30 de julho, de 2010 | 22:00
Amantes protegidos pelo sigilo
Polícia Rodovia Federal não divulga mais nomes de vítimas em rodovias
DA REDAÇÃO Na semana que passou, um relatório da Polícia Rodoviária Federal sobre um acidente grave na BR-381, enviado à redação do DIÁRIO DO AÇO, trazia apenas as iniciais dos nomes dos envolvidos no acidente.
Diferentemente dos relatórios divulgados até então, o boletim normalmente enviado às redações não traziam a qualificação completa das vítimas. Nem a central da PRF, em Contagem, quis divulgar os nomes.
O procedimento agora é adotado em todas as unidades da Polícia Rodoviária. Jornais e outros veículos de comunicação que precisarem informar os nomes das vítimas terão que recorrer agora a outras fontes, como as unidades do Instituto Médico Legal.
O motivo para a mudança no procedimento, que mais cria dúvidas do que esclarece, só foi revelado nesta quinta-feira.
A determinação partiu de Brasília. O inspetor Alexandre Castilho informou que a Polícia Rodoviária Federal tem frequentes casos em que motoristas, homens e mulheres, pais de família, viajavam ao lado de alguém que não era necessariamente o cônjuge, quando se envolveram em acidentes, graves ou não, mas tiveram os nomes divulgados na imprensa a partir dos relatórios da PRF.
Sem questionar ou julgar valores morais, esse tipo de divulgação fere a intimidade do cidadão. Isso porque divulgamos algo sobre o qual não havia interesse público. Para que isso não ocorra, a Polícia Rodoviária Federal vai manter a intimidade da vítima preservada”, explicou.
Questionado se a não divulgação dos nomes das vítimas de acidentes nas rodovias, a partir do entendimento relatado pelo inspetor, não significava o individual sobrepondo-se ao interesse coletivo, o inspetor Alexandre Castilho disse que o interesse coletivo se fundamenta naquilo que atinge a vida da sociedade.
Castilho concorda que se divulgue apenas o local onde ocorreu o acidente, os prejuízos causados, o número de vítimas e para onde foram levadas. Mas os nomes das vítimas interessam apenas aos envolvidos”, concluiu.
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