19 de maio, de 2010 | 23:00

Crise agravada no Hospital Siderúrgica

90% dos médicos deixam de atender no pronto-socorro pelo SUS

Fotos: Silvia Miranda


PRONTO-SOCORRO E ÊNIO

FABRICIANO – Pronto-socorro totalmente vazio. Esta é a cena rotineira vista no Hospital Siderúrgica nos últimos 20 dias. Segundo relatos de funcionários, os leitos estão vazios e os atendimentos no pronto-socorro só para conveniados ou particulares. Os funcionários contam também que as internações naquela unidade de saúde se tornaram raras. Ciente da falta de médicos, a comunidade se desloca para outros municípios. Já as emergências atendidas pelo Corpo de Bombeiros são encaminhadas para as unidades de saúde de Timóteo e Ipatinga.
No fim do mês passado, em nota enviada à imprensa, a Associação Beneficente de Saúde São Sebastião, mantenedora do Hospital Siderúrgica desde 2007, reconheceu a crise financeira e a ameaça de falência. A mantenedora e a diretoria administrativa do hospital informaram que comunicaram a situação às autoridades em janeiro de 2010, quando a instituição se tornou novamente inadimplente com fornecedores, funcionários, prestadores de serviços e médicos. A dívida está em torno de R$ 8 milhões, segundo nota oficial. 

Patrimônio
Há 30 anos trabalhando no Hospital Siderúrgica, o médico pediatra Ênio José de Souza falou ao DIÁRIO DO AÇO sobre os problemas recentes da unidade. Ênio afirma que a crise é a mais grave da história enfrentada pelo hospital. Segundo ele, o crescimento da dívida colocou em risco o patrimônio do hospital.
Com salários atrasados desde o mês de janeiro, 90% dos médicos deixaram de atender no Siderúrgica. Sem o fornecimento de serviços, o hospital continua gerando gastos com funcionários e outras manutenções, aumentando ainda mais a sua dívida.

Compra
Ênio José faz parte de um grupo de 12 médicos interessados em assumir o Hospital Siderúrgica. A proposta foi feita há cerca de um mês para a atual direção. Como o hospital possui uma dívida estimada em R$ 8 milhões, o grupo se propôs a assumir o débito, dando continuidade, ao mesmo tempo, às atividades e serviços prestados à população. No entanto, não houve nenhuma manifestação por parte da Associação sobre a oferta. 
O pediatra explicou que a proposta elaborada foi baseada em negociações possíveis de serem viabilizadas junto à Secretaria de Estado de Saúde. “Não existe hospital público que possa sobreviver sozinho sem a ajuda ou a intervenção do Estado”, afirmou o médico. Ele disse que a dívida com fornecedores e funcionários é a mais urgente e deve ser quitada no curto prazo.
 O médico adiantou que recebeu a adesão de outros médicos, inclusive de outros hospitais, interessados em participar do processo de aquisição do hospital.
Partos são encaminhados para cidades vizinhas
A crise do Hospital Siderúrgica sobrecarrega os hospitais das cidades vizinhas, como já divulgou o DIÁRIO DO AÇO. A falta de uma solução coloca em risco a qualidade do serviço prestado na saúde pública, principalmente nos casos emergenciais. Na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Olaria, em Timóteo, por exemplo, houve um aumento de 20% na procura dos serviços.
Há um acordo para que os partos de Coronel Fabriciano sejam encaminhados para o Hospital e Maternidade Vital Brazil, mas o acordo não envolve urgência e emergência, que foi direcionada naturalmente pela população para a UPA. Já a administração do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, adiantou que não possui estrutura para atender a demanda, caso a falência do Siderúrgica se confirme.
Ênio José lamenta a omissão do poder público, que “até o momento não tomou nenhuma providência para conter o caos vivido na saúde do município”. “Não será possível solucionar esta crise sem a ajuda da administração municipal em conjunto com o governo do Estado e governo federal”, reiterou o médico.
A administração do Hospital Siderúrgica só se manifesta por meio de notas. A Gerência Regional de Saúde também se nega a dar qualquer declaração até que uma solução oficial seja anunciada.
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