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16 de abril, de 2010 | 22:20

Criada comissão para esclarecer contrato da Idheas em Timóteo

Hilário surpreende ao comparecer à Câmara para prestar informações e confirma exoneração de secretário preso pela PF

Wôlmer Ezequiel


CÂMARA DE TIMÓTEO

TIMÓTEO – O prefeito de Timóteo, Geraldo Hilário (PDT), compareceu por iniciativa própria à Câmara para prestar alguns esclarecimentos sobre a situação atual do município. A iniciativa do prefeito foi elogiada por parte dos vereadores, que se reuniam em sessão extraordinária.
Diante de um plenário lotado, o prefeito detalhou as circunstâncias que levaram a administração municipal a firmar parceria com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Idheas, alvo de investigação da Polícia Federal.
Além disso, Hilário adiantou ter tomados algumas medidas para não deixar dúvidas sobre a idoneidade da sua administração. “Nós não imaginávamos que ao criar um relacionamento com aquela empresa, que apresentava todas as características de uma empresa séria com todos os atestados, inclusive da União, teríamos que enfrentar todos esses problemas”, disse. 
O município firmou contrato com a Idheas em janeiro deste ano, mas antes disso ela já estava sendo investigada pela Polícia Federal, há pelo menos dois anos. Segundo Hilário, o município não tinha como saber, haja vista que toda a documentação apresentada estava em ordem. “Timóteo caiu de gaiato nesta investigação. Todos os documentos apontavam para a idoneidade da instituição”, reforçou o prefeito.
Consciente da isenção do município, Geraldo Hilário adiantou que foi adotada  uma série de medidas para preservar a imagem da atual gestão. A primeira delas foi a suspensão imediata do convênio com a Oscip no dia da ação da Polícia Fedral. A medida, contudo, não teria implicado a paralisação dos serviços prestados. “Todos os serviços estão sendo prestados normalmente. A administração os assumiu para que a comunidade não seja prejudicada”, salientou .

Comissão
Outra medida adotada foi, conforme o prefeito, a criação de uma comissão interna, composta por servidores de carreira, para esclarecer todas as dúvidas sobre o episódio. “Essa comissão tem por finalidade apurar todos os fatos que foram mencionados pela PF ou outros que venha a ter conhecimento. Deve estudar esses fatos, definir se houve relacionamento do Poder Público ou de alguns servidores. Se tiver conivência, vamos inclusive estudar as punições”, explicou.
A administração pretende ainda contratar uma auditoria externa para ser realizada paralelamente. O pedido para a abertura de licitação já teria sido feito ao departamento responsável.  

CPI
Hilário comentou também sobre a intenção da Câmara de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o relacionamento com a Idheas na prestação de serviço referente o Carnaval. Para o prefeito, a iniciativa neste momento teria um “cunho político”. “Uma CPI agora não tem como caminhar, porque não tem documentações. É o entendimento do próprio setor jurídico da Câmara. Os documentos foram todos recolhidos pela PF. E, sem documentação, a CPI se torna apenas política”, criticou. Segundo Hilário, o município já encaminhou requerimento para a Polícia Federal solicitando cópia de todo material levado. “Se com a prestação de contas em mãos a Câmara não se convencer, até eu solicito a abertura de uma CPI”, enfatizou.

Provas
A presidente da CMT, Guaraciaba Gomes (PMDB), preferiu ter cautela. “O prefeito está pedindo um prazo para apresentar os documentos, acredito que temos que ser parceiros dele”, citou, lembrando que o Legislativo está aguardando toda a documentação requerida para analisá-la e depois tomar as medidas cabíveis se for o caso. “Eu não condeno as pessoas antes de provar a culpa. Ficaremos no aguardo da chegada desses documentos”, declarou. 
Secretário é afastado
O Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão preventiva de 15 pessoas envolvidas com desvio de recursos da Funasa. O esquema foi desarticulado pela Operação Hygeia. Além do pedido da prisão preventiva das pessoas ligadas ao ramo empresarial, o procurador Mário Lúcio de Avelar solicitou o afastamento de 12 servidores dos cargos públicos, entre eles o secretário de Comunicação da PMT, Warley Guerra Duarte.
Warley permanecia preso temporariamente no Departamento da Polícia Federal de Belo Horizonte até a noite desta sexta-feira, quando venceria a prisão temporária. Era aguardada para a noite de ontem a decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara, sobre o afastamento ou não do gestor de gabinete do governo, que tinha status de secretário de Comunicação.

Exoneração
O prefeito Geraldo Hilário disse ontem que mantém uma relação de confiança com o secretário de Comunicação e que não acredita que ele esteja envolvido no caso. Apesar disso, determinou a sua exoneração nesta sexta-feira. “Eu acredito que ele não esteja envolvido, mas para que não haja obstáculos às investigações nós definimos pela sua saída até a elucidação total dos fatos”, justificou.
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