17 de março, de 2010 | 21:50
Moradores reivindicam construção de passarela
Viabilização do projeto da Vale depende de publicação de edital
TIMÓTEO Um problema antigo caminha para ser resolvido. Moradores do bairro Nova Esperança, situado às margens da BR-381, há muitos anos vivem isolados, mas essa situação pode ser contornada com a construção de uma passarela, uma antiga reivindicação daquela comunidade.
Em 2006, a Vale do Rio Doce doou um projeto para a construção de uma passarela no km 466 da rodovia. O objetivo era facilitar o acesso dos moradores do Nova Esperança ao bairro Alegre. Pelo projeto original, a passagem teria 200 metros de comprimento. Porém, a proposta foi rejeitada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que apontou falhas no projeto.
Uma delas seria a distância entre as colunas. O departamento pediu a correção do projeto, sugerindo que as estruturas da passarela estivessem a 1 metro de distância da rodovia. Esperamos que isto seja resolvido o mais rápido possível, porque é uma antiga luta e estamos sozinhos, sem colaboração de nenhuma autoridade política”, comenta o presidente da Associação de Moradores do Nova Esperança, Marcílio dos Santos.
Em nota enviada ao DIÁRIO DO AÇO, o Dnit informou que as falhas já foram corrigidas pela Vale e um processo de licitação será aberto para a contratação da empresa que irá executar o serviço. No entanto, não há previsão para a publicação do edital.
Correria
No bairro Nova Esperança não existe nenhum tipo de estabelecimento comercial. Com isto, uma das saídas encontradas pelos moradores é atravessar a rodovia e a linha férrea para chegar ao bairro Alegre. A situação piorou depois da construção do anel rodoviário em 2006, haja vista que vários acidentes foram registrados por causa da travessia perigosa.
O ajudante Elias Gonçalves de Paula, 38, por exemplo, se acidentou no local. Ao tentar atravessar de bicicleta a rodovia por um atalho ele se desequilibrou e caiu. Eu tive duas fraturas na perna direita e fiquei internado uns 20 dias”, conta, lamentando que o problema persista até os dias atuais. Infelizmente, preciso fazer esse percurso porque onde moro não tenho como comprar as coisas para casa”, disse.
Outro morador que lamenta a situação é o aposentado Geraldo Costa e Silva, 70. Apesar da avançada idade, ele atravessa a rodovia na correria e depois ultrapassa os obstáculos da linha férrea. É preocupante uma pessoa na minha idade ter que atravessar tudo isto, correndo risco de morrer”, afirma.
Porto do bote
Outra opção é atravessar o rio Piracicaba, em um local conhecido como Porto do bote”. Lá, as pessoas pagam R$ 0,35 para fazer a travessia e chegar ao Centro de Coronel Fabriciano.
A adolescente Rayane Steffane, 12, utiliza o transporte constantemente e garante não ter medo. Já estou acostumada, ando de bote desde novinha”, brinca a garota. Esta alternativa, no entanto, não resolve o problema dos moradores. Quando chove, é impossível atravessar o rio.
O dono do bote é o aposentado José Felix Rodrigues, 68, que há 48 anos realiza o transporte de pessoas pelo rio. Se as pessoas não passarem por aqui, ou terão que atravessar a BR e a linha férrea ou então dar a volta até chegar à ponte nova em Fabriciano”, conclui.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















