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19 de maio, de 2010 | 23:00

Bons ventos voltam a soprar na indústria

Paulo Magalhães fala sobre recuperação da ArcelorMittal após a crise mundial

Wôlmer Ezequiel


PAULO

TIMÓTEO - Como acontece todos os anos, a Associação Comercial, Industrial Agropecuária e de Prestação de Serviços de Timóteo (Aciati) realizou na noite da última terça-feira (18) um encontro com empresários da área industrial para comemorar o Dia da Indústria, marcado para 25 de maio.
O evento foi promovido no auditório do escritório central da ArcelorMittal Inox Brasil e contou com a participação do presidente da companhia, Paulo Magalhães. O convidado compartilhou com um grupo de empresários da cidade reflexões sobre a economia mundial e o processo de recuperação da empresa, em uma palestra que durou cerca de 90 minutos.  
Diante de olhares atentos, o chefe da planta da ArcelorMittal em Timóteo discordou, logo nos primeiros momentos, da avaliação feita pelo presidente Lula sobre os efeitos da crise no Brasil. “A crise não foi uma ‘marolinha’, como considerou o presidente na ocasião. Tivemos um impacto real. O crescimento do país, que havia alcançado um índice de quase 6% no ano anterior, caiu a zero. Na planta da Arcelor fechamos 2009 com 70% do nível de atividade e perdemos 55% da rentabilidade. Eu não tinha visto nada igual em 32 anos de empresa”, resumiu.

Reação
Segundo o presidente, para superar o colapso a empresa implementou um Plano de Contingência de Monitoramento Semanal do mercado, que colocou a diretoria 100% focada nos assuntos comerciais. De acordo com ele, alguns dos resultados da iniciativa foram o desenvolvimento de novos produtos e a retomada das exportações, que atualmente giram em torno de 25% da produção.
“No primeiro trimestre deste ano, retomamos o nível de atividade da empresa para cerca de 95% da capacidade. Por outro lado, ainda não conseguimos recuperar a rentabilidade. A perspectiva é que apenas em 2013 os índices referentes ao ano de 2007 serão retomados”, informou. Conforme Magalhães, a redução de custos está entre as principais medidas adotadas para reverter o quadro. “Uma consequência positiva da crise é que ela nos forçou a reduzir 30% dos custos fixos para melhorar a rentabilidade. Aprendemos a viver com menos. Além disso, passamos da lógica de crescimento para a lógica de performance, o que tem sido muito positivo para a empresa neste momento”, concluiu.

Desenvolvimento
Para Paulo Magalhães, passada a crise, a economia mundial, e principalmente a brasileira, encontram agora condições favoráveis para uma “nova era”. “A expectativa de crescimento do PIB em 2010 é de 5,5%. Para a indústria, a previsão para este ano é crescer 18%, e para o período de 2010 a 2013, 60%”. O executivo informou que algumas condições favoráveis ao desenvolvimento do setor são a redução da dívida externa, a exploração do pré-sal, os programas governamentais voltados à construção civil, a menor vulnerabilidade externa e os grandes eventos esportivos, como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Apesar da retomada da economia, o presidente da ArcelorMittal declarou que a empresa não tem previsão de investimentos em expansão para a planta industrial de Timóteo. “Para expandir é necessário ter uma visibilidade a longo prazo, e esta ainda não existe. Nossos investimentos agora estão voltados para o aumento da competitividade e para a redução de custos”, enfatizou.
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