24 de agosto, de 2010 | 23:00
Obra "ecológica" causa risco de soterramento em Marliéria
Moradores temem deslizamentos nas obras na Estrada Parque Dom Helvécio
MARLIÉRIA - O que seria uma obra ecológica para incentivar o ecoturismo em Marliéria, está virando preocupação para moradores e governo municipal. Trata-se da obra de pavimentação e calçamento da Estrada Parque Dom Helvécio, que liga a sede do município ao Parque Estadual do Rio Doce (Perd). A população teme soterramentos que podem ser causados por deslizamento da terra que se avoluma em trechos em obra da estrada, especialmente nas encostas da Serra do Jacroá.
A preocupação aumenta em decorrência da proximidade do período de chuvas, a partir de setembro, e pela morosidade da obra a cargo da Construtora Oriente, que iniciou os serviços em março de 2009, com prazo de entrega de 720 dias.
Incluída no Programa de Pavimentação de Ligações aos Municípios (ProAcesso), a cargo da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop), a obra foi alardeada como um grande projeto em prol do desenvolvimento turístico da região, em solenidade realizada com pompa no Parque Estadual do Rio Doce (Perd) e que contou com a presença do então secretário Fuad Noman, da Setop.
Na ocasião, o secretário informou que o projeto começaria imediatamente e seria desenvolvido em três etapas, a primeira delas com o calçamento dentro da área do Perd, já concluída. Mais duas frentes de obras seriam abertas uma na parte baixa do trajeto, com pavimentação asfáltica, e outra na Serra do Jacroá, com calçamento. O secretário garantiu ainda que o projeto incluiria a contenção de encostas. Isso porque enormes voçorocas (erosões) se formaram ao longo dos anos pela falta de vegetação, colocando em risco de desabamento vários trechos na Serra do Jacroá.
A estrada tem 21,9 quilômetros com trajeto que começa na sede da Marliéria, sobe o Pico do Jacroá e depois desce em direção ao povoado de Santa Rita. Até a portaria do Perd são mais 500 metros pela MG-760. O custo da obra foi orçado em R$ 17,2 milhões.
Estragos
O prefeito de Marliéria, Waldemar Nunes de Sousa (PT), enviou ofício à Setop, expondo a gravidade da situação e pedindo providências urgentes. A principal preocupação é que haja soterramento na área urbana de Marliéria. Segundo ele, caminhões da Construtora Oriente despejaram terra sem qualquer cuidado ou critério técnico para tentar conter a erosão que se formou em trechos da estrada logo acima do perímetro urbano. Esse procedimento, além de representar risco de soterramento, pode danificar ruas e entupir bueiros no período de chuvas”, alertou.
O prefeito relatou ainda a situação dos moradores da comunidde de Santa Rita, prejudicados pelo tráfego diário de caminhões e máquinas pesadas na estrada. Além de muita poeira, algumas casas estão trincadas pela movimentação dessas máquinas”, ressaltou.
Diante dessa situação, os moradores se perguntam quem vai se responsabilizar pelos estragos ou se o Estado vai cobrar a reparação dos danos provocados pela Construtora Oriente.
Bota-fora
Outra situação considerada grave pelo prefeito de Marliéria é a falta de um local adequado para o depósito dos restos de materiais da obra, que estão sendo despejados pela empreiteira no entorno da estrada, com prejuízos ao meio ambiente. No ofício enviado à Setop, em 30 de julho, o prefeito solicitou também a troca de materiais que estão sendo utilizados no calçamento por bloquetes intertravados, de maior qualidade e durabilidade.
O prefeito Waldemar Nunes de Sousa relatou ainda que entrou em contato com o gerente da Oriente, Gustavo Castro, responsável pela obra e que ele repassou a responsabilidade para o DER. Em relação à erosão, Gustavo disse que o Departamento de Estradas de Rodagens (DER) teria que fornecer um projeto para minimizar o problema, mas não o fez. E que o órgão estadual também não determinou a implantação de um bota-fora” adequado.
Resposta
O diretor geral do DER/MG, José Élcio Montese, a par do ofício, determinou conhecer, verificar e adotar todas as providências técnicas e legais cabíveis para a solução dos problemas, com urgência” e datou o documento em 9 de agosto de 2010.
Logo depois, em 16 de agosto, o assessor da Diretoria Geral do DER/MG, Cláudio Lima do Nascimento, encaminhou ofício ao presidente da Associação Amigos do Parque e ao prefeito de Marliéria, assegurando que o órgão, ciente dos fatos referentes à obra, fez várias notificações à empresa Oriente, em relação ao descumprimento de alguns itens de cláusula contratual e o atraso de serviços propostos no cronograma físico-financeiro da obra”.
De acordo com Cláudio Lima, todas as providências estão sendo tomadas, incluindo a revisão no projeto de drenagem para evitar que os deságues provoquem erosões e o carreamento de material fino para as nascentes.
No entanto, até a tarde desta terça-feira (24), a situação em Marliéria continuava a mesma, sem que qualquer medida prática tivesse sido tomada. A reportagem do DIÁRIO DO AÇO tentou insistentemente entrar em contato com o gerente da construtora em Marliéria, Gustavo Castro, na tarde de ontem, mas o telefone emitia sempre sinal de ocupado.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















