18 de março, de 2010 | 18:55
Espera interminável
Deficientes ficam mais de duas horas aguardando ônibus adaptados
IPATINGA Adquiridos com a finalidade de facilitar a mobilidade dos deficientes dentro do município, os ônibus adaptados têm gerado reclamações por parte de usuários do serviço. Morador do bairro Bom Jardim, o cadeirante Alifon Moura Soares, 23, contou à reportagem que, constantemente, fica impedido de utilizar o transporte coletivo por conta de problemas com os elevadores.
O número de veículos adaptados já é reduzido e, para piorar, muitos elevadores estão estragados. Com isso, quase sempre precisamos ficar mais de horas aguardando um ônibus adaptado em plenas condições de funcionamento”, lamentou.
Conforme Alifon, para ter garantia de que conseguirão usufruir do serviço, os cadeirantes precisam chegar ao ponto de ônibus com mais de uma hora de antecedência. E, ainda assim, correm o risco de perder o compromisso. A título de exemplo, ele conta que, não fosse pela ajuda de um tio, teria perdido uma consulta na última semana.
Eu tinha uma consulta marcada para as 10h30 de segunda-feira, no Hospital Márcio Cunha. Fui para o ponto antes das 8h. Nesse tempo, passaram quatro ônibus da linha que eu esperava dois deles adaptados. Porém, em ambos o elevador estava estragado. Faltando 15 minutos para a consulta, tive que pedir, desesperadamente, a ajuda de um tio para me levar ao hospital”, relatou.
Confiança
Conforme o presidente da Associação dos Deficientes de Ipatinga (Adefi), Eustáquio de Oliveira, as reclamações sobre o serviço prestado nos ônibus adaptados são constantes. Ao lado da demora, ele cita outros problemas, como casos de constrangimento do cadeirante e falta de preparo de cobradores e motoristas para lidar com esses usuários.
Claro que já tivemos um avanço significativo com a implantação desses serviços, mas se eles não funcionarem, não adianta. Além disso, ao enfrentar esse tipo de problema recorrentemente, as pessoas com deficiência perdem a confiança no serviço. Quem tem condições de pagar um táxi, tudo bem. Mas a grande maioria não tem e acaba privada do seu direito de ir e vir”, observa.
Na avaliação de Eustáquio, o primeiro passo para a otimização do serviço seria a abertura do diálogo com as entidades representativas dos deficientes do município. Não adianta querer tomar medidas para beneficiar os deficientes se estes não forem ouvidos”, afirma.
Outra medida, segundo ele, seria um maior investimento na manutenção dos equipamentos e no treinamento dos motoristas e cobradores. O transporte dos deficientes dentro do ônibus, por exemplo, é algo que exige muito cuidado e preparação. Se for carregada de forma inadequada, a pessoa pode se machucar ou até mesmo cair”, alerta.
Empresa afirma que
desconhece problemas
Procurada pela reportagem, a Autotrans, concessionária do transporte coletivo de Ipatinga, informou que desconhece os problemas relatados pelos usuários. Conforme o supervisor de transportes da empresa, Geraldo Araújo, até ontem não havia sido registrada na empresa qualquer reclamação do tipo.
Araújo informou ainda que 60 dos 118 veículos que compõem a frota da concessionária já são adaptados e que todos os anos, desde a implantação do serviço, são feitas novas substituições. O objetivo é que em breve toda a frota do município esteja adaptada. Esse é um serviço novo no mercado. Na nossa cidade, por exemplo, existe há apenas três anos”, lembrou.
Em relação às condições de funcionamento dos elevadores, o supervisor informou que diariamente os equipamentos são testados pelos cobradores, no ponto final dos ônibus. Geraldo disse ainda que os funcionários que trabalham nos veículos adaptados passam, obrigatoriamente, por treinamento e acompanhamento.
São todos devidamente treinados e acompanhados por um cobrador mais experiente durante um tempo. Eles aprendem a manusear o equipamento e a fazer o transporte seguro dos cadeirantes”, pontuou. Conforme o supervisor, qualquer insatisfação com o serviço prestado pela empresa pode ser registrada pelo telefone 08000398846.
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