mestrado. A pesquisa sobre a prática do aleitamento materno em Ipatinga e a consequente dissertação para obtenção do título de mestre em Ciências da Saúde, com área de concentração em Saúde da Criança e do Adolescente, foi desenvolvida no município.
Sob orientação do professor Joel Alves Lamounier, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a pesquisa apontou que muitos avanços ocorreram nas últimas três décadas no que se refere à prática do aleitamento materno no Brasil. Porém, ainda é necessária a realização de análises da situação em municípios brasileiros, a fim de verificar a frequência e a duração do aleitamento.
Em Ipatinga, a pesquisa de Lorena, realizada com 1.669 mães em 15 unidades básicas de saúde do município durante uma campanha de vacinação em 2008, apontou que o aleitamento materno exclusivo (sem a introdução de outros alimentos ou líquidos) é interrompido precocemente. Os questionários utilizados durante a pesquisa incluíam informações sobre variáveis demográficas, dados da assistência materno-infantil e sobre a introdução de hábitos alimentares nas crianças.
A partir de estudos mais localizados, pode-se determinar as possíveis causas para o desmame precoce e definir grupos populacionais que poderão ser beneficiados por programas de apoio e incentivo ao aleitamento materno”, explica Lorena. De acordo com os resultados obtidos na pesquisa, a duração média do aleitamento materno praticado pelas mães ipatinguenses é de cinco meses, sendo que o aleitamento materno exclusivo é de apenas dois meses.
Precoce
Diante destes números, os principais fatores identificados como causadores do desmame precoce foram: as mães não terem recebido orientação adequada sobre aleitamento na maternidade; a introdução de frutas, sopinhas, papinhas, água, suco ou outro tipo de leite na alimentação; a criança não ter mamado no peito no primeiro dia em casa; o hábito de alimentar a criança com a mesma refeição da família; e o uso de chupetas e mamadeiras.
Os fatores associados ao desmame denotam a necessidade de uma assistência mais efetiva e sensibilizada dos serviços materno-infantis, a fim de favorecer e incentivar a amamentação. Nossa meta é propor programas de incentivo, apoio e esclarecimento sobre o aleitamento para a população, para que as crianças, pais e sociedade possam se favorecer dos benefícios do aleitamento materno”, afirma a pesquisadora.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os bebês recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros seis meses de vida. Isso significa que, até essa idade, o bebê não precisa de nenhum outro alimento (chá, suco, água ou outro tipo de leite). Após os seis meses, a amamentação deverá ser complementada com outros alimentos, e a mãe poderá continuar amamentando até os dois anos ou mais.
A amamentação exclusiva reduz a mortalidade infantil por enfermidades comuns da infância, como diarreia e pneumonia, e ajuda na recuperação de enfermidades. Crianças alimentadas com leite materno, normalmente, dobram de peso do nascimento até os seis meses de idade.
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