24 de maio, de 2010 | 13:56
De volta ao passado
Porque os produtos antigos” ganharam tanto espaço no mercado
IPATINGA As lojas de informática do município e de todo o país oferecem modelos cada vez menores e mais modernos de computadores portáteis. Memória estendida e velocidades de processamento turbinadas são perfeitas para quem leva uma vida agitada e precisa dispor de um computador conectado à internet sempre à mão.
No bairro Horto, em Ipatinga, a arquiteta Carla Paoliello, proprietária da Banca de Design, também vende notebooks”. Só que os dela são em papel e alguns imitam o tradicional moleskine, um tipo de caderno de cantos arredondados, com capa envolvida por material impermeável e uma tira de elástico para mantê-lo fechado.
Enquanto a indústria de brinquedos investe na modernização de jogos tradicionais como o Banco Imobiliário”, com cartão de crédito no lugar das tradicionais cédulas, Carla encontra espaço para vender brinquedos de pano e de corda.
O mesmo movimento pode ser constatado na indústria de eletrodomésticos. Batedeiras, liquidificadores e até refrigeradores com aparência de objetos dos tempos dos nossos avós, ocupam espaço nas vitrines e prateleiras das lojas.
E por pouco tempo. Vendem rapidamente e por um preço mais elevado do que os produtos modernos. Afinal de contas, o que se passa com os consumidores para comprarem tantos objetos do passado?
Perfil
A arquiteta Carla Paoliello afirma que o perfil do público da Banca de Design é variado. São homens e mulheres de várias idades que têm em comum a vontade de se expressar de forma mais pessoal e parecem mais sensíveis e poéticas”, aponta Carla.
A arquiteta acredita que a aquisição destes produtos não se opõe à atualidade tecnológica da época. Acredito que há um pouco de saudosismo neste movimento”, arrisca Carla.
Para a psicóloga Jeanne Mara Vaz de Oliveira, estes produtos mexem com as emoções dos consumidores. Ao adquirir um objeto com características antigas, o consumidor tenta resgatar um pouco de um passado em que se sentia mais seguro, mais tranquilo e com mais tempo para visitar e ser visitado”, analisa a psicóloga.
É que o desenvolvimento tecnológico, segundo Jeanne, gerou uma correria. A cobrança por fazer não nos permite usufruir do que foi produzido e isso gera estresse. No passado, havia mais afeto, mais contato com o outro e mais qualidade de vida. A busca por estes produtos reflete um desejo de resgatar um pouco disso”, afirma Jeanne.
Mercado
Para a Associação Brasileira de Marketing & Negócios (ABNM), adquirir produtos dos tempos da jovem guarda não se trata de colecionar antiguidade nem tampouco é algo restrito a um gueto vanguardista.
"Esse movimento está longe de ser popular, mas já chegou àquela camada da sociedade que compra com o coração e não só com a razão. Ela representa 27,5% dos consumidores mundiais", explica o consultor de marketing da Concept, Adalberto Viviani.
E poucas vezes uma única tendência tornou viável as principais ambições de uma empresa, segundo a ABNT: produzir com pouco, vender por muito e ter um nome admirado no mercado.
Os produtos retrô reforçam a imagem da marca (porque dão idéia de exclusividade, de tradição, de eternidade), demandam investimento baixo (afinal, a ideia já está pronta) e o melhor de tudo, valem mais, muito mais. Ainda de acordo com a ABNM, os novos” produtos custam até 10 vezes mais do que um aparelho com desenho atual e, vendidos em lojas de grife, servem também para enfeitar a casa.
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