12 de maio, de 2010 | 23:00

Dnit desocupa imóveis na BR-458

Cerca de 30 propriedades serão removidas ao longo das BRs 458 e 116

Wôlmer Ezequiel


SUCATEIRA NO CHÃO

IPATINGA – Vários imóveis foram demolidos na manhã desta quarta-feira (12). As casas estavam situadas às margens da BR-458, em um trecho que vai da ponte metálica sobre o rio Doce até Ipaba. A derrubada das propriedades foi realizada por funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com apoio da Polícia Militar.
A remoção das construções só foi possível depois de uma liminar concedida pelo juiz federal Osmar Vaz, que determinou a demolição de todas as invasões existentes a 15 metros da margem da pista. O documento expedido pelo juiz não informa de quem é a responsabilidade pelo destino das famílias, já que nem o departamento ou as prefeituras chegaram a um acordo. A ação que pede a retirada das construções que estão dentro da faixa de domínio federal, que compreende 80 metros, sendo 40 para cada lado, ainda será julgada.
Apesar de terem sido notificados antecipadamente, os proprietários dos imóveis ficaram assustados. O ajudante Silvanir Paulino de Silva, 38, perdeu a casa de quatro cômodos que levou quatro anos para construir. Em meio aos escombros, lamentou o ocorrido. “Eu sabia que um dia eles viriam, mas me assustei mesmo assim. Chegaram aqui derrubando tudo. Quase nem deu tempo de tirar minhas coisas e ainda mataram um cachorro. Foi tudo muito rápido. O que eu espero é que alguém pague pelo menos pelo material que gastei na construção”, disse.
Enquanto não surge uma definição sobre os destinos das famílias que perderam suas casas, Silvanir e outros moradores vão morar na casa de parentes.
Maria Lucia da Silva, 42, perdeu parte da casa onde a mãe morava. Dos quatro cômodos, restaram três. A área que foi derrubada estava dentro dos 15 metros de distância da rodovia. “A casa não estava sendo ocupada, mas, mesmo assim, eu tive prejuízo”, reclama.

Empregos
O aposentado José Sérgio, 74, ficou desolado, ao chegar em sua residência e se deparar com o muro de sua casa no chão. “Meu Deus, isso não é possível. Como podem fazer uma coisa dessas. Eu sabia que isso ia acontecer, mas não sabia a hora”, desabafou.
Já o funcionário de um galpão onde funcionava uma sucateira disse que, em nenhum momento, foi avisado de que a propriedade seria derrubada. José Damião de Matos calcula que o prejuízo chega a R$ 60 mil. “Aqui, a gente gerava oito empregos diretos. Agora, vamos esperar para ver se alguém faz alguma coisa. Isso é resultado dos meus votos”, critica.
O supervisor do Dnit em Caratinga, Milton Lobato, informou que, no total, serão 32 unidades a serem removidas e explicou que as desocupações serão feitas gradualmente. “Até ontem todas as construções até o trevo de Ipaba já tinham sido derrubadas. Vamos dar sequência, até que se faça cumprir a decisão do juiz”, afirmou.

Risco
O juiz Osmar Vaz já havia adiantado que a decisão de retirar as famílias do local era uma forma de preservar a vida daquelas pessoas. “Os moradores dessa área correm risco de morte, pois estão expostos a acidentes de trânsito na rodovia. Minha decisão foi baseada nisso, porque se acontecesse um acidente, o poder público seria acusado de não tomar providências”, justificou.
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