30 de abril, de 2010 | 15:08

Ipatinga 46 anos: “Aqui, somos protagonistas da história”

Em Ipatinga desde 1973, cineasta Sávio Tarso conta por que preferiu ficar do que voltar ao Piauí

Arquivo


SAVIO TARSO 46 ANOS IPATINGA

IPATINGA – Ipatinga é um grande anfiteatro, onde quem chega sempre encontra espaço para ser protagonista. Essa é a leitura que o jornalista, historiador e documentarista Sávio Tarso faz sobre Ipatinga na época de seu aniversário de 46 anos.
Apesar de ter nascido em Picos, no Piauí, ele se considera um ipatinguense nato. Sávio Tarso chegou aqui em 1973, aos 3 anos de idade, porque seu pai buscava oportunidade de trabalho na Usiminas.
Primeiro eles moraram na Candangolândia, onde atualmente fica o Amaro Lanari, que pertence a Coronel Fabriciano. Sávio Tarso contou que seu pai faleceu em 1982, sem realizar o sonho de voltar para sua terra natal.
“Nunca compartilhei esse sonho com meu pai. Faço parte da primeira geração que quis ficar”, comentou Sávio. Mas sua mãe decidiu voltar para o Piauí. No entanto, ela e os seis filhos não conseguiram se adaptar.
Então aos 12, Sávio Tarso voltou para Ipatinga e nunca mais saiu daqui. O motivo? Simples, ele acompanhou o crescimento do município. “Vi o Ipatingão ser construído, a malha viária da BR-381 ser feita, a prefeitura ser inaugurada, assim como o prédio Balança-Mas-Não-Cai (bairro Veneza). Esses são marcos pra mim. Enfim, me sentia parte dessa cidade que ia ganhando forma”, falou Sávio Tarso.

O asfalto
O historiador lembra que, naquela época, as coisas eram muito difíceis. “Eu morava no Bom Jardim, onde fiz amizades e criei raízes. Na época a cidade era outra. Cheia de dificuldades. Não tinha saneamento, nem asfalto, e a escola era difícil. No dia que o asfalto chegou ao Bom Jardim, eu era criança e não dormi à noite. Brincamos tanto na rua que cheguei a rolar no piche e fui deitar sujo, mas nem consegui dormi porque o asfalto tinha chegado. Tudo isso tem um significado e me prende a Ipatinga”, revelou Sávio. 

A política
A paixão por Ipatinga levou Sávio Tarso a atuar no campo político. Aos 18 anos, ele foi eleito vereador e considerado o legislador mais jovem do Brasil. Ele justifica sua militância com a efervescência política que Ipatinga viveu principalmente na década de 80.
“Nessa época, Ipatinga, João Monlevade, Nova Era e Itabira, era o ABC de Minas. Depois do ABC Paulista, essa era a região com uma luta sindical mais intensa. Isso me prendeu muito à cidade também. Participei ativamente da luta pela redemocratização. Isso tudo me fez ipatinguense”, destacou Sávio Tarso.
 


De anônimo a personagem principal
 

Toda essa paixão que os forasteiros têm por Ipatinga, na opinião de Sávio Tarso, deve-se ao fato de os anônimos terem aqui a possibilidade de ser protagonistas da história.
“Ipatinga é essa história construída por muitas mãos. História para ser contada e a fim de trazer novos personagens. Não é terra de um único herói e sim de muitos heróis e pessoas”, frisou Sávio Tarso.
Segundo ele, a participação política no município é forte no sentido amplo. “Aqui eu faço história. Vemos vários segmentos crescendo. Ipatinga é um anfiteatro com vários palcos importantes para você encenar. Essa é uma característica difícil de se encontrar em uma cidade”, finalizou Sávio Tarso.

 
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