17 de abril, de 2010 | 16:49
Dúvida sobre morte causa drama familiar
Quase dois anos depois, filha busca explicações para falecimento da mãe
IPATINGA A dúvida sobre a causa da morte de Marlene Maria Fernandes, de 66 anos, há cerca de um ano e meio, causou uma série de transtornos, sobretudo em sua filha Dalva Maria Fernandes Rodrigues Batista, que não se conforma com a morte da mãe. Ela procurou a reportagem do DIÁRIO DO AÇO para relatar o drama pessoal pelo qual está passando e que acarretou uma série de desequilíbrios médicos como depressão, fibromialgia e pressão alta. Sem saber o que fazer, Dalva aguarda os desdobramentos do caso para retomar a sua vida.
Segundo Dalva, sua mãe levava uma vida normal ao lado do companheiro em uma chácara no bairro de Pedra Branca, zona rural de Ipatinga. O único problema de Marlene, revela a filha, era a diabetes, controlada de forma rigorosa. Entretanto, na noite do dia 25 de outubro de 2008, a situação inesperadamenre começou a se complicar. Marlene foi levada ao PSM com fortes dores abdominais. Ela foi medicada e retornou para casa. No dia seguinte voltou novamente, mas veio a falecer dois dias depois, em 27 de outubro. O seu corpo foi transferido para o IML, de onde teria saído a informação que Marlene morrera de causa desconhecida.
Após sepultar a mãe, Dalva providenciou a remoção dos objetos pessoais de Marlene da chácara, quando teve início a polêmica em torno da causa mortis. Dalva conta que levou um susto ao encontrar entre os pertences uma embalagem de veneno. Desconfiei que minha mãe tivesse morrido por envenenamento e procurei a polícia”, informa Dalva.
A partir daí o caso, na opinião de Dalva, se tornou uma novela, ainda sem final. Posteriormente, Dalva voltou ao IML de Ipatinga e teve acesso ao relatório de necropsia, curiosamente com informações diferentes. O relatório informava que minha mãe tinha falecido por causa de uma ruptura espontânea de úlcera duodenal. Isso não bate com a causa da morte apontada na declaração de óbito (de causa desconhecida)”, questiona Dalva.
Em contato com a Delegacia de Crimes Contra a Vida, Dalva apresentou todos os documentos e a embalagem do veneno encontrada. O produto químico foi avaliado pelo Instituto de Criminalística de Belo Horizonte e o resultado apontou que a substância raramente determina quadros tóxicos graves. Na maioria dos casos, ocorrem apenas manifestações gastrointestinais, com vômitos, cólicas abdominais e evacuações sanguinolentas”, revela o laudo. Fui à delegacia, dei meu depoimento, mas nada mais foi feito. Sei que o caso foi parar na Justiça Especial”, lamenta Dalva.
Disparidades
De acordo com o promotor de Justiça Rafael Pureza Nunes da Silva, Dalva precisa esperar o retorno da solicitação de informações feita em 6 de março. Solicitei aos médicos-legistas algumas informações, como quanto tempo a substância química analisada pode durar no corpo de uma pessoa após a morte e quais os motivos que levaram os peritos a cometer a disparidade de informação entre a declaração de óbito e o relatório de necropsia”, informa o promotor.
Rafael ainda revela que o delegado responsável pelas investigações já havia sugerido o arquivamento do caso. Em respeito à dor desta senhora, solicitei novas diligências com prazo de 30 dias. Só a partir destas respostas é que outras medidas poderão ser tomadas”, finaliza o promotor.
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