29 de junho, de 2010 | 22:00

Insegurança afasta investidores

Falta de leis definitivas mantém construção civil em baixa

Thaís Dutra


PROJETOS NÃO SAEM DO PAPEL
IPATINGA – Uma sondagem divulgada nesta segunda-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que a construção civil cresceu pelo quarto mês consecutivo no país, atingindo nível de atividades de 55,8 pontos em maio.
O resultado, contudo, não reflete o desempenho do setor em Ipatinga. No município, esta foi a pior fase do segmento nos últimos anos, de acordo com os construtores. O baixo desempenho é resultado do impasse sobre a falta de leis para construção no município, o que levou a Justiça a restringir a liberação dos alvarás no final do ano passado.  
A expectativa era que a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o município e o Ministério Público trouxesse novo ânimo para o setor. Isso, contudo, ainda não ocorreu. Dois meses após o acordo, “os investidores ainda estão inseguros”, afirmou na tarde de ontem o engenheiro civil Marcelo Bittar Osório, da Jacutinga Arquitetura Engenharia.
Conforme Bittar, os proprietários de imóveis voltaram a procurar as construtoras, mas apenas para se orientar sobre as regras vigentes. “Quando chegamos ao terreno e informamos a eles o que dá para fazer, eles desistem”, resume.
O engenheiro destaca que as construções em alguns lotes ficaram bem restritas com as regras do TAC. “Em alguns terrenos onde era possível construir 12 unidades, agora dá para erguer apenas a metade”, exemplificou. A limitação quanto à verticalização também tem desanimado os investidores, segundo ele. “Algumas pessoas pagaram caro por terrenos onde pretendiam levantar quatro andares. E quando são informados de que é possível edificar só dois, por conta do recuo exigido e outras determinações, eles também desistem”, lamentou.
De acordo com o profissional, a maioria dos investidores tem optado por esperar o desfecho da história, antes de tomar qualquer decisão. “Como o momento ainda é de instabilidade, há especulações fortes sobre a valorização do imóvel. E isso prejudica o setor”, considerou.

Imobiliárias
Além das construtoras, outro segmento que tem sofrido com a instabilidade na construção civil é o imobiliário. Conforme o proprietário da Diferencial Imóveis, Geraldo Henrique, o setor ainda está longe de voltar à normalidade. “Estamos com poucos produtos para comercializar. Muitos proprietários suspenderam as vendas porque não sabem o que vai ocorrer quando as leis forem concluídas”, disse, acrescentando que foi registrada queda de mais de 40% no movimento.
Geraldo observa ainda que, por conta da instabilidade no segmento, a cidade tem perdido muitos investimentos e deixado de gerar empregos. Segundo ele, duas redes de supermercados já estariam com projetos prontos para construir no bairro Cidade Nobre e no Novo Cruzeiro, ao lado da Saitama. Em razão das incertezas, teriam desistido.
O empresário cobra urgência do poder público nas decisões sobre a ordem urbana da cidade. “Agora que a situação política do município se estabilizou, esperamos que as respostas venham com maior rapidez. Enquanto permanecer essa instabilidade, a cidade continuará perdendo investimentos”, salientou. 
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