19 de abril, de 2010 | 23:30
Estatística preocupante
Assaltos a postos de combustíveis no Vale do Aço crescem 26,3%
IPATINGA O número de assaltos aos postos de combustíveis na Região Metropolitana no Vale do Aço (RMVA) cresceu 26,32% nos primeiros três meses de 2010. A estatística leva em conta também a primeira quinzena de abril. É o que mostra estudo das ocorrências deste tipo de crime, publicadas na página da polícia na internet. Enquanto nos quatro primeiros meses de 2009 foram registrados 19 assaltos a postos, no mesmo período deste ano foram contabilizadas 24 ocorrências (balanço até 17/04/2010).
A situação é mais preocupante no comparativo entre o último quadrimestre de 2009, quando foram registrados 11 assaltos a postos de combustíveis na RMVA. Neste caso, os 24 registros deste ano representam aumento de 118,5% no comparativo com o quadrimestre passado.
Só no balanço parcial de abril foram contabilizados cinco assaltos, dois deles em um intervalo de menos de uma hora. Na noite de terça-feira (13), dois postos foram atacados em sequência em Ipatinga. O primeiro ocorreu às 20h em um posto na avenida Felipe dos Santos, bairro Cidade Nobre. Um adolescente chegou ao local para comprar dois litros de gasolina. Ele saiu e voltou poucos minutos depois armado com um revólver calibre 38, rendeu a frentista e pegou no caixa R$ 80.
Cerca de 50 minutos depois, as vítimas foram dois frentistas que trabalhavam em um posto na avenida José Júlio da Costa, no bairro Ideal. Eles foram rendidos por dois homens armados que lhes roubaram R$ 200. Nos dois casos, a polícia não conseguiu localizar os suspeitos.
Temerosos
Os donos e funcionários dos postos estão assustados. A reportagem do DIÁRIO DO AÇO esteve em um posto no bairro Caravelas, assaltado oito vezes em menos de um ano. O prejuízo estimado chega a R$ 90 mil. Em um único assalto, os ladrões levaram R$ 44 mil. Por causa disso, o dono do posto, que pediu para não ser identificado, reforçou o esquema de segurança do estabelecimento. Instalou 16 câmeras, grades no escritório e colocou na pista botões de pânico” um mecanismo de defesa que permite ao frentista acionar a polícia em caso de suspeita. O que ocorre é que, em vez de o ladrão ir preso, é a gente que fica no lugar deles”, disse o proprietário.
Em outro estabelecimento que recebeu investimento em segurança, foram dois assaltos neste ano. O frentista Arilton de Sena Lima, 18 anos, foi vítima de três assaltos. Chega a um ponto que a gente já até sabe o que vai acontecer. O jeito é deixar levar tudo para não correr riscos e continuar o trabalho, porque a gente precisa viver”, desabafa o funcionário.
O gerente de um posto no bairro Canaã também já foi rendido três vezes em seu local de trabalho, quando ainda era frentista. Em uma das ocasiões, o assaltante levou dinheiro, gasolina e ainda deu um tiro para o alto. Eu não fiquei com medo, eu fico revoltado com uma situação dessas, porque se o cara já levou dinheiro para que aterrorizar?”, questiona.
Fabriciano
Outro assalto de repercussão foi registrado no dia 9 de abril no posto Monte Moriá, no bairro Todos os Santos, em Coronel Fabriciano. Dois assaltantes simplesmente ignoraram as oito câmeras existentes na pista do estabelecimento. Eles chegaram às 7h50 em uma moto. Um dos assaltantes, de revólver na mão, rendeu o frentista e levou R$ 4,2 mil em dinheiro. O monitoramento teria falhado e não permitiu a identificação dos assaltantes, tampouco da placa da moto.
Medidas preventivas
O assessor de Comunicação do 14º Batalhão de Polícia Militar, tenente Nóbrega, afirma que os crimes ocorrem às vezes em sequência, a exemplo dos dois assaltos registrados na semana passada, e algumas pessoas passam a ter a sensação de insegurança. Se acontecer um crime na sua rua, você vai ter aquela sensação de insegurança, porque aconteceu perto e você tomou conhecimento. Mas quando a gente olha na cidade inteira, vemos que não está acontecendo tanto assim. É o que a gente chama de segurança subjetiva”, explicou.
O oficial destaca que algumas medidas são tomadas pelo 14º Batalhão para prevenir a ação dos assaltantes de postos de combustíveis. Nóbrega avalia que os postos ainda deixam a desejar no que diz respeito à segurança.
Alguns ainda não têm um circuito fechado de imagens, e muitos não fazem manutenção correta no equipamento. Alguns frentistas ainda ficam com dinheiro na mão ou nos caixas. Até mesmo o deslocamento que os próprios donos fazem para depositar dinheiro atrai os assaltantes”, observa.
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